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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Corais do Caribe estão à beira do colapso

Estudo mais abrangente já feito sobre recifes de corais caribenhos alerta que esse rico ecossistema marinho pode desaparecer em 20 anos. Ainda dá para salvá-lo!

Com apenas um sexto do seu tamanho original, a maioria dos recifes de corais do Caribe pode desaparecer nos próximos 20 anos, principalmente devido à perda de biodiversidade, alerta um novo relatório produzido por três grandes entidades, o Global Coral Reef Monitoring Network (GCRMN ), a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) e o Programa Ambiental das Nações Unidas (Pnuma).
As consequências podem ser catastróficas. O Caribe é casa de 9% dos recifes de coral do mundo, que são um dos ecossistemas mais diversos do planeta e vitais para a economia da região.
Eles geram mais de US$ 3 bilhões por ano com o turismo e a atividade de pesca e mais de uma centena de outros bens e serviços dos quais 43 milhões de pessoas dependem.
Os resultados mostram que os corais do Caribe reduziram em mais de 50% desde 1970.
As mudanças climáticas têm sido apontadas como a principal culpada pela degradação dos corais pelo mundo, mas no caso dos corais caribenhos, a maior ameaça vem da perda de dois herbívoros importantes para a região: peixes-papagaio e ouriços do mar.
Uma doença não identificada levou a uma mortalidade em massa do ouriço-do-mar em 1983 e a pesca extrema ao longo do século 20 deixou a população de peixes-papagaio à beira da extinção em algumas regiões.
A perda destas espécies rompe o delicado equilíbrio dos ecossistemas de corais, permitindo com que as algas, das quais elas se alimentam, se proliferem e passem a sufocar os recifes.
Mas, de acordo com os autores, restabelecer as populações de peixes-papagaio e melhorar outras estratégias de gestão, como a proteção contra a sobrepesca e poluição costeira excessiva, são medidas que poderiam recuperar os recifes e torná-los mais resistentes a impactos futuros das mudanças climáticas.
"A taxa em que os corais do Caribe têm diminuído é verdadeiramente alarmante", diz Carl Gustaf Lundin, diretor do Programa Polar Global Marine e da IUCN.
"Mas este estudo traz algumas notícias muito animadoras: o destino de corais do Caribe não está além do nosso controle e há alguns passos muito concretos que podemos tomar para ajudá-los a se recuperar", acrescenta.
O relatório "Situação e Tendências dos Recifes de Coral no Caribe" é o estudo mais detalhado e abrangente do gênero já publicado.
Resultado do trabalho de 90 especialistas ao longo de três anos, ele contém a análise de mais de 35 mil pesquisas realizadas em 90 locais do Caribe desde 1970, incluindo estudos de corais, algas, ouriços do mar e peixes de criadouro.
Fonte: revista Exame

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Vídeo: a vida marinha secreta de esponjas e corais


