terça-feira, 14 de junho de 2011

Cientistas induzem célula a emitir raio laser - proteína de água-viva.

Cientistas americanos induziram uma célula a produzir luz laser, diz um artigo publicado na revista científica Nature Photonics.

A técnica se baseia em uma célula que foi programada geneticamente para produzir uma proteína - encontrada naturalmente em uma espécie de água-viva - capaz de emitir luz.
Quando a célula é iluminada com uma tênue luz azul, passa a emitir luz laser verde direcionada.
O trabalho pode ter aplicações na geração de imagens microscópicas de qualidade superior e também em tratamentos médicos que utilizam luzes.
A luz laser se diferencia da luz normal porque ela tem um espectro mais reduzido de cores, como ondas de luz que oscilam juntas, em sincronia.
As formas mais modernas de laser utilizam materiais sólidos construídos cuidadosamente para produzir lasers usados em diversos aparelhos eletrônicos, entre eles, escaneadores de supermercados, tocadores de DVDs e robôs industriais.
Avanço
O trabalho dos cientistas Malte Gather e Seok Hyun Yun, do Wellman Center for Photomedicine do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, estabelece um precedente importante: esta é a primeira vez que um organismo vivo produz a luz laser.
A dupla usou uma proteína verde fluorescente (Green Fluorescent Protein, ou GFP, na sigla em inglês) como um meio de ganho, para a amplificação da luz.
Objeto de muitos estudos, a molécula GFP - encontrada originariamente em uma espécie de água-viva - revolucionou a biologia ao agir como uma "lanterna" que pode iluminar sistemas vivos.
Gather e Yun programaram células do rim humano para produzir GFP.
Banhadas em Luz
As células foram colocadas, uma de cada vez, entre dois minúsculos espelhos com 20 milionésimos de um metro de comprimento.
Os espelhos funcionaram como uma "cavidade laser" na qual raios de luz foram refletidos múltiplas vezes, banhando a célula.
Quando a célula foi exposta à luz azul, passou a emitir luz verde intensa e direcionada.
As células continuaram vivas durante e depois do experimento.
Em uma entrevista que acompanha o artigo na Nature Photonics, os cientistas observaram que o sistema vivo é "auto-regenerativor". Ou seja, se as proteínas que emitem luz são destruídas no processo, a célula simplesmente produz mais proteínas.
"Em terapias baseadas em luz, diagnóstico e geração de imagens, as pessoas procuram formas de transportar luz emitida por uma fonte externa de laser para um ponto profundo no interior do tecido."
"Agora, podemos abordar o problema de outra forma: amplificando a luz no (próprio) tecido".

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cientistas brasileiros criam antibiótico com ouriço-do-mar

O estudo mostrou que uma proteína presente no ouriço-do-mar eliminou com maior eficiência as bactérias que causam infecções intestinais, renais e pulmonares. [Imagem: MCT]

