terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Polvo que abre potes é atração de zoológico suíço


Administração de zôo diz que atividade é 'exercício mental' para evitar que animal sinta tédio.

Um polvo que sabe destampar embalagens é a mais nova atração do jardim zoológico da Basiléia, na Suíça.
Nas horas de alimentação do animal, os visitantes se reúnem em volta do aquário para vê-lo usando seus oito tentáculos para abrir potes de iogurte, desatarraxar vidros de conservas ou tirar tampas de garrafas. O octópode está sendo exibido desde o mês passado.
De acordo com o zoológico da Basiléia, as embalagens contendo de peixes, crustáceos ou ostras constituem uma espécie de "exercício mental" para evitar que o bicho "fique entediado".
A atração do zoológico suíço, no entanto, não chega a ser uma façanha inédita. Em 2007, o Aquário Nacional da Nova Zelândia também revelou possuir um polvo capaz de abrir uma garrafa de plástico para pegar seu alimento.
O polvo neozelandês usava dois tentáculos e sucção para tirar a tampa da garrafa e um tentáculo para pegar carne de caranguejo que os tratadores colocavam dentro.
Mais inteligentes
Vivendo solitários, exceto no período de acasalamento, os polvos estão entre os animais marinhos mais inteligentes que existem, com cérebros e sentidos altamente desenvolvidos. Eles moram em grutas submarinas e saem para caçar geralmente durante a noite.
Na procura por nutrientes, esses moluscos costumam vasculhar o fundo dos mares de forma incansável, inspecionando superfícies rochosas, abrindo conchas e revirando pedras pesadas à procura de suas presas. Durante a caça, podem chegar até mesmo a deixar a água e se mover por alguns metros na superfície terrestre.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Oceana lança campanha publicitária maciça de 350 ppm para salvar nossos oceanos



A Oceana trabalha para proteger e restaurar os oceanos do mundo. É a maior organização internacional de conservação do oceano nos E.U., empregando cientistas, advogados e ativistas de base para atingir objetivos concretos. Para mais informações, vá para http://na.oceana.org.
A 350.org tem muitos parceiros, mas a Oceana - a maior organização de conservação do oceano nos E.U. - realmente se destaca. Eles lançaram recentemente uma campanha de publicidade maciça em Copenhague para "destacar a necessidade de reduzir as emissões de dióxido de carbono para 350 partes por milhão (ppm) para evitar uma extinção em massa de corais e quedas prováveis nas inúmeras espécies marinhas que deles dependem, neste século.” Isso significa que, quando todos os governos que chegarem na Conferência do Clima da ONU em Copenhague, na próxima semana, eles serão recebidos no aeroporto, no centro da cidade, e no local da conferência central, com cartazes, filmes e outros anúncios, todos exibindo a mensagem 350 .
Jacqueline Savitz, diretor sênior de campanha com Oceana, explica:
Com as emissões de CO2 já em 385 ppm, queremos ser claros sobre o que é necessário para salvar uma importante fonte de alimento, renda e lazer para a população do mundo. O objetivo da Oceana é destacar o que está em jogo, se não conseguirmos alcançar maiores reduções de carbono, através de um acordo em Copenhague. Esperamos que esses anúncios lembrem aos políticos que a mudança climática vai alterar severamente os oceanos, o que afetará a todos nós, comprometendo a fonte de um dos alimentos mais rico e saudável e as atividades à beira-mar, entre outras coisas.
É sobre se vamos ter oceanos saudáveis e economias baseadas nas águas oceânicas, daqui a 40 anos - ou se vamos dizer adeus a esta enorme fonte de alimentos e riqueza.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Lixo ameaça tartarugas que chegam ao sul do Brasil

Animais confundem plástico e fios de redes de pesca com algas.

Pesquisadores do Rio Grande do Sul descobriram uma nova ameaça às tartarugas que chegam esta época do ano ao litoral do estado. Na semana passada, sete tartarugas da espécie verde foram encontradas na praia do Cassino, no sul do estado. Levadas para o centro reabilitação de animais marinhos, cinco delas morreram. A resposta sobre a causa das mortes veio com a análise do aparelho digestivo das tartarugas.
Ele estava completamente cheio de lixo.
As tartarugas confundem os pedaços de plástico e fios de redes de pesca com algas, que servem de alimento. “Eles ingerem esses materiais, isso faz a obstrução do intestino causando debilidade do animal e ele sai a maneira que sai na beira da praia”, explica o veterinário Rodolfo Silva.

