quinta-feira, 22 de maio de 2014

"Fotógrafo explora campo de sal vermelho na Crimeia" :

"Fotógrafo explora campo de sal vermelho na Crimeia"

 
 

O fotógrafo Sergey Anashkevych captou imagens de uma paisagem impressionante no interior da Crimeia: um campo de sal abandonado e completamente avermelhado.
A cor se deve à presença da Halobacterium archaea, um organismo que se multiplica rapidamente ao entrar em contato com ambientes extremamentes salgados.
Quando a Crimeia fazia parta da União Soviética, o local era explorado para a obtenção de salmoura para uso na indústria química.
"O ar é tão úmido e salgado que tem-se a impressão de que é pegajoso", afirma Anashkevych.
"Tudo fica coberto por uma película fina: a pele, as roupas, os equipamentos. O outro problema é o cheiro: não é nada agradável", acrescenta o fotógrafo.

 
Fonte: BBC

Aquecimento afeta sexo de tartaruga marinha e ameaça espécie



Imagine sua mãe, grávida, indo dar à luz numa tarde de verão com termômetros passando dos 35 graus Celsius (°C) e, de repente, você, hoje um homem, nasce mulher? Ou numa tarde fria de inverno, você, mulher, nasce um homem? Pois esta é a sina das tartarugas marinhas, cujo sexo tende mais para um ou outro de acordo com a temperatura do ambiente onde o ovo é incubado.
Em tempos de aquecimento global, isso pode influenciar a própria sobrevivência da espécie, conforme aponta um novo estudo publicado na revista científica Science, nesta semana.
Com o aumento da temperatura da Terra, mais tartarugas marinhas nascerão fêmeas, diz o estudo, que avaliou a influência da temperatura na determinação do sexo de um grupo de tartarugas marinhas na região de Cape Verde, no Oceano Atlântico, um reduto da espécie.
A observação mostrou que quando a temperatura da areia passava dos 30°C aumentavam as chances do nascimento de tartarugas fêmeas.
Aos 29°C, a razão de sexo de filhote de tartaruga é de aproximadamente 50 para 50, ao passo que quando era de 28°C, aumentavam as chances de nascer mais machos.
A temperatura na área de incubação também depende da cor da areia – quanto mais escura, mais calor retém.
“Nós estimamos que as praias de cor clara produzem atualmente 70,1 % do sexo feminino, enquanto as praias de cor escura produzem 93,46 % do sexo feminino”, diz um trecho do estudo.
No médio prazo, segundo os cientistas, o nascimento de mais fêmeas pode até contribuir para o aumento da população, já que haverá mais fecundação e deposição de ovos.
Mas, no longo prazo, dentro de 100 anos, com areias cada vez mais quentes, a população pode se tornar majoritariamente feminina, colocando em risco a própria sobrevivência da espécie.
“Aí você tem um problema, já que haverá pouco machos para fertilizar as fêmeas”, disse Graeme Hays, um dos autores principais do estudo, ao jornal britânico The Guardian.
Segundo o pesquisador, é possível que o réptil, para se adpatar, comece a colocar seus ovos em uma estação mais fria ou migrar para uma área mais fria. “Os seres humanos poderiam ajudar também, evitando a construção de hotéis e resorts em praias de areia clara. Elas vão ser as mais importantes para proteger”, completou.
Fonte: Exame.com

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Imerso na baía Ilha Grande


Localizada entre as duas maiores metrópoles do Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) e cercada pela imponente Serra do Mar, a baía da Ilha Grande abriga 187 ilhas e ilhotas, criando um cenário de grande beleza paisagística no litoral sul fluminense. Diversas unidades de conservação protegem parte deste patrimônio natural, na tentativa de manter a biodiversidade tanto terrestre como marinha da baía. Porém, esse mosaico de unidades de conservação enfrenta impactos de diversas ordens. Alvo de grande especulação imobiliária, a região sofre pressões como o turismo descontrolado, a pesca predatória, além de instalações portuárias e industriais de alto impacto.