Ouriçando as infecções
Cientistas da Universidade Católica de Brasília (UCB) descobriram no ouriço-do-mar uma substância com a qual pretendem desenvolver um antibiótico para ajudar no combate às infecções hospitalares.
Os estudos, que ainda estão em andamento, mostram que uma proteína presente nos animais eliminou com maior eficiência as bactérias Escherichia coli, Salmonella, Proteus e Klebsiella, que causam infecções intestinais, renais e pulmonares.
Antibiótico natural
Cientistas da Universidade Católica de Brasília (UCB) descobriram no ouriço
Há 15 anos trabalhando com antibióticos, o pesquisador Octávio Franco do Centro de Ciências Genômicas e Biotecnologia da UCB, coordena dois projetos que buscam o controle dessas doenças por meio de compostos extraídos de animais marinhos.
No início dos estudos foram analisadas cerca de 30 espécies de invertebrados, mas foi o ouriço-do-mar que se mostrou mais eficiente.
"Foi um sucesso porque descobrimos uma coisa nova num organismo tipicamente nacional e que funciona muito bem; além de ser totalmente natural", comemora o pesquisador.
Antibióticos alternativos
O Centro de Ciências Genômicas trabalha com uma série de antibióticos e detém cinco patentes. Seu foco é encontrar princípios ativos alternativos aos convencionais, em geral fungos e bactérias.
Franco explica que, com o passar do tempo, as bactérias causadoras de infecção hospitalar tornam-se resistentes aos medicamentos convencionais, e "desta forma é preciso buscar outras fontes de fármacos", diz.
Segundo ele, o que despertou o interesse do grupo por animais marinhos foi a capacidade deles de se adaptarem muito bem a ambientes extremamente agressivos e competitivos, cheios de microorganismos.
"Então, basicamente os escolhendo pela alta capacidade de resistência a agressividade ambiental que enfrentam. Acabamos usando deles o que a natureza levou milhões de anos para desenvolver", diz Franco.
Cidade sem mar
Os cientistas da UCB, que trabalham em rede com grupos da Bahia, Inglaterra, Estados Unidos, Austrália e Cuba, receberam exemplares de diversas espécies da costa brasileira e do Caribe para as pesquisa.
Essa articulação foi necessária, diz Franco, porque Brasília está muito longe da faixa litorânea. O trabalho cooperativo permite economia com o deslocamento de uma grande equipe e na infraestrutura para a coleta marinha.
Burocracia que entrava a ciência
O pesquisador conta que o antibiótico se mostrou eficaz em laboratório e que aguarda o desenrolar do processo de patenteamento. Franco diz, que, além da falta de experiência com a burocracia nos trâmites para essa finalidade a equipe ainda tem que enfrentar outras questões para prosseguir com os testes clínicos.
"Encontramos muitas dificuldades hoje no País para fazer com que um fármaco aconteça. É muita burocracia a ser enfrentada e isso atrapalha muito", desabafa. Em sua opinião, "é muito mais fácil se descobrir um antibiótico do que colocá-lo no mercado", critica o cientista.
Franco diz que "é extremamente frustrante saber que temos uma série de compostos estudados e que grande parte deles, não se transformará em benefício real à população", lamenta.
Interesse nos lucros
Ainda de acordo com o professor, atrair o interesse de empresas multinacionais produtoras de fármacos é "realmente problemático", pois elas geralmente trabalham com a perspectiva de alto lucro "e não se interessam em investir em medicamentos que trarão retorno apenas razoável, como antibióticos".
De qualquer maneira ele diz que não se pode parar com as pesquisas. Para ele, um dos meios de se vencer parte desse entrave "é o governo, além dos estudos, investir também nas empresas, principalmente as de pequeno porte que atuam no ramo da produção de medicamentos".
Consumo de antibióticos
Estudo divulgado no mês passado pela Revista Panamericana de Saúde Pública aponta que entre 1997 e 2007 aumentou em 10% o consumo médio de antibióticos nos oito países de maior mercado farmacêutico da América Latina. Os autores do levantamento analisaram indicadores de venda de antibióticos com e sem prescrição médica em farmácias, clínicas privadas e hospitais da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, Uruguai e Venezuela.
Como parâmetro eles usaram a Dose Diária Definida (DDD) por mil habitantes. Isso significa que 10 pessoas em cada grupo de mil consomem uma dose diária de antibiótico. Indica o levantamento que enquanto em 1997 o consumo promédio foi de 10,92 DDD, em 2007 se elevou para 11,99 DDD, o equivalente a um aumento de 9,8%.
Em 1997, o consumo mais alto de antibiótico foi registrado no México (15,69 DDD), seguido da Argentina (14,37), Chile (14,07), Colômbia (12,17) e Venezuela (11,18). O menor uso foi registrado no Peru (7,91), Brasil (6,51) e Uruguai (5,43).
Dez anos depois a lista é encabeçada pela Argentina (16,64), seguida da Venezuela (15,99), Peru (13,50), México (13,26) e Chile (12,53). O consumo mais baixo foi registrado no Brasil (7,01), Colômbia (8,07) e Uruguai (8,9).

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cientistas anunciam plano para proteger carbono azul

Cientistas anunciam plano para proteger carbono azul
Ação urgente é necessária para desacelerar as emissões de carbono causadas pela destruição e degradação dos ecossistemas marinhos, que armazenam até 50 vezes mais carbono do que florestas.

