terça-feira, 26 de janeiro de 2010

CALENDÁRIO 2010 - PROJETO BIOMAR

A equipe do Projeto Biomar informa que já se encontram abertas as inscrições para 2010, dos cursos teóricos-práticos de biologia marinha, ecologia dos manguezais, mata atlântica costeira, tipos de litoral, história ambiental, entre outros.
Os cursos são personalizados, quanto ao conteúdo, carga horária e estratégia operacional para se adaptarem a faixa etária dos alunos da Educação Básica ao Ensino Superior.

Maiores informações:

no site: www.projetobiomar.com.br

blog: http://www.projetobiomar.blogspot.com/

email : projetobiomar@projetobiomar.com.br

Esperamos você e sua escola!

Até lá,
Prof. Nilo Serpa e Equipe



Um sabiá-da-praia (Mimus gilvus) observava despreocupado em uma restinga do Espírito Santo quando foi flagrado por este fotógrafo. Antes comum em boa parte do sudeste brasileiro, a espécie desapareceu de grandes áreas devido à destruição de seu habitat e, principalmente, por ser apreciada como ave de gaiola. Pode atingir até 26 centímetros de comprimento e pesar 75 gramas, constrói ninhos rudimentares, pouco parecidos com os barreados dos sabiás tradicionais. Tem reconhecida capacidade de imitar cantos e chamados de outras aves. Afinal, mimus significa imitador em latim

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Caranguejo samurai e o futuro do homem


Alysson Muotri

A manhã chegou fria e cinza, com ondas que previam a chegada da tempestade. O ano é 1185 e com os navios chegavam sussurros de vozes humanas numa pequena baia, ao sul do Japão, conhecida como Dan-no-ura. O imperador Antoku, então com aproximadamente 9 anos de idade, avistou as bandeiras nos navios e logo compreendeu que iria morrer, assim como milhares de outros que viviam sob seu comando.
Foram quase 50 anos até esse confronto. De um lado, os Heike, da Casa de Taira; de outro, os guerreiros Genji, do clã Miyamoto. A disputa era, nada menos, pelo controle do mundo (ou pelo menos do mundo conhecido na época). Ambos se achavam com direitos ancestrais ao trono imperial. De um lado, mil navios de Heike, lotados de samurais prontos para a luta. De outro, três mil navios de Genji, estrategicamente melhor colocados.
A avó de Antoku, Nu, recolhe o pequeno imperador em seus braços e o leva para um outro reino, no fundo do mar, eliminando o último suspiro de esperança dos Heike. Muitos samurais Heike, leais ao seu imperador, optam por se atirar ao mar, morrendo afogados. O massacre que aconteceu em seguida foi rápido e brutal, consagrando os Genji como futuros governantes do Japão.

A história acima é real. A vitória dos Genji marca a transferência do poder da aristocracia para a classe guerreira, começando o período de liderança militar japonesa, ou shogunato. Toda a armada Heike foi destruída – só sobreviveram algumas mulheres. Essas damas da corte imperial viram-se forçadas a prestar favores aos pescadores da costa, perto do palco da batalha. Interessante notar que os pescadores dizem que os samurais Heike continuam vivos no fundo do mar, sob a forma de caranguejos.

De fato encontram-se neste local, caranguejos com marcas e recortes que se assemelham ao rosto de um samurai Heike. Quando coletam esses caranguejos, os pescadores não os comem, mas os retornam ao mar, em respeito aos trágicos acontecimentos de Dan-no-ura.

Mas como é que a cara de um samurai foi aparecer na carapaça de um caranguejo?

Uma das explicações parece ser que essa característica é consequência direta da influência humana. As marcas da carapaça dos caranguejos são hereditárias. Tal como nas pessoas, existem muitas linhas genéticas nos caranguejos, contribuindo para uma enorme diversidade de formas. Imagine agora que, entre os antepassados desse caranguejo, surja por acaso um indivíduo que se assemelhe a um rosto humano.
É possível que os pescadores, ao se depararem com essa forma, relutem em comê-los, devolvendo-os ao mar. Seja por respeito ou sentimentos anti-canibalísticos, essa seleção dos pescadores inicia um curioso processo evolutivo: caranguejos normais servirão de alimento aos humanos e a linhagem terá menos chances de deixar descendentes. Por outro lado, caranguejos que se assemelhem a um rosto humano serão devolvidos intactos e terão maiores chances de gerar outros da mesma linhagem.
Imagine esse processo repetindo-se ao longo de muitos anos, diversas gerações de caranguejos e de pescadores. Vemos a sobrevivência preferencial de caranguejos com face humana caminhando com a transmissão cultural humana, histórias da batalha de Dan-on-ura e lealdade de seus samurais.