Enrico Marone fez suas primeiras viagens para a baía da Ilha Grande há mais de 15 anos. O mergulho neste universo submarino influenciou sua trajetória profissional e acabou levando-o à Oceanografia. Hoje, Marone se dedica a projetos de conservação marinha ao longo do litoral brasileiro. Na baía de Ilha Grande, atua junto às áreas marinhas protegidas e às comunidades caiçaras de pesca artesanal, no sentido de fortalecer as iniciativas de conservação da biodiversidade e uso sustentável dos recursos da região.

As imagens do ensaio foram captadas ao longo de diversas expedições à baía da Ilha Grande. Durante o projeto de levantamento da biodiversidade marinha da baía, coordenado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com a participação de diversas instituições de pesquisa, Marone foi responsável pela documentação da expedição. O trabalho resultou em uma exposição fotográfica inaugurada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e, posteriormente, montada no Congresso Nacional, em Brasília, em comemoração ao Ano Internacional dos Corais (2008).
Veja o ensaio no link: http://www.oeco.org.br/fotografia/22974-imerso-na-baia-da-ilha-grande-

*Enrico Marone é oceanógrafo, fotógrafo e documentarista. Atualmente, coordena as iniciativas do Programa Marinho do Instituto BioAtlântica, ao longo do litoral brasileiro.

Fonte: O Eco
 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Cientistas europeus encontram resíduos plásticos em águas profundas

O plástico chega a constituir 41% dos depósitos de lixo no solo oceânico.

Um grupo de pesquisadores europeus analisou águas profundas dos oceanos Atlântico e Ártico e do Mar Negro. As amostras estudadas comprovaram que os resíduos humanos não estão somente na superfície do mar, eles também são encontrados em profundidades de até 4,5 quilômetros.

O estudo, chamado de Projeto de Mapeamento de Profundidade, foi financiado pela União Europeia e contou com a participação de 15 organizações. Para chegar ao resultado final, os cientistas utilizaram 600 amostras obtidas entre profundidades que variaram de 35 metros a 4,5 quilômetros.

“Descobrimos que o plástico foi o lixo mais comum encontrado no mar. O plástico chega a constituir 41% dos depósitos no solo oceânico. As acumulações de lixo mais densas foram encontradas em profundos desfiladeiros marinhos”, explicou Christipher Pham, da Universidade dos Ações.

A Dra. Kerry Howell, professora associada do Instituto de Marinha da Universidade de Plymouth, informou que os cientistas ficaram chocados com a descoberta de tantos resíduos em lugares totalmente desabitado por pessoas. “Esta pesquisa mostrou que o lixo humano está em todos os habitats marinhos, desde as praias até os mais distantes e profundezas do oceano. A maior parte das áreas analisadas permanece inexplorada pelos humanos, então ficamos chocados ao descobrir que o nosso lixo está lá antes de nós.”

De acordo com o estudo, o plástico representa 41% dos resíduos encontrados. Outros 34% são formados por redes e outros artigos relacionados à pesca. Vidro, metal, madeira, papel, roupas, cerâmica e materiais não identificados também foram coletados, mas em escala menor.

Os cânions e as correntes marítimas são as principais causas para este movimento de lixo pelos oceanos. Os pesquisadores lembram que o estudo serve como alerta. “Nossos resultados destacam a extensão do problema e a necessidade de ações para evitar o aumento do acúmulo de lixo em ambientes marinhos”, finaliza a Dr. Kerry Howell em artigo original
 

 
 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Expedição ao 'continente de plástico' do Atlântico Norte

Uma nova expedição científica partirá no início de maio em direção ao "7º continente", uma das gigantescas regiões onde se acumulam os resíduos de plástico nos oceanos, neste caso no Atlântico Norte.