Segundo a Universidade Federal de Rio Grande, o problema atinge 85% das tartarugas encontradas no litoral sul gaúcho. “Elas procuram nossa costa, principalmente agora a partir da primavera e o verão, quando começa a esquentar as nossas águas e elas usam nosso litoral como importante área de alimentação”, diz o biólogo Sérgio Estima. A maioria vem da costa africana.

Só este ano, 102 tartarugas verdes foram mortas. Elas chegam a atingir 1,5 metro de comprimento e a pesar mais de 200 quilos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CALENDÁRIO 2010 - PROJETO BIOMAR

CALENDÁRIO 2010
A equipe do Projeto Biomar informa que já se encontram abertas as inscrições para os cursos teóricos-práticos, em Angra dos Reis, para o 1º semestre de 2010.

Os cursos são personalizados, quanto ao conteúdo, carga horária e estratégia operacional para se adaptarem a faixa etária dos alunos da Educação Básica e do Ensino Superior.

Maiores informações:

no site: www.projetobiomar.com.br

blog: http://www.projetobiomar.blogspot.com/

emails: projetobiomar@projetobiomar.com.br

e projetobiomar@gmail.com .

Esperamos você e sua escola no ano que vem!
Até lá,
Prof. Nilo Serpa e Equipe

FOTO DO DIA - Caranguejo-vermelho ou aratu

Foto: Aldem Bourscheit


Conhecido como aratu em alguns pontos do país, este pequeno caranguejo-vermelho dos mangues (Goniopsis cruentata) foi flagrado no município de Laguna, em Santa Catarina. Logo que a maré começou a descer, lagoas de água salobra que se comunicam com o mar também reduziram seu volume de água. Suas margens lamacentas são o local preferido pela espécie para a busca por comida

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Comedores de amônia das profundezas


Encontrar pistas para entender o funcionamento do planeta no lixo de um aquário parece inusitado, mas é exatamente o que fez um grupo da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

Microrganismos que vivem onde há pouco carbono e nenhuma luz proliferam com quantidades ínfimas de amônia. Estudo destaca importância no ciclo global de nitrogênio (foto: Wikipedia)
Há alguns anos, os pesquisadores cultivaram um microrganismo no fundo de um tanque no aquário de Seattle e observaram que ele podia digerir amônia. Agora, o mesmo grupo demonstrou que o pequeno organismo tem uma função mais importante na ecologia da Terra do que se suspeitava.
Os resultados indicam que esses microrganismos, membros de uma antiga linhagem conhecida como Archaea, batem todas as outras formas de vida marinha na corrida pela amônia. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (1º/10) no site da revista Nature.

