segunda-feira, 27 de maio de 2013

Recifes de coral e restingas são vitais para equilíbrio do meio ambiente

Habitat de vários animais, os recifes de corais encantam pelas cores e formas
 (Foto: Thinkstockphotos)
Saiba quais são as principais ameaças a esses ecossistemas

Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais ricos e produtivos do mundo, pois além de fornecerem alimento para uma infinidade de espécies aquáticas, ajudando de forma indireta com o meio de subsistência de várias comunidades que vivem da pesca, eles contribuem para o turismo e servem como berçários para espécies comerciais de peixes. Além disso, pelo viés ecológico, como mostrou o programa do Globo Ecologia sobre os Oceanos e o Clima, exibido no dia 25 de maio, os corais são barreiras naturais que protegem a costa da ação das ondas, evitando, ou diminuindo, o ritmo da erosão.
Entretanto, apesar de sua importância, estudos da ONU revelam que 75% dos recifes de coral do mundo estão ameaçados. Se nada for feito para impedir esse tipo de degradação, até 2050, os riscos poderão ser grandes. Conforme explica Joel Creed, professor do Departamento de Ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sem os recifes de corais, as unidades costeiras ficam em risco devido à erosão em excesso.
“Além de serem barreiras naturais entre o mar e a terra, os recifes de corais são habitat natural de animais e microrganismos. Ou seja, sem eles, algumas cadeias se quebram e os recursos pesqueiros ficam ameaçados. O badejo, por exemplo, um peixe altamente consumido pelo homem, mora em recifes de corais. Além disso, devido à sua beleza, os recifes são atrativos para o turismo litorâneo, gerando milhões em renda para diversas localidades que lidam com esse tipo de atividade econômica”, ressalta o professor.

Ameaças aos recifes

Mas quais seriam os principais fatores que ameaçam os recifes de corais? Respondendo a esta pergunta, Joel destaca que existem várias influências que acontecem da terra para o mar, incluindo, por exemplo, a sedimentação causada por mudanças no uso de solo. “Quando uma floresta dá lugar a uma atividade agrícola, e, com isso, aumenta-se a quantidade de sedimentos que entram em um rio que segue para uma região costeira, por exemplo, isso acarreta muitos danos”. A partir daí, é gerado na região costeira um excesso de nutrientes, como o nitrogênio e o fósforo, que são levados juntos com os sedimentos, aumentando a quantidade de macroalgas e diminuindo a de corais. Além disso, outros produtos podem vir associados, como os fertilizantes e o esgoto doméstico.
O professor lembra que o problema relativo ao excesso de nutrientes na água se agrava quando é combinado à pesca predatória, já que os peixes, por se alimentarem das algas, ajudam a equilibrar o ecossistema. “Outro problema diz respeito ao aquecimento global, que, devido aos efeitos dos gases do efeito estufa, propicia a acidificação dos oceanos. Ou seja, o dióxido de carbono encontrado na atmosfera também se dissolve no mar. Como os corais são formados por carbonato de cálcio, em meio mais ácido eles tendem a se dissolver”, alerta.
Joel chama atenção para outro fato relativo ao aquecimento global. Com o aumento da temperatura da superfície dos oceanos, dá-se origem a um processo de branqueamento dos corais. “Isso acontece, pois algumas microalgas, como a Zooxantela, por exemplo, fazem simbiose com os corais, vivendo em seus tecidos. Quando a temperatura da água aumenta, eles se separam, e isso pode ser fatal para o coral, pois ele faz uso de boa parte da energia do açúcar produzido pelo processo de fotossíntese das algas”, explica.

Restingas: um ecossistema a ser preservado

Ainda no programa do
Globo Ecologia, foi abordado um projeto de resgate da restinga de Ipanema, no Rio de Janeiro, e como essa vegetação ajuda a amenizar os eventos extremos. Conforme explica o engenheiro agrônomo Antônio Carlos Silva de Andrade, pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, as restingas são ecossistemas associados ao bioma Mata Atlântica, localizados sob depósitos arenosos das planícies costeiras. As restingas são distribuídas descontinuamente pelo litoral brasileiro, com alta diversidade de paisagens e riqueza de espécies animais e vegetais, com relevantes interações entre populações humanas e o ambiente.
Devido à ocupação desordenada e à exploração predatória, Antônio Carlos explica que a fauna e a flora das restingas apresentam diversas espécies ameaçadas de extinção. “Das mais de 20 espécies vegetais ameaçadas, destacamos o pau-brasil (Caesalpinia echinata), a caixeta (Tabebuia cassinoides) e o cactus ‘coroa de frade’ (Melocactus violaceus). Das espécies animais, destacamos o mico-leão-dourado, a ave ‘formigueiro-do-litoral’, o lagartinho da praia e diversas espécies de tartarugas marinhas”, lista o pesquisador.
Antônio destaca que as restingas são ecossistemas frágeis e de lenta recuperação, dependendo do grau de degradação, ou destruição. “Dentre as principais ameaças, destacamos a fragmentação do habitat, caracterizada pela remoção de vegetação e uso das áreas para diferentes atividades antrópicas, tais como a especulação imobiliária, retirada de areia, turismo predatório e grandes obras no litoral”, alerta o especialista.

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