No ano passado, no Pacífico, "pudemos constatar que este 7º continente existe", explica à AFP Patrick Deixonne, de 49 anos, que lançou o projeto depois de se deparar com esta ilha de poluição durante uma competição de remo em 2009.
"Desta vez sabemos o que vamos encontrar, vamos tentar colocar em andamento coisas que nunca haviam sido feitas para estudar o fenômeno", acrescenta este ex-bombeiro da Guiana.
Uma equipe de nove pessoas partirá da Martinica, nas Antilhas, no dia 5 de maio a bordo de um catamarã de 18 metros.
A expedição - organizada com o CNES, a agência especial francesa, a ESA, a agência espacial europeia, o centro de pesquisa francês CNRS e a instituição científica Mercator Ocean - durará três semanas.
"Vamos tentar alcançar o coração do giro oceânico no centro do mar dos Sargaços", no Atlântico norte, disse.
Milhares de toneladas de lixo proveniente das costas e dos rios flutuam nos cinco principais giros oceânicos, os turbilhões gigantes que criam as correntes marítimas em todos os oceanos, onde a força centrípeta leva os detritos ao centro.
O explorador se propõe a estudar os cinco giros e no próximo ano partirá ao Atlântico sul, com o objetivo de cartografar as zonas poluídas utilizando sistemas de radar.
Fonte: AFP cls/pjl/ltl/ame/ma

terça-feira, 15 de abril de 2014

Acidificação do oceano diminui instinto de sobrevivência dos peixes


A investigação analisou o comportamento dos peixes nos recifes de corais em frente à costa de Papua Nova Guiné, uma zona onde o oceano é naturalmente ácido, e descobriu que seu comportamento é mais arriscado.
“Normalmente, os peixes evitam o cheiro de um predador, é totalmente lógico. Mas neste caso se sentem atraídos por seu cheiro. É incrível”, explicou à AFP um dos autores da pesquisa, o professor Philip Munday da universidade australiana James Cook.
O nível de acidificação na zona do estudo, “um laboratório natural” perfeito, segundo Munday, é comparável ao que os oceanos de todo o planeta terão ao fim deste século se não forem tomadas medidas contra as mudanças climáticas.
Cerca de 30% do dióxido de carbono emitido à atmosfera pela atividade humana termina sendo absorvido pelos oceanos, o que faz com que eles se tornem mais ácidos.
Segundo Munday, os peixes da região estudada não conseguiram se adaptar à acidez, apesar de terem vivido sempre nestas condições.
“Afastam-se muito dos refúgios e são mais ativos. É um comportamento mais arriscado, que os expõe a ataques dos predadores”, afirma o cientista.
“Isto demonstra que um peixe não sabe se adaptar quando está exposto permanentemente a altos níveis de dióxido de carbono. Também não sabemos se a adaptação será possível nas próximas décadas”, caso a acidificação do oceano continue aumentando, afirma.
O estudo foi realizado conjuntamente pelo Coral Centre of Excellence da Universidade James Cook, pelo Australian Institute of Marine Science, pelo Georgia Institute of Technology e pela National Geographic Society.
Fonte: Nature Climate Change

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Dez fotos que mostram que o nosso lixo pode ser consumido por animais




O albatroz está entre as maiores aves do mundo e voam grandes distâncias com pouco esforço. Contudo, a falta de consciência humana coloca em xeque à sobrevivência dessa espécie. Prova disso é uma série fotográfica capitaneada por Chris Jordan.
No atol de Midway, no vasto Oceano Pacífico, um conjunto de ilhas com mais de dois mil quilômetros do continente mais próximo, Chris Jordan retrata a morte de milhares de albatrozes que foram alimentados por seus pais, que confundiram o lixo flutuante com comida. Uma tragédia ambiental espantosa!
"Para mim, ajoelhado sobre as carcaças dos albatrozes, é como olhar para um espelho macabro. Estas aves refletem um resultado espantoso do transe coletivo do nosso consumismo e do crescimento industrial descontrolado", lamenta Chris Jordan.
O fotógrafo tem visitado este lugar com uma equipe e iniciou o projeto de um filme intitulado A Jornada Midway, cujo objetivo é fazer o telespectador sentir as justaposições de uma beleza deslumbrante e o nascimento da morte de milhares de albatrozes. Uma visita guiada às profundezas dos nossos espíritos que entrega uma mensagem profunda de reverência a amor que já está atingindo pessoas de todo o mundo.
Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2014/dez-fotos-que-mostram-que-o-nosso-lixo-pode-ser?tag=consumo_consciente#ixzz2yu2IkzGb