Num determinado momento só restaria caranguejos não apenas com uma face humana estampada nas costas, mas com a face de um furioso samurai Heike do Japão medieval. Repare que em nenhum momento a seleção fora baseada em alguma característica vantajosa para os caranguejos samurais. A seleção foi imposta do exterior, realizada inconscientemente pelos pescadores – e sem qualquer premeditação da parte dos caranguejos.

Existem controvérsias a respeito das causas reais da seleção dos caranguejos Heike. É possível que outras forças evolutivas, desconhecidas do homem, atuaram na seleção. As “bochechas” e outras características humanas observadas na carcaça do animal servem para determinados fins e não são meramente decorativas. Algumas fissuras são locais de inserções musculares, que podem ter sido requisitadas durante algum outro processo seletivo. Além disso, existem outras culturas orientais que também associam a forma de caranguejos com faces humanizadas, como no termo chinês Keui Lien Hsieh (caranguejo com face de demônio).

De qualquer forma, a saga dos caranguejos Heike é um potencial exemplo do processo de seleção onde certas linhagens sobrevivem não por causa de forças da natureza, mas pela intenção humana. Esse caso específico é conhecido por biólogos e foi amplamente difundido por Carl Sagan em um episódio de “Cosmos” (alguém lembra?).
Na verdade, é apenas um dos milhares de exemplos desse tipo de seleção artificial, onde os homens decidem quais tipos de organismos sobreviverão no futuro. Hoje em dia, a seleção artificial é conscientemente utilizada em microbiologia, genética e biotecnologia, para a descoberta e desenvolvimento de novas drogas, por exemplo.
Fora dos laboratórios, o homem também modifica o ambiente a todo momento, nem sempre de forma consciente. Ainda não compreendemos as conseqüências de nossas ações no ambiente.

Ações corriqueiras como o uso de detergentes, plásticos etc., influenciam o ecossistema e vão direcionar as espécies que vão habitar o planeta no futuro.

Interessante notar que, mesmo com tanta capacidade mental e tecnológica, o homem corre o risco de não estar entre as espécies selecionadas, gerando a própria extinção

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Polvo que abre potes é atração de zoológico suíço


Administração de zôo diz que atividade é 'exercício mental' para evitar que animal sinta tédio.

Um polvo que sabe destampar embalagens é a mais nova atração do jardim zoológico da Basiléia, na Suíça.
Nas horas de alimentação do animal, os visitantes se reúnem em volta do aquário para vê-lo usando seus oito tentáculos para abrir potes de iogurte, desatarraxar vidros de conservas ou tirar tampas de garrafas. O octópode está sendo exibido desde o mês passado.
De acordo com o zoológico da Basiléia, as embalagens contendo de peixes, crustáceos ou ostras constituem uma espécie de "exercício mental" para evitar que o bicho "fique entediado".
A atração do zoológico suíço, no entanto, não chega a ser uma façanha inédita. Em 2007, o Aquário Nacional da Nova Zelândia também revelou possuir um polvo capaz de abrir uma garrafa de plástico para pegar seu alimento.
O polvo neozelandês usava dois tentáculos e sucção para tirar a tampa da garrafa e um tentáculo para pegar carne de caranguejo que os tratadores colocavam dentro.
Mais inteligentes
Vivendo solitários, exceto no período de acasalamento, os polvos estão entre os animais marinhos mais inteligentes que existem, com cérebros e sentidos altamente desenvolvidos. Eles moram em grutas submarinas e saem para caçar geralmente durante a noite.
Na procura por nutrientes, esses moluscos costumam vasculhar o fundo dos mares de forma incansável, inspecionando superfícies rochosas, abrindo conchas e revirando pedras pesadas à procura de suas presas. Durante a caça, podem chegar até mesmo a deixar a água e se mover por alguns metros na superfície terrestre.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Oceana lança campanha publicitária maciça de 350 ppm para salvar nossos oceanos