A destruição dos ecossistemas costeiros como manguezais, brejos e terrenos alagadiços à beira-mar, que armazenam grande quantidade de carbono, está liberando grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2) no oceano e na atmosfera, de acordo com o Grupo de Trabalho Internacional para Carbono Azul Costeiro.
O grupo, formado por 32 cientistas de 11 países, revelou em reunião em Paris que o conhecimento existente sobre estoques de carbono e emissões causadas pela degradação ou conversão de ecossistemas costeiros é “suficiente para justificar ações imediatas de melhoria do manejo desses ecossistemas”.
O Grupo de Trabalho foi criado como um passo inicial no avanço das metas científicas, políticas e de manejo da Iniciativa Carbono Azul, cujos membros fundadores incluem a Conservação Internacional (CI), a União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, da sigla em inglês), e a Comissão Intergovernamental Oceanográfica (IOC) da UNESCO.
Apelidado de “carbono azul” por sua habilidade de seqüestrar e armazenar grandes quantidades de carbono, tanto nas plantas quanto nas camadas mais profundas do solo, esses ecossistemas marinhos podem conter até cinco vezes mais carbono do que em florestas tropicais. Em algumas áreas eles contêm até 50 vezes mais carbono do que em algumas áreas de florestas.
“Há algum tempo já sabemos da importância dos ecossistemas costeiros para a pescaria e a proteção contra tempestades e tsunamis. Agora estamos vendo que, se destruídos ou degradados, esses ecossistemas costeiros se tornam grandes emissores de CO2, e essa emissão é feita de forma lenta, por muitos anos. Em outras palavras, é como uma hemorragia longa e lenta, difícil de estancar. Então, precisamos urgentemente interromper a perda desses ecossistemas ricos em estoque de carbono para desacelerar as mudanças climáticas”, afirma Emily Pidgeon, diretora do Programa Marinho de Mudanças Climáticas da Conservação Internacional.
A drenagem de terrenos alagadiços à beira-mar, como manguezais e brejos, libera um quarto de milhão de toneladas de CO2 por quilômetro quadrado de solo perdido. Dados globais mostram que brejos e manguezais estão sendo degradados ao longo das regiões litorâneas de todo o mundo a um ritmo acelerado. Entre 1980 e 2005, 35 mil quilômetros quadrados de manguezais foram destruídos globalmente – uma área do tamanho da Bélgica. Essa área ainda continua a liberar até 0.175 giga-toneladas de CO2 a cada ano – equivalente às emissões anuais de países como a Holanda ou a Venezuela.
“Estudos científicos têm demonstrado que, apesar de alguns manguezais, terrenos alagadiços e brejos representarem menos de 1% da biomassa total das plantas em terra, neles circulam quase a mesma quantidade de carbono que nos 99% restantes. Dessa forma, o declínio desses ecossistemas tão eficientes em estocar carbono é uma causa válida de preocupação”, alerta Wendy Watson-Wright, diretor da IOC.

No decorrer de reuniões em Paris, cientistas apresentaram as prioridades e recomendações para ações imediatas, que incluem:

• Intensificação nas pesquisas nacionais e internacionais, tais como desenvolvimento de metodologias de inventário e contabilidade para carbono costeiro; realização de inventários de carbono; realização de pesquisa e monitoração para quantificar com mais precisão as emissões de gases de efeito estufa causados pela perda de ecossistemas costeiros; e o estabelecimento de rede de demonstrações em campo para aumentar a capacitação e colaboração de comunidades.

• Melhoria do manejo local e regional: tais como identificar e reduzir as principais causas da degradação de sistemas costeiros ricos em carbono – entre elas o desenvolvimento urbano, a agricultura, a aquicultura, a poluição, a drenagem e a introdução de construções artificiais –, o reforço das políticas de proteção de sistemas costeiros ricos em carbono e a restauração de sistemas perdido-degradados.

• Maior reconhecimento internacional dos ecossistemas costeiros ricos em carbono: por meio de entidades internacionais estabelecidas tais como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) e a Convenção-Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

Os cientistas enfatizaram que a melhoria no manejo de ecossistemas costeiros não visa a se tornar um bloqueio para o desenvolvimento dos países, e sim uma estratégia para priorizar a conservação de zonas costeiras específicas, únicas, de alto potencial para estocar CO2. Eles recomendam que os tomadores de decisão reconheçam mais os serviços vitais que essas áreas oferecem à humanidade e priorizem sua proteção.
“A capacidade das zonas costeiras de reduzir a mudança climática ao capturar e armazenar CO2 é considerável, mas tem sido ignorada”, declara Jerker Tamelander, gerente de Oceanos e de Mudança Climática da IUCN. “Se valorizados e geridos adequadamente, os ecossistemas costeiros podem ajudar muitos países a cumprir com suas metas de mitigação ao mesmo tempo em que ajudam com a adaptação em áreas costeiras vulneráveis.”
O grupo de trabalho se reunirá novamente em agosto e continuará seu estudo científico colaborativo. A Fundação Waterloo, a NASA e o Programa Ambiental das Nações Unidas (Pnuma) financiaram os trabalhos do grupo.
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Para ler todas as recomendações dos cientistas, visite: http://bit.ly/gJoT7k
Imagens disponíveis mediante solicitação
Para solicitações de entrevistas e mais informações:
Gabriela Michelotti – gerente de comunicação da Conservação Internacional
Tel. +55 61 3226-2491 g.michelotti@conservation.org
Kim McCabe, diretora de comunicação da Conservação Internacional
Tel. +1 703-341-2546; kmccabe@conservation.org
Borjana Pervan, assessor de imprensa da IUCN; t +41 22 999 0115, borjana.pervan@iucn.org
Agnes Bardon, assessor de imprensa da UNESCO
Tel. +33 (0)1 45 68 17 64, a.bardon@unesco.org