A amônia nas áreas mais próximas da superfície dos oceanos é inicialmente capturada pelo fitoplâncton, que precisa dela para fazer novas células. Pouca amônia chega ao fundo para ser consumida pelos micróbios, que a transformam em nitrato. “Mas nossos resultados indicam que esses microrganismos são capazes de roubar amônia de outros organismos e transformá-la em nitrato”, disse Willm Martens-Habbena, um dos autores do estudo.
A amônia é um resíduo que pode ser tóxica a animais. Mas plantas, incluindo o fitoplâncton – conjunto dos organismos aquáticos microscópicos que flutuam livremente nas águas –, têm na amônia a forma mais eficiente de construir novas células.
O artigo aponta que as archeas (ou arqueias) – organismos relacionados com as bactérias – são capazes de buscar amônia (constituída por nitrogênio e hidrogênio) nos ambientes mais extremos do fundo do mar. Isso resolve uma longa dúvida de como tais microrganismos podem sobreviver em ambiente tão desfavorável à vida.
Os organismos em questão são pequenos até mesmo para os padrões dos seres unicelulares. Com 0,2 micrômetro de comprimento, só são maiores do que os vírus. As archeas, apontam os pesquisadores, não apenas teriam um papel, mas seriam fundamentais para o ciclo de nitrogênio do planeta, dos quais dependem todo tipo de vida.
Bactérias nitrificantes foram descobertas no fim do século 19. Um século depois, um outro grupo de nitrificantes é descoberto. E não se trata de uma população menor, mas sim de uma muito grande e importante. Com isso, temos que revisar nosso conhecimento básico do ciclo de nitrogênio”, disse David Stahl, outro autor do estudo.
Na árvore da vida, as archeas ocupam seu próprio ramo. Foram descobertas há apenas 30 anos e, primeiramente, achava-se que elas existiriam apenas em ambientes extremos, como fontes hidrotermais. Agora, sabe-se que estão muito mais espalhadas. Estima-se que pelo menos 20% dos microrganismos oceânicos sejam do domínio Archaea.
O novo estudo mostra que esses organismos são capazes de sobreviver com quantidades ínfimas de amônia. Como nas profundezas oceânicas há pouco carbono e nenhuma luz, esses traços de amônia são a única fonte de energia das archea. “Ninguém achava que seria possível para um organismo viver com tão pouco”, disse Stahl.
Segundo os autores, os resultados da pesquisa também deverão afetar os modelos climáticos globais, que usam ciclos de nitrogênio e de outros elementos químicos para estimar quanto dióxido de carbono os oceanos absorverão e depositarão no fundo do mar.
Os resultados sugerem que a maior parte do nitrato na superfície oceânica vem da reciclagem da biomassa e não das águas das profundezas, como se achava. “Os dados indicam que a ‘bomba de carbono’ é mais fraca do que se estimava. Com isso, os modelos climáticos atuais podem ter estimado o quanto de carbono é absorvido pelos oceanos”, disse Martens-Habbena.
O artigo Ammonia oxidation kinetics determine niche separation of nitrifying Archaea and Bacteria, de Willm Martens-Habbena e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em
www.nature.com.
Fonte: Agência Fapesp em 12.10.09

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

'Sexo' surgiu com peixe pré-histórico


O estudo do fóssil de um peixe que viveu há cerca de 365 milhões de anos sugeriu que a fertilização de óvulos dentro do corpo da fêmea evoluiu mais cedo do que se acreditava anteriormente.

O peixe, conhecido como placodermo, pode ter sido o primeiro vertebrado a se reproduzir através da fertilização de óvulos dentro da fêmea.
Pesquisadores do Museu de História Natural de Londres (NHM, na sigla em inglês) disseram que foi encontrado um embrião de cerca de cinco centímetros de comprimento no fóssil de placodermo.
"Este (peixe) fornece uma das evidências mais antigas de reprodução interna", disse Zerina Johanson, curadora de fósseis de peixes do museu. "Nós esperávamos que estes primeiros peixes tivessem um tipo mais primitivo de reprodução, onde espermatozoide e óvulo se combinam na água e os embriões se desenvolvem fora do peixe."
"Copulação parece ter sido a principal forma como animais pré-históricos primitivos se reproduziam, demonstrando que o 'sexo' começou muito mais cedo do que nós pensávamos", afirmou Johanson.
O fóssil foi encontrado originalmente no oeste da Austrália e estava no acervo do museu desde a década de 80. Inicialmente os pesquisadores acreditavam que o fragmento no interior do fóssil fosse apenas um vestígio de um peixe que ele havia comido pouco antes de morrer.
Tubarão
O fóssil mostra uma modificação na nadadeira pélvica na barriga do peixe. Os autores do estudo, publicado na revista Nature, acreditam que esta estrutura, chamada clásper, teria sido usada pelo macho para se prender à fêmea durante a copulação - um órgão semelhante ao dos tubarões modernos.
"O clásper é um órgão ereto de maneira intermitente que é inserido dentro da fêmea para transferir o sêmen", disse o co-autor do estudo, o paleontólogo John Long do Museu Victoria, na Austrália.
Em um tipo de placodermo esse órgão é diferente. "Este novo grupo (...) tem clásperes mais flexíveis. No artigo na Nature, nós sugerimos que este é o começo da fertilização erétil masculina, porque parte daquele órgão foi tomado por cartilagem mole", explicou Long.
O processo de fertilização interna e nascimento diferencia alguns peixes e mamíferos de outros animais tais como répteis e anfíbios.
Johanson acredita que este era o principal método reprodutivo dos primeiros peixe, como os placodermos e pode ter evoluído também em outros grupos de peixes.

