Mais de 10 mil de golfinhos estão sendo mortos por
pescadores peruanos para servirem de isca à pesca de tubarões. Ambas as
espécies estão em perigo de extinção, sendo os golfinhos, animais protegidos
por lei. Há rumores de que essa pode ser a maior matança mundial de golfinhos.
Acompanhando uma equipe de caçadores de golfinhos na costa do
Peru, o jornalista Jim Wickens conseguiu presenciar toda a matança através
de um financiamento pelo Centro Pulitzer para Relatórios de Crise e muitas
negociações com navios pesqueiros da região, até que um capitão aceitou
transportá-lo desde que fosse respeitado um rigoroso anonimato em relação aos
seus tripulantes e seu barco.
Momentos antes da caça realmente começar, enquanto os navios
eram rodeados de golfinhos, Wickens revela que a visão era muito bonita,
“Enquanto nosso navio cortava as ondas do Pacífico, os golfinhos agrupavam-se
sob a proa se revezando para brincar de navegar na esteira”.
Entretanto, a paisagem aconchegante não durou muito tempo,
“eu mal podia aguentar olhar, passando mal com o que viria a acontecer”, disse
Wickens.
Pois acima dos golfinhos, no convés do navio pesqueiro
peruano, estava seu capitão, empunhando um arpão afiado. Ele firmou-se
cuidadosamente, observando o ritmo dos golfinhos ao vir à superfície respirar.
Segundo Wickens, houve uma pausa momentânea e, em seguida, o capitão golpeou o
animal, arremessando 30 kg de um tubo de aço em suas costas enquanto ele
inocentemente nadava ao lado do navio.
Enquanto dois tripulantes puxavam a corda amarrada ao arpão,
o golfinho tentava a qualquer custo se desvencilhar no objeto. Ele agonizava de
dor e, logo ao chegar ao lado do barco, um gancho de aço brilhante afundou
em sua cabeça e o transportou a bordo, com os intestinos saindo da ferida onde
o arpão havia penetrado. O corpo do animal ainda estava se contorcendo.
O jornalista revela que um membro da tripulação afiou uma
faca e começou a cortar as nadadeiras do golfinho, e as sacudiu no mar.
“Enquanto uma poça de sangue grosso e brilhante aumentava, ele começou a tirar
a pele das costas do animal”.
Para os tripulantes, os golfinhos são chamados de “porcos do
mar”, pois são somente a isca perfeita para a caça de tubarões. Em um dos
momentos de assassinato de golfinhos, Wickens conta que precisou filmar cada
detalhe, pois “tínhamos que ter uma gravação a qual nós poderíamos recorrer
para exibir ao mundo. Mas ainda mais matança estava por vir”. No dia
seguinte à caça aos golfinhos, era a vez de realizar a matança em tubarões. Os
tripulantes limparam todo o convés e separaram toda a carne do golfinho que
havia sido estripado no dia anterior.
“A carne de golfinho é
muito própria para o tubarão azul”, disse o capitão do navio. “Quando você a
corta, sangra bastante e o tubarão azul gosta de gordura, e o golfinho é
gordura pura”. E continuou, “Eu compreendo que a caça do golfinho é ilegal. Mas
para mim, ela é necessária. Eu faço isso para manter meus gastos. Eu posso
diminuir meus custos, porque a isca para tubarão é muito cara. A maioria dos
barcos que pescam, possuem arpões que estão prontos para uso”.
Os membros da tripulação espetavam a carne do golfinho caçado
em ganchos e os amarravam em linhas de pesca. Depois lançavam milhares desses
ganchos pela água. Os tripulantes de preparavam para a segunda matança com
energizantes naturais, que os manteriam acordados durante a noite da caça.
O primeiro tubarão chegou no meio da noite, de surpresa,
conta Wickens. “Nadando no seu habitat natural sobre a água, o tubarão azul era
uma linda visão, seu torso arredondado e grandes olhos dotavam-no de uma
elegância suave”.
Mas esta elegância também durou pouco tempo. O tubarão foi
arpoado e, em poucos segundos, ele foi arrastado por cima da amurada e se
chocou contra convés, se debatendo. Em seguida, a equipe o imobilizou. Um
cortou todo o seu focinho, bem na frente de seus olhos brancos.
“No buraco aberto com
o golpe, uma haste longa e fina foi inserida rapidamente para baixo da coluna
vertebral do tubarão e, afinal os golpes cessaram. Sua barriga foi aberta, os
interiores lavados e a carcaça do tubarão jogada para um lado do convés.
Esse seria o primeiro de uma dúzia de tubarões que o barco pegaria, mataria e
cortaria aquela noite”, disse Wickens.
Uma hora depois o
motor desacelerou novamente entre gritos entusiasmados da tripulação do convés.
Todos os quatro homens deixaram seu trabalho para ajudar a puxar a linha. Eles
haviam capturado um enorme tubarão
tresher, uma espécie recentemente classificada como próxima da extinção.
Com várias centenas de
quilos, sua alongada nadadeira característica da espécie media sozinha 6
metros.
Wickens revela que,
“por um momento ou dois, era ainda uma linda criatura marinha e então as facas
o cortaram e foi jogada à pilha crescente de carne”.
“Mas o pior ainda
estava por vir. Outro tubarão azul foi trazido à superfície, ainda se debatendo
na água. Quando sua barriga foi aberta, dúzias de perfeitos bebês tubarões
deslizaram para fora, contorcendo-se no convés”. A crueldade dos assassinos era
tanta que, ao pedir que colocassem os filhotes no mar, eles riram de Wickens.
Esta foi a prova
absoluta de toda a crueldade na caça aos golfinhos e tubarões. Exausto com as
mortes presenciadas, Wickens deixou o convés com “tubarões se contorcendo sob
ganchos bestiais” e desceu para a cabine.
Segundo o jornalista,
“Em todos os sentidos, eu tinha tido – e visto – o suficiente”.
Fonte:
http://www.anda.jor.br