terça-feira, 31 de maio de 2011

Espanha: Pescadores podem ajudar a limpar o mar do plástico


Moisés Erades Sart, líder da associação de pescadores de Xabia (Alicante),
não tem dúvidas. Ele é um firme defensor de que as embarcações de arraste ou artesanais também possam recolher os plásticos e o lixo que são abundantes entre os cabos Santo António e La Nao, uma encruzilhada de travessias náuticas no Mediterrâneo oriental.
Os pescadores de Xabia, cerca de cem, reuniram-se há alguns dias e deram pleno apoio à idéia dada recentemente pela comissária de Pesca da União Européia, Maria Damanaki. Ela sugeriu que os barcos de pesca também capturem os plásticos e dejetos que ameaçam a vida marinha. Bruxelas quer que, nas épocas de inatividade (nos períodos de proibição), os pescadores sejam encarregados de limpar o mar dos resíduos e levá-los para reciclar. Reportagem de Antonio Cerrillo, La Vanguardia.
“A idéia da comissária de Pesca nos parece muito boa, porque nos ajudaria a enfrentar a crise econômica”, explica Moisés Erades, que se estende ao relatar a série de dejetos que costuma encontrar ao tirar suas redes de pesca da água. “Perto da costa, na primeira linha do mar, encontra-se de tudo; mas, mar adentro também é comum encontrar plásticos, latas e até galões, porque estamos numa rota muito transitada, tanto pelos navios mercantes como pelo turismo náutico”, afirma.
Erades e seus companheiros de Alicante pescam merluza, salmonete e polvo, mas também mariscos, camarão e lagostim. E não é estranho que, em algumas ocasiões, algumas redes tenham de ser jogadas fora ao emergirem cheias de piche ou graxa.
O ponto de vista da comissária européia conta com o apoio incondicional de muitos pescadores andaluzes, que consideram que assim será possível consolidar o intervalo biológico, muito necessário para recuperar o estoque pesqueiro super-explorado. “Dessa forma, os lugares de pesca poderão descansar, o que facilitaria a reprodução e nos renderia um salário”, disse María del Carmen Navas Guerrero, líder da associação de pescadores de Vélez-Málaga.
A super-exploração afeta os barcos de arraste (polvo, pacamão, camarões, sibas) e de cerco (sardinhas, boqueirões), até o ponto em que a associação fixou limites próprios “para dar trégua às espécies e fazer com que tenham mais valor”.
O mesmo apoio é expresso por Eusebi Esgleas, presidente da Federação Catalã de Associações de Pescadores, para quem a proposta comunitária permitiria “cuidar do meio ambiente e ao mesmo tempo ajudar os pescadores”. “As pequenas embarcações de pesca artesanais podem ser uma boa solução para ter praias limpas no verão, agora que as lixeiras deixaram de funcionar”, afirma.
Na opinião de Esgleas, as subvenções que receberão não devem ser para compensar o recolhimento de plásticos, algo que já fazem de forma habitual e rotineira quando fazem a seleção da pesca, mas para pagar pela limpeza de áreas marinhas extensas e bem delimitadas onde o lixo se concentra (plásticos, dejetos, além de troncos e outros detritos) arrastados pelas correntes que eles conhecem tão bem.
“A medida nos parece muito acertada e, além disso, equilibraria a economia do setor pesqueiro”, diz Miquel Illa, chefe da associação de pescadores de Vilanova i la Geltrú. Illa acha necessário limpar além da primeira linha marítima. “Há plásticos por toda parte. Inclusive nas áreas mais profundas, onde pescamos camarões”, diz ele.
Em Vilanova e La Geltrú há 230 pescadores e 76 barcos. Entretanto, a iniciativa de Bruxelas não foi acolhida exatamente com alvoroço pelo Ministério do Meio Ambiente e Meio Rural e Marinho. A secretaria geral do mar realizará reuniões com as organizações de pescadores, onde a questão será abordada “a partir do diálogo e o consenso com o setor pesqueiro”, afirma um porta-voz ministerial.