Fonte: BBC

Acidificação dos mares pode causar extinção em massa

Cientistas britânicos advertiram em um Congresso sobre Mundanças Climáticas em Copenhage, na Dinamarca, que as emissões de dióxido de carbono produzidas pela queima de combustíveis fósseis estão tornando os oceanos mais ácidos, o que pode provocar uma extinção em massa de espécies marinhas.
Carol Turley do Laboratório Marinho de Plymouth, no sul da Inglaterra, disse que é impossível saber como a vida marinha vai reagir, mas ela teme que várias espécies não sobrevivam.

Desde a Revolução Industrial, no século 18, as emissões de CO2 já elevaram a acidez dos mares em mais de 30%, de acordo com pesquisadores.


"Eu estou muito preocupada com os ecossistemas dos oceanos, que atualmente são produtivos e diversificados", disse Turley à BBC. "Eu acredito que nós podemos estar caminhando para uma extinção em massa, pois esse ritmo de mudanças nos oceanos não é visto desde o tempo dos dinossauros", afirmou.
"Isto pode ter um grande impacto na segurança alimentar. É realmente imperativo reduzirmos as emissões de CO2."


Conchas

O problema mais acentuado é para criaturas que precisam de um ambiente alcalino para produzir conchas e carapaças formadas por cálcio. Testes de laboratório sugerem que as estrelas do mar podem desaparecer até o final do século se atual tendência de emissões continuar.
Os cientistas receiam que os mariscos também não consigam suportar o aumento da acidez.
Turley disse: "As coisas vão mudar. Nós não sabemos ainda exatamente como."

Andy Watson, biólogo marinho da Universidade de East Anglia, acredita que mudanças climáticas e pesca excessiva podem trazer sérios danos aos oceanos ainda antes dos efeitos da acidificação. Ele condena o aumento da emissão de CO2 resultante de atividades humanas, mas destaca que a acidez oceânica também pode flutuar naturalmente.
Ele imagina que algumas criaturas podem se adaptar às mudanças ao longo do tempo.
"Em várias experiências que estão sendo feitas no momento, são provocadas mudanças repentinas. O CO2 ou a acidez são aumentados rapidamente, por exemplo."
"Claro que isso não é realmente o que vai acontecer no mundo real. Ao invés disso, haverá uma elevação gradual do CO2 e da acidez. E nós não sabemos se os organismos poderão se adaptar ou o quão rápido poderão fazer isso", disse Tony Knapp, diretor do instituto BIOS, nas Bermudas, onde são feitas algumas das medições da acidez dos oceanos.
Knapp defende sua conclusão de que o aumento recente da acidez foi causado por emissões de CO2 resultantes da queima de combustíveis fósseis. "Levou muito tempo para que eu me convencesse. Sou um cético por natureza. Mas se olharmos para os dados recolhidos (...) na verdade não se pode chegar a outra conclusão", afirmou.
Sem adaptação

Como exemplo para suas previsões sobre os efeitos da acidificação nos oceanos, os cientistas citam a ilha de Ischia, na Baía de Nápoles, Itália. Ali, os cientistas encontraram indícios de que várias criaturas não vão conseguir se adaptar à crescente acidificação.
A água do mar em volta de parte da ilha é mais ácida há milhares de anos por causa de emissões de CO2 por aberturas vulcânicas que borbulham no leito marinho.
Se a pesquisa em Ischia apresentar uma imagem precisa do futuro dos oceanos, as perspectivas para os organismos que formam conchas são sombrias.
"Nós estamos muito preocupados", disse Jason Hall-Spencer, da Universidade de Plymouth, que estuda o local. "As mudanças aqui claramente tornaram a vida impossível para criaturas que formam conchas."
"Quando você começa a mexer num ecossistema complexo, é impossível prever o que vai acontecer."
O ambiente na ilha italiana serve para dar uma idéia de quais as espécies que sairão ganhando e perdendo por causa dos altos níveis de acidez. Algumas algas marinhas podem se desenvolver mais em um ambiente altamente fertilizado com CO2.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Nadar como Peixe - Peixe-robô