GALERIA DE FOTOS (clique na imagem para ampliar)





sexta-feira, 11 de abril de 2014

Vazamento de petróleo em 2010 causa anomalias em peixes

Quatro anos após a explosão da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, o petróleo cru que vazou ainda provoca anormalidades no desenvolvimento de espécies marinhas. Uma das consequências é a má-formação cardíaca em peixes como o atum-rabilho e o atum-amarelo. A conclusão faz parte de um estudo da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) divulgado no final de março na publicação Proceedings of the National Academy of Sciences.

Com a explosão, mais de 4 milhões de barris de petróleo foram despejados ao longo de 7 mil quilômetros da costa norte-americana. Apesar das dimensões visíveis do acidente, estima-se que metade de todo o material tenha sequer chegado à superfície. No entanto, o acidente coincidiu com a época de reprodução dessas espécies, que depositam ovos na superfície oceânica.

Segundo a pesquisadora da Universidade de Standford, Barbara Block, uma das autoras do estudo, as evidências apontam um efeito comprometedor do óleo na fisiologia e morfologia dos embriões e larvas. O estudo mostrou que o petróleo age como um fármaco que impede processos-chave nas células cardíacas. O movimento de contração e descontração do músculo cardíaco é afetado, o que provoca arritmias.

O coordenador do estudo, John Incardona, explica que os problemas cardíacos afetam diretamente a capacidade de natação dos peixes, criando uma mortalidade tardia ainda relacionada ao derramamento. Como a pesquisa confirmou deformidades que já haviam sido registradas, os autores acreditam que peixes-espada, marlins, cavalas e outras espécies também enfrentem o mesmo problema.

A pesquisa alerta ainda que os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos derivados do óleo, substâncias que afetam diretamente o coração dos peixes, podem permanecer nos habitats marinhos por vários anos, ampliando os impactos ambientais do acidente.

Piores vazamentos da história

A Agência Deutsche Welle fez uma seleção dos cinco piores vazamentos de petróleo ocorridos na história. Confira:

1. Gerra do Golfo / Kuwait

Em 1991, tropas iraquianas abriram as válvulas dos poços de petróleo do Kuwait, que havia sido invadido, para reduzir a oferta desse recurso mineral. O Kuwait tinha produção excessiva e, com isso, forçava a queda dos preços no mercado internacional, o que motivou a invasão das forças de Saddam Hussein. O resultado foi um derramamento de aproximadamente 240 milhões de galões de petróleo bruto no Golfo Pérsico. A mancha de óleo atingiu uma área de mais de 700 quilômetros de costa, além de causar danos irreparáveis à biodiversidade e à integridade física do Golfo.

2. Golfo do México

Esse foi o maior desastre acidental da história, de acordo com a agência. Em 20 de abril de 2010, um vazamento de gás provocou uma explosão na plataforma de exploração Deepwater Horizon, a 6,4 quilômetros da costa do estado norte-americano de Louisiana, no Golfo do México. Mais de mil quilômetros de costa foram atingidos, destruindo habitats, vida marinha e prejudicando as populações locais. Especialistas dizem que a recuperação deve levar décadas.

3. Ixtoc 1

A terceira posição também pertence a um acidente ocorrido no Golfo do México. Em 6 de março de 1979, uma explosão na plataforma mexicana Ixtoc 1, na Bahia de Campeche, causou o vazamento de mais de 1 milhão de galões de petróleo bruto por dia. No total, cerca de 147 milhões de galões do óleo se misturaram às águas do Golfo.

4. Atlantic Empress

Este desastre aconteceu poucos meses após o incidente no México, de 1979. Em 19 de julho, os navios petroleiros Atlantic Empress e Aegean Captain, carregando 276 mil e 200 mil toneladas de petróleo bruto, respectivamente, colidiram a poucos quilômetros da ilha de Tobago. Com o choque, houve uma explosão seguida de fogo, matando 26 tripulantes. O fogo no Aegean foi controlado e o navio foi rebocado para a costa, derramando pouco petróleo na água. Já o Atlantic Empress afundou dias depois. Ao todo foram jogados 88 milhões de galões do recurso mineral no mar do Caribe.