A Oceana trabalha para proteger e restaurar os oceanos do mundo. É a maior organização internacional de conservação do oceano nos E.U., empregando cientistas, advogados e ativistas de base para atingir objetivos concretos. Para mais informações, vá para http://na.oceana.org.
A 350.org tem muitos parceiros, mas a Oceana - a maior organização de conservação do oceano nos E.U. - realmente se destaca. Eles lançaram recentemente uma campanha de publicidade maciça em Copenhague para "destacar a necessidade de reduzir as emissões de dióxido de carbono para 350 partes por milhão (ppm) para evitar uma extinção em massa de corais e quedas prováveis nas inúmeras espécies marinhas que deles dependem, neste século.” Isso significa que, quando todos os governos que chegarem na Conferência do Clima da ONU em Copenhague, na próxima semana, eles serão recebidos no aeroporto, no centro da cidade, e no local da conferência central, com cartazes, filmes e outros anúncios, todos exibindo a mensagem 350 .
Jacqueline Savitz, diretor sênior de campanha com Oceana, explica:
Com as emissões de CO2 já em 385 ppm, queremos ser claros sobre o que é necessário para salvar uma importante fonte de alimento, renda e lazer para a população do mundo. O objetivo da Oceana é destacar o que está em jogo, se não conseguirmos alcançar maiores reduções de carbono, através de um acordo em Copenhague. Esperamos que esses anúncios lembrem aos políticos que a mudança climática vai alterar severamente os oceanos, o que afetará a todos nós, comprometendo a fonte de um dos alimentos mais rico e saudável e as atividades à beira-mar, entre outras coisas.
É sobre se vamos ter oceanos saudáveis e economias baseadas nas águas oceânicas, daqui a 40 anos - ou se vamos dizer adeus a esta enorme fonte de alimentos e riqueza.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Lixo ameaça tartarugas que chegam ao sul do Brasil

Animais confundem plástico e fios de redes de pesca com algas.

Pesquisadores do Rio Grande do Sul descobriram uma nova ameaça às tartarugas que chegam esta época do ano ao litoral do estado. Na semana passada, sete tartarugas da espécie verde foram encontradas na praia do Cassino, no sul do estado. Levadas para o centro reabilitação de animais marinhos, cinco delas morreram. A resposta sobre a causa das mortes veio com a análise do aparelho digestivo das tartarugas.
Ele estava completamente cheio de lixo.
As tartarugas confundem os pedaços de plástico e fios de redes de pesca com algas, que servem de alimento. “Eles ingerem esses materiais, isso faz a obstrução do intestino causando debilidade do animal e ele sai a maneira que sai na beira da praia”, explica o veterinário Rodolfo Silva.

Segundo a Universidade Federal de Rio Grande, o problema atinge 85% das tartarugas encontradas no litoral sul gaúcho. “Elas procuram nossa costa, principalmente agora a partir da primavera e o verão, quando começa a esquentar as nossas águas e elas usam nosso litoral como importante área de alimentação”, diz o biólogo Sérgio Estima. A maioria vem da costa africana.

Só este ano, 102 tartarugas verdes foram mortas. Elas chegam a atingir 1,5 metro de comprimento e a pesar mais de 200 quilos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CALENDÁRIO 2010 - PROJETO BIOMAR

CALENDÁRIO 2010
A equipe do Projeto Biomar informa que já se encontram abertas as inscrições para os cursos teóricos-práticos, em Angra dos Reis, para o 1º semestre de 2010.

Os cursos são personalizados, quanto ao conteúdo, carga horária e estratégia operacional para se adaptarem a faixa etária dos alunos da Educação Básica e do Ensino Superior.

Maiores informações:

no site: www.projetobiomar.com.br

blog: http://www.projetobiomar.blogspot.com/

emails: projetobiomar@projetobiomar.com.br

e projetobiomar@gmail.com .