Agência FAPESP – Um grupo de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, acaba de apresentar uma série de robôs que nadam de forma semelhante à dos peixes, com agilidade e velocidade inéditas. Fabricados para a exploração marinha, os robôs foram projetados para realizar manobras em espaços inviáveis para os veículos submarinos tradicionais.
A idéia é construir peixes-robô de baixo custo e com tamanhos variados, que seriam usados em grupos para inspecionar estruturas como tubulações de óleo ou gás, patrulhar portos, rios e lagos e auxiliar na identificação de poluentes, entre outras aplicações. “Devido à grande resistência, seriam ideais como unidades de exploração para uso durante períodos extensos. Podemos, por exemplo, lançar vários e, mesmo que apenas uma pequena parte retorne, isso poderia representar o sucesso de uma missão sem ter que incorrer em uma grande perda de capital investido”, disse Valdivia Alvarado, do Departamento de Engenharia Mecânica do MIT, um dos autores da pesquisa.
Robôs em forma de peixe não são novos. Em 1984, outro grupo do MIT demonstrou o Robotuna (“atum robô”), com cerca de 1,2 metro de comprimento. Mas enquanto o Robotuna tinha 2.843 partes controladas por seis motores, os novos têm menos de 30 centímetros, um único motor e contam com dez partes ou até menos.
Uma das partes é o próprio corpo, que é flexível e protege as partes internas das variações climáticas e ambientais. O corpo é feito de polímeros macios, o que o torna capaz de realizar movimentos semelhantes aos de um peixe, ganhando impulso por meio da contração de “músculos” localizados nas laterais, gerando uma onda que passa da cabeça à cauda do robô.
A idéia original do projeto foi publicada no periódico Dynamic Systems Measurements and Control e um novo artigo com os modelos recém-construídos sairá em breve.
Peixes são altamente capazes de se deslocar pelo ambiente em que vivem, podendo nadar em velocidades de até dez vezes o comprimento de seu corpo por segundo. O peixe-robô do MIT foi capaz de nadar a quase uma vez o comprimento do corpo por segundo. Parece pouco, mas é muito mais rápido do que modelos anteriores.
O novo robô também é mais durável. Como seu revestimento não tem costura, não há chance de que a água entre e danifique os componentes interiores. O grupo tem protótipos com quatro anos de funcionamento que continuam operando sem problemas em tanques de teste.
Os protótipos atuais precisam de uma fonte de energia de 2,5 a 5 watts, dependendo do tamanho. A eletricidade vem de uma fonte externa, transmitida por fios, mas os pesquisadores querem substituí-la em breve por baterias.
Ainda este ano, o grupo pretende conseguir movimentos ainda mais complexos e testar protótipos de robôs que lembrem lagartos ou raias. “O peixe foi uma demonstração da aplicação do conceito, mas queremos aplicar a tecnologia em outras formas de movimento, para que possa ser útil tanto na água como na terra ou no ar”, disse Alvarado.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

AMOR, ESTRANHO AMOR


Peixe de mangue brasileiro se reproduz há milhões de anos sem sexo; biólogos agora explicam por quê

A cena deve ter acontecido repetidas vezes com aquaristas incautos. O sujeito compra um peixinho solitário (só para garantir que seu aquário não seja vitimado por uma superpopulação) e, semanas depois, dá de cara com ovos -dos quais saem peixinhos, é claro.

Não vale dizer que a "fêmea" já veio prenhe da loja. O Kryptolebias ocellatus, conhecido como killifish entre os criadores de peixes ornamentais, é uma espécie de fertilização externa. O que significa que as "fêmeas", por definição, não ficam prenhes, já que os machos lançam seu esperma sobre óvulos expelidos por "elas" na água. O que acontece é que o peixinho brasileiro é um dos dois únicos vertebrados que fecundam a si mesmos.