5.  Bacia do Rio Iguaçu (PR)

O desastre na bahia do rio Iguaçu, no estado do Paraná, não está entre os piores do mundo, mas é o principal do Brasil, conforme informações da agência. Em 16 de julho de 2000, houve um vazamento na refinaria da Petrobrás em Araucária. Mais de 1 milhão de galões (4 milhões de litros) de óleo foram jogados no meio ambiente, afetando a fauna e a flora da região.

Poucos meses antes, o Brasil sofreu outro grave vazamento. Em 18 de janeiro, um dos oleodutos que ligam a Refinaria Duque de Caxias ao terminal da Petrobrás na ilha D'água se rompeu. O vazamento liberou 340 mil galões de óleo combustível na bahia de Guanabara, no Rio de Janeiro.

Com informações da Agência Deutsche Welle

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Lixo nos mares

                    
Levados para os oceanos pelo vento, os resíduos sólidos gerados por atividades humanas já são um grave problema social e ambiental. Conservação marinha e boa gestão podem auxiliar a reduzir esse impacto.                                   
O problema do lixo marinho envolve fontes terrestres e marítimas de lixo e diferentes locais de acúmulo, como praia, mar costeiro e oceano aberto. Resíduos perigosos põem em risco os usuários da praia. (foto: Flickr/ epSos .de – CC BY 2.0)

O lixo de origem humana que entra no mar está presente nas imagens, hoje comuns, de animais emaranhados em materiais de todo tipo ou que ingeriram ou sufocaram com diferentes itens. Também é conhecida a imensa mancha de lixo que se acumula no chamado ‘giro’ do oceano Pacífico Norte – os giros, existentes em todos os oceanos, são áreas em torno das quais se deslocam as correntes marinhas. Nas zonas centrais desses giros, as correntes têm baixa intensidade e quase não há ventos. Os resíduos que chegam ali ficam retidos e se acumulam, gerando enormes ‘lixões’ oceânicos.
Apesar do sensacionalismo em torno desse tema, o estudo do lixo marinho tem bases científicas e envolve, em todo o mundo, cada vez mais pesquisadores e tomadores de decisão. Todos engajados na luta pela diminuição desse problema social e ambiental.
Detritos orgânicos (vegetais, animais, fezes e restos de alimento) não são considerados lixo marinho, porque em geral se decompõem rapidamente e se tornam nutrientes e alimentos para outros organismos
Os impactos ligados à presença do lixo no mar começaram a ser observados a partir da década de 1950, mas somente em 1975 foi definido o termo ‘lixo marinho’, hoje consagrado. Essa definição, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, diz que é lixo marinho todo material sólido de origem humana descartado nos oceanos ou que os atinge por rios, córregos, esgotos e descargas domésticas e industriais.
Detritos orgânicos (vegetais, animais, fezes e restos de alimento) não são considerados lixo marinho, porque em geral se decompõem rapidamente e se tornam nutrientes e alimentos para outros organismos. As fontes do lixo oceânico são comumente classificadas como ‘marinhas’ (descartes por embarcações e plataformas de petróleo e gás) e ‘terrestres’ (depósitos e descartes incorretos feitos em terra e levados para os rios pelas chuvas e daí para o mar, onde também chegam carregados pelo vento e até pelo gelo).
Tartaruga presa em rede
O número de publicações, científicas e não científicas, sobre lixo marinho começou a aumentar a partir da década de 1980, segundo Christine Ribic, bióloga norte-americana e uma das principais pesquisadoras da área.
Ribic atribui esse aumento a três processos:
1) a contínua e crescente substituição, em vários tipos de utensílios, de materiais naturais pelos sintéticos – estes, como o plástico, resistem por mais tempo à degradação no ambiente marinho e tendem a se acumular;
2) o baixo custo dos materiais sintéticos, que não incentiva sua reciclagem e favorece o descarte no ambiente e
3) o aumento, na zona costeira, do número de habitantes e embarcações, que podem contribuir para o descarte de lixo no ambiente marinho.
Compromissos e atitudes
Os estudos sobre o volume de resíduos no mar e os impactos à fauna levaram à realização, nos Estados Unidos, de Conferências Internacionais de Lixo Marinho, organizadas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa, na sigla em inglês). As conferências ajudaram a consolidar a ideia de que o problema do lixo marinho deve ser reconhecido e enfrentado pelo poder público e por indústrias, pescadores, marinha mercante, militares e a sociedade em geral, e ainda agilizaram trocas de informação entre os pesquisadores e os tomadores de decisão.
O problema do lixo marinho deve ser reconhecido e enfrentado pelo poder público e por indústrias, pescadores, marinha mercante, militares e a sociedade em geral
O número de participantes – inclusive de países – vem aumentando, como mostrou a última Conferência Internacional de Lixo Marinho, realizada em 2011, no Havaí, que teve o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Esse encontro gerou dois documentos importantes: o Compromisso de Honolulu e a Estratégia de Honolulu.
O primeiro é uma lista com 12 atitudes/ações que objetivam reduzir a geração de lixo marinho. Ao assinar esse documento, a nação, empresa ou indivíduo assume publicamente o compromisso de combate ao problema. Já a Estratégia de Honolulu consiste em um roteiro de medidas elaborado para orientar a sociedade civil, o poder público e o setor privado a planejar e executar suas ações nesse campo, incluindo a troca de informações e o aprendizado mútuo. Inclui três eixos de ação: reduzir o lixo marinho gerado em terra, reduzir o lixo marinho gerado no mar e remover o lixo acumulado no ambiente marinho.