Esperamos você e sua escola no ano que vem!
Até lá,
Prof. Nilo Serpa e Equipe

FOTO DO DIA - Caranguejo-vermelho ou aratu

Foto: Aldem Bourscheit


Conhecido como aratu em alguns pontos do país, este pequeno caranguejo-vermelho dos mangues (Goniopsis cruentata) foi flagrado no município de Laguna, em Santa Catarina. Logo que a maré começou a descer, lagoas de água salobra que se comunicam com o mar também reduziram seu volume de água. Suas margens lamacentas são o local preferido pela espécie para a busca por comida

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Comedores de amônia das profundezas


Encontrar pistas para entender o funcionamento do planeta no lixo de um aquário parece inusitado, mas é exatamente o que fez um grupo da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

Microrganismos que vivem onde há pouco carbono e nenhuma luz proliferam com quantidades ínfimas de amônia. Estudo destaca importância no ciclo global de nitrogênio (foto: Wikipedia)
Há alguns anos, os pesquisadores cultivaram um microrganismo no fundo de um tanque no aquário de Seattle e observaram que ele podia digerir amônia. Agora, o mesmo grupo demonstrou que o pequeno organismo tem uma função mais importante na ecologia da Terra do que se suspeitava.
Os resultados indicam que esses microrganismos, membros de uma antiga linhagem conhecida como Archaea, batem todas as outras formas de vida marinha na corrida pela amônia. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (1º/10) no site da revista Nature.

A amônia nas áreas mais próximas da superfície dos oceanos é inicialmente capturada pelo fitoplâncton, que precisa dela para fazer novas células. Pouca amônia chega ao fundo para ser consumida pelos micróbios, que a transformam em nitrato. “Mas nossos resultados indicam que esses microrganismos são capazes de roubar amônia de outros organismos e transformá-la em nitrato”, disse Willm Martens-Habbena, um dos autores do estudo.
A amônia é um resíduo que pode ser tóxica a animais. Mas plantas, incluindo o fitoplâncton – conjunto dos organismos aquáticos microscópicos que flutuam livremente nas águas –, têm na amônia a forma mais eficiente de construir novas células.
O artigo aponta que as archeas (ou arqueias) – organismos relacionados com as bactérias – são capazes de buscar amônia (constituída por nitrogênio e hidrogênio) nos ambientes mais extremos do fundo do mar. Isso resolve uma longa dúvida de como tais microrganismos podem sobreviver em ambiente tão desfavorável à vida.
Os organismos em questão são pequenos até mesmo para os padrões dos seres unicelulares. Com 0,2 micrômetro de comprimento, só são maiores do que os vírus. As archeas, apontam os pesquisadores, não apenas teriam um papel, mas seriam fundamentais para o ciclo de nitrogênio do planeta, dos quais dependem todo tipo de vida.
Bactérias nitrificantes foram descobertas no fim do século 19. Um século depois, um outro grupo de nitrificantes é descoberto. E não se trata de uma população menor, mas sim de uma muito grande e importante. Com isso, temos que revisar nosso conhecimento básico do ciclo de nitrogênio”, disse David Stahl, outro autor do estudo.
Na árvore da vida, as archeas ocupam seu próprio ramo. Foram descobertas há apenas 30 anos e, primeiramente, achava-se que elas existiriam apenas em ambientes extremos, como fontes hidrotermais. Agora, sabe-se que estão muito mais espalhadas. Estima-se que pelo menos 20% dos microrganismos oceânicos sejam do domínio Archaea.
O novo estudo mostra que esses organismos são capazes de sobreviver com quantidades ínfimas de amônia. Como nas profundezas oceânicas há pouco carbono e nenhuma luz, esses traços de amônia são a única fonte de energia das archea. “Ninguém achava que seria possível para um organismo viver com tão pouco”, disse Stahl.
Segundo os autores, os resultados da pesquisa também deverão afetar os modelos climáticos globais, que usam ciclos de nitrogênio e de outros elementos químicos para estimar quanto dióxido de carbono os oceanos absorverão e depositarão no fundo do mar.
Os resultados sugerem que a maior parte do nitrato na superfície oceânica vem da reciclagem da biomassa e não das águas das profundezas, como se achava. “Os dados indicam que a ‘bomba de carbono’ é mais fraca do que se estimava. Com isso, os modelos climáticos atuais podem ter estimado o quanto de carbono é absorvido pelos oceanos”, disse Martens-Habbena.
O artigo Ammonia oxidation kinetics determine niche separation of nitrifying Archaea and Bacteria, de Willm Martens-Habbena e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em
www.nature.com.
Fonte: Agência Fapesp em 12.10.09