A esquisitíssima história natural e evolutiva desse comportamento está descrita num artigo recente na revista científica "PNAS", que tem como um dos autores o doutorando Sergio Maia Queiroz Lima, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Lima e colegas dos EUA e da Austrália, com a ajuda de análises genéticas, mostraram que 97% dos indivíduos da espécie são gerados dessa maneira solitária.

Além disso, a comparação do DNA do bicho com o de uma espécie próxima que também se autofecunda (o K. marmoratus, do Caribe e da Flórida) sugere que toda essa linhagem de peixes pode ter adotado esse hábito há milhões de anos.

O dado é surpreendente porque se supõe que o sexo "tradicional", não-solitário, é uma ferramenta indispensável para a saúde genética de uma espécie. A dupla de Kryptolebias, no entanto, parece se virar muito bem, obrigado, sem ele.

Idiossincrático

Lima conta que os hábitos e a fisiologia do K. ocellatus são pouco conhecidos. Até a distribuição geográfica da espécie é pouco conhecida, embora ela aparentemente ocorra nos mangues que vão de Santa Catarina ao Rio de Janeiro.

O killifish brasileiro está adaptado à vida nas áreas com água doce do manguezal. "Ele não aguenta nem água salobra [comum na área de contato entre mar e rio]", diz Lima.

O parente caribenho do K. ocellatus, reconhecido adepto da autofecundação, tem sua população dividida em hermafroditas (com órgãos reprodutivos dos dois sexos) e machos. Lima se encarregou de analisar os tecidos genitais da espécie brasileira e verificou, em primeiro lugar, que todos os espécimes coletados eram hermafroditas.

"Quando você examina o animal, o que aparece é um tipo de mistura dos tecidos do macho e da fêmea", diz o biólogo. "A fecundação normalmente seria externa, mas o que acontece é que ele já bota o ovo fecundado -às vezes um único ovo."

Até aí, pareceria impossível distinguir a autofecundação de simples partenogênese, ou "nascimento virgem". Na partenogênese, o óvulo origina um novo animal sem fecundação.

No entanto, há uma diferença importante. Na partenogênese, o óvulo e o indivíduo que surge a partir dele carregam apenas um conjunto de cromossomos, as estruturas enoveladas que guardam o DNA.
No sexo "tradicional", os animais resultantes têm dois conjuntos de cromossomos, um cedido pelo pai e o outro, pela mãe. A não ser, claro, que pai e mãe sejam o mesmo bicho.

O que vale para cromossomos vale também para genes: os indivíduos recebem duas cópias, uma de cada genitor. É comum que essas cópias apresentem versões diferentes, os chamados alelos. O que ocorre com o K. ocellatus, contudo, é a presença de alelos iguaizinhos na maioria dos genes - exatamente o que se esperaria se o bicho estivesse quase só cruzando consigo mesmo.

Vício antigo

Os pesquisadores, usando estimativas das taxas de mutação no DNA e comparando as várias espécies do gênero Kryptolebias (a maioria não se autofecunda), avaliam que esse modo de reprodução provavelmente surgiu no ancestral comum das duas espécies adeptas da estratégia. E isso há pelo menos centenas de milhares de anos -uma das estimativas chega a 2 milhões de anos de separação entre as linhagens de killifish.

É aqui que o mistério se aprofunda. A variabilidade genética associada ao sexo -inclusive o fato de ele permitir alelos diferentes no mesmo DNA- é um trunfo no jogo da evolução. A reprodução sexuada aumenta as chances de produzir crias resistentes a parasitas, doenças ou ambientes novos e hostis. Por que deixar isso de lado?

O pulo-do-gato, aposta Lima, é que uma pequena parcela das fecundações de K. ocellatus ainda acontecem à moda antiga. "É uma estratégia mista, na verdade. Esse fato impede que haja problemas muito graves ligados à falta de diversidade genética. E o "selfing" [autofecundação] permite que o animal colonize novos ambientes com muita facilidade. Um único indivíduo é capaz de fundar uma nova população", diz.

A melhor maneira de encarar o peixinho, portanto, é vê-lo como um pioneiro - ou, quem sabe, uma estranha mistura de Adão e Eva, pronta para dar início a uma vasta família.

Reinaldo José Lopes escreve para a "Folha de SP"