Proteção do mar na ONU
A Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada, em 1945, com o objetivo de promover a paz e o desenvolvimento dos países, mas nas décadas seguintes expandiu sua área de ação. Em 1972, criou uma comissão sobre meio ambiente e desenvolvimento, a qual, em 1987, publicou o relatório ‘Nosso futuro comum’ – chamado de Relatório Brundtland. O nome homenageia a então primeira-ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland, que presidiu a comissão.
Albatroz
O albatroz foi morto provavelmente pela ingestão acidental de plástico. (foto: USFWS Headquarters)
O relatório criticou o sistema de produção mundial e o próprio conceito de desenvolvimento, sugerindo uma mudança na forma como as nações buscavam seu crescimento econômico. Para a comissão, os governos deveriam adotar um modelo de desenvolvimento capaz de “satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as próprias necessidades” – ou seja, um desenvolvimento sustentável.
Em 1992, como desdobramento do Relatório Brundtland, foi promovida a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida como Eco-92, ou Rio-92, por ter ocorrido no Rio de Janeiro. O encontro mundial gerou um documento, a Agenda 21, contendo compromissos que os países deveriam adotar para proteger o meio ambiente. Entre eles estavam mudanças nos padrões de consumo, manejo ambientalmente saudável dos resíduos sólidos e proteção dos oceanos, mares e zonas costeiras, temas que se relacionam com a diminuição da geração de lixo marinho.
Dando sequência às iniciativas da ONU contra a degradação do ambiente marinho, o PNUMA criou, em 1995, o Programa Global de Ação para a Proteção do Ambiente Marinho de Atividades Situadas em Terra (GPA, na sigla em inglês). Esse programa inovou ao apontar a conexão entre os ambientes marinho e terrestre e buscou orientar as nações no sentido de reduzir as fontes de degradação dos oceanos oriundas de atividades humanas realizadas em terra.
Você leu apenas o início do artigo publicado na CH 313. Clique aqui para acessar uma edição resumida da revista e ler o texto completo.

Andréa de Lima Oliveira
Flávia Cabral Pereira

Programa de Mestrado em Oceanografia
Instituto Oceanográfico
Universidade de São Paulo
Alexander Turra
Laboratório de Manejo, Ecologia e Conservação Marinha
Instituto Oceanográfico
Universidade de São Paulo