O fotógrafo Daniel Stoupin produziu um trabalho de extrema beleza e delicadeza. A ideia dele foi capturar a essência da vida marinha, exótica para nós, por meio de fotos de alta ampliação. Stoupin busca mostrar a vida secreta dos chamados “animais marinhos lentos” – corais e esponjas.
“Estas são criaturas muito móveis, mas seu movimento é apenas detectável em escalas de tempo diferentes em comparação com a nossa e requer um período longo para ser observado. Estes animais constroem recifes de coral e desempenham um papel crucial na biosfera, mas não sabemos quase nada sobre suas vidas diárias”, afirma.
O clipe acima, batizado pelo artista de “Slow Life” (Ou seja, “Vida Lenta”), foi produzido compilando aproximadamente 150 mil fotografias diferentes. Stoupin explica que cada quadro do vídeo é na verdade uma montagem que consiste em 3 a 12 fotografias distintas, em que os focos das imagens foram mesclados.
O fotógrafo destaca que organismos vivos que desempenham funções-chave na biosfera podem não parecer empolgantes quando se trata de movimento, mas, da mesma forma que todos os seres vivos, são dinâmicos, móveis e, fundamentalmente, têm as mesmas propriedades de movimento que nós.
 “Eles crescem, se reproduzem, se espalham, se movimentam em direção a fontes de energia e fogem de condições desfavoráveis. No entanto, o detalhe é que suas velocidades estão fora de sincronia com a nossa percepção reduzida. Nossos cérebros estão programados para compreender e acompanhar melhor acontecimentos rápidos e dinâmicos, especialmente aqueles raros que acontecem em velocidades às quais estamos acostumados. Temos mais dificuldades de entender situações que envolvem predadores incrivelmente rápidos ou presas camufladas que levam minutos, horas ou dias para que uma pessoa note qualquer alteração”, explica.
Stoupin afirma que a vida marinha lenta é particularmente misteriosa. Sabemos um pouco sobre a bioquímica e ciclo de vida de corais e esponjas, mas é só isso. “Infelizmente, é difícil ter certeza sobre os demais assuntos, em particular a interação com outros organismos, que acontece ao longo de grandes períodos de tempo”.
É neste contexto que a obra de Stoupin é relevante não apenas como arte, mas também como ciência. A técnica fotográfica de “time lapse” – em que a frequência de cada frame por segundo de filme é muito menor do que aquela em que o filme será reproduzido, dando a impressão de que o tempo está passando muito rápido – revela um mundo totalmente diferente. “Minha ideia era fazer com que a vida no recife de coral parecesse mais espetacular e, desta forma, mais próxima de nossa percepção”, esclarece.
O resultado final é uma curiosa e exótica dança realizada por criaturas longe de nosso contato diário, mas que nem por isso passam despercebidas por fotógrafos de tino apurado como Daniel Stoupin. [Vimeo e Notes From Dream Worlds]

 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Grande Barreira de Corais pode estar ameaçada por mineração

Foto: AFP/ Klaus D. Francke / Bilderberg

A Austrália abriu,  no dia 07 de novembro de 2013, uma investigação sobre o organismo encarregado de proteger a Grande Barreira de Corais depois que a imprensa informou que dois de seus membros teriam interesse direto na indústria da mineração.
O ministro de Meio Ambiente Greg Hunt solicitou uma investigação depois que o canal ABC revelou esse possível conflito de interesse.
Tony Mooney é executivo da companhia de extração de carvão Guildford Coal e Jon Grayson é acionista da Gasfields Water and Waste Services, uma empresa que presta serviços em jazidas de gás.
Ambos são membros do diretório do Parque Marinho da Grande Barreira e participaram em um importante encontro no ano passado dedicado à possível construção de portos mineradores no litoral do estado de Queensland (nordeste), diante da Barreira de Corais.
Os assessores científicos propuseram proibir a construção de novos portos desse tipo para evitar potenciais degradações da diversidade litorânea. No entanto, o diretório se limitou a afirmar que o impacto sobre a biodiversidade era um aspecto-chave e pediu para prosseguir com as consultas com as empresas mineradoras.
A Austrália reconheceu oficialmente em julho a degradação da Grande Barreira de Corais, cujo estado é classificado atualmente de medíocre e que a Unesco ameaça colocar na lista de locais em perigo.
A Grande Barreira de Corais, inscrita no patrimônio mundial da Unesco em 1981, perdeu mais da metade de seus corais durante os últimos 27 anos e se estende ao longo de 345.000 km2 do litoral australiano.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Recifes de coral e restingas são vitais para equilíbrio do meio ambiente

Habitat de vários animais, os recifes de corais encantam pelas cores e formas
 (Foto: Thinkstockphotos)
Saiba quais são as principais ameaças a esses ecossistemas

Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais ricos e produtivos do mundo, pois além de fornecerem alimento para uma infinidade de espécies aquáticas, ajudando de forma indireta com o meio de subsistência de várias comunidades que vivem da pesca, eles contribuem para o turismo e servem como berçários para espécies comerciais de peixes. Além disso, pelo viés ecológico, como mostrou o programa do Globo Ecologia sobre os Oceanos e o Clima, exibido no dia 25 de maio, os corais são barreiras naturais que protegem a costa da ação das ondas, evitando, ou diminuindo, o ritmo da erosão.
Entretanto, apesar de sua importância, estudos da ONU revelam que 75% dos recifes de coral do mundo estão ameaçados. Se nada for feito para impedir esse tipo de degradação, até 2050, os riscos poderão ser grandes. Conforme explica Joel Creed, professor do Departamento de Ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sem os recifes de corais, as unidades costeiras ficam em risco devido à erosão em excesso.
“Além de serem barreiras naturais entre o mar e a terra, os recifes de corais são habitat natural de animais e microrganismos. Ou seja, sem eles, algumas cadeias se quebram e os recursos pesqueiros ficam ameaçados. O badejo, por exemplo, um peixe altamente consumido pelo homem, mora em recifes de corais. Além disso, devido à sua beleza, os recifes são atrativos para o turismo litorâneo, gerando milhões em renda para diversas localidades que lidam com esse tipo de atividade econômica”, ressalta o professor.

Ameaças aos recifes

Mas quais seriam os principais fatores que ameaçam os recifes de corais? Respondendo a esta pergunta, Joel destaca que existem várias influências que acontecem da terra para o mar, incluindo, por exemplo, a sedimentação causada por mudanças no uso de solo. “Quando uma floresta dá lugar a uma atividade agrícola, e, com isso, aumenta-se a quantidade de sedimentos que entram em um rio que segue para uma região costeira, por exemplo, isso acarreta muitos danos”. A partir daí, é gerado na região costeira um excesso de nutrientes, como o nitrogênio e o fósforo, que são levados juntos com os sedimentos, aumentando a quantidade de macroalgas e diminuindo a de corais. Além disso, outros produtos podem vir associados, como os fertilizantes e o esgoto doméstico.
O professor lembra que o problema relativo ao excesso de nutrientes na água se agrava quando é combinado à pesca predatória, já que os peixes, por se alimentarem das algas, ajudam a equilibrar o ecossistema. “Outro problema diz respeito ao aquecimento global, que, devido aos efeitos dos gases do efeito estufa, propicia a acidificação dos oceanos. Ou seja, o dióxido de carbono encontrado na atmosfera também se dissolve no mar. Como os corais são formados por carbonato de cálcio, em meio mais ácido eles tendem a se dissolver”, alerta.
Joel chama atenção para outro fato relativo ao aquecimento global. Com o aumento da temperatura da superfície dos oceanos, dá-se origem a um processo de branqueamento dos corais. “Isso acontece, pois algumas microalgas, como a Zooxantela, por exemplo, fazem simbiose com os corais, vivendo em seus tecidos. Quando a temperatura da água aumenta, eles se separam, e isso pode ser fatal para o coral, pois ele faz uso de boa parte da energia do açúcar produzido pelo processo de fotossíntese das algas”, explica.

Restingas: um ecossistema a ser preservado

Ainda no programa do
Globo Ecologia, foi abordado um projeto de resgate da restinga de Ipanema, no Rio de Janeiro, e como essa vegetação ajuda a amenizar os eventos extremos. Conforme explica o engenheiro agrônomo Antônio Carlos Silva de Andrade, pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, as restingas são ecossistemas associados ao bioma Mata Atlântica, localizados sob depósitos arenosos das planícies costeiras. As restingas são distribuídas descontinuamente pelo litoral brasileiro, com alta diversidade de paisagens e riqueza de espécies animais e vegetais, com relevantes interações entre populações humanas e o ambiente.
Devido à ocupação desordenada e à exploração predatória, Antônio Carlos explica que a fauna e a flora das restingas apresentam diversas espécies ameaçadas de extinção. “Das mais de 20 espécies vegetais ameaçadas, destacamos o pau-brasil (Caesalpinia echinata), a caixeta (Tabebuia cassinoides) e o cactus ‘coroa de frade’ (Melocactus violaceus). Das espécies animais, destacamos o mico-leão-dourado, a ave ‘formigueiro-do-litoral’, o lagartinho da praia e diversas espécies de tartarugas marinhas”, lista o pesquisador.
Antônio destaca que as restingas são ecossistemas frágeis e de lenta recuperação, dependendo do grau de degradação, ou destruição. “Dentre as principais ameaças, destacamos a fragmentação do habitat, caracterizada pela remoção de vegetação e uso das áreas para diferentes atividades antrópicas, tais como a especulação imobiliária, retirada de areia, turismo predatório e grandes obras no litoral”, alerta o especialista.