Neste ponto, o governo não dará um passo sem o consentimento dos pescadores. “O governo espanhol não se define claramente sobre esta idéia, porque ainda não ficou claro de onde sairá o dinheiro”, diz Moisés Erades. Os fundos europeus de pesca prevêem subvenções para ações coletivas dos pescadores se forem de interesse social geral. E, de fato, a secretaria geral do mar já colocou em andamento em 2009, na Galícia, um projeto (em colaboração com o Centro Tecnológico do Mar da Galícia) para estudar o reaproveitamento dos resíduos sólidos (não só plásticos) que forem recuperados do mar e nos trabalhos da pesca.
Para poder avançar mais nessa linha, o passo seguinte deveria ser detectar as áreas com uma acumulação de resíduo mais intensa, segundo indica a secretária geral do mar. Mercè Sanmartí, diretora de Pesca da Generalitat, mostra-se cética com o propósito da comissária européia: e, ainda que admita os benefícios iniciais desse projeto, diz que não foi demonstrada a relação entre custo e eficácia. “Estamos em crise, e deve-se avaliar previamente se o custo de sair recolhendo plástico no mar não será muito grande, tendo em vista o alto preço do combustível, do diesel e do trabalho”, afirma.
A atividade exigiria instalar contêineres nos portos e facilitar as medidas para entregar e reciclar os plásticos. O Greenpeace rejeitou sem rodeios a pesca de lixo por entender que ela confunde dois problemas que deveriam ter soluções diferenciadas. “Para começar, os plásticos não deveriam ficar no mar. Mas, além disso, o que é preciso fazer é uma boa gestão da pesca, mais social e sustentável. Os pescadores não podem se dedicar à gestão dos resíduos, mas sim a fazer uma pesca responsável”, disse Celia Ojeda, porta-voz da organização.
As iniciativas para ampliar o horizonte da atividade pesqueira são várias. A França colocou em andamento em 2008 os contratos azuis, com os quais subvencionaram ações para recolher utensílios de pesca perdidos e outros resíduos em colaboração com os pescadores. Na Espanha, introduziram-se planos para fomentar o ecoturismo de pesca. Alguns pescadores oferecem a possibilidade de passar um dia no mar e conhecer a vida marinha e seus costumes. Entretanto, as medidas estritas de segurança no mar exigidas pelo Ministério de Fomento bloquearam por enquanto a sua implantação, dizem os pescadores.
O que contamina os mares?
1. Plataformas e navios petroleiros
As plataformas petroleiras e os grandes navios que transportam o petróleo são um dos focos de contaminação dos mares. O golfo do México é a região do mundo onde houve mais vazamentos de barcos e plataformas. O Mediterrâneo está em terceiro lugar na lista, atrás do noroeste dos EUA, mas à frente do Golfo Pérsico e do mar do Norte.
2. Águas residuais
Mais de 35 municípios espanhóis estão muito atrasados no tratamento das águas residuais, que são jogadas com muita contaminação no mar, segundo uma condenação recente do Tribunal de Luxemburgo contra a Espanha. Entre outras regiões, sobressaem-se Estepona, Barbate, Alhaurín el Grande, Chipiona, Nerja, Tarifa, Gijón-Este, Llanes, Ceuta, Noia, Benicarló, Arenys de Mar, Pineda de Mar, Elx, Vinaròs, A Coruña, Vigo, Peñiscola, Bayona, Santiago Hondarribia.
3.Vertedores no mar
O mar recebe a cada dia cerca de 7.100 toneladas de petróleo e derivados procedentes dos vertedores de resíduos de veículos e indústrias que chegam ao mar através do esgoto.
4.Barcos de recreio
Derramam centenas de toneladas de resíduos. Os navios são obrigados a entregar seus resíduos oleosos em instalações de recepção autorizadas no porto.
Tradução: Eloise De Vylder
Reportagem de La Vanguardia.
Fonte: EcoDebate, 31/05/2011
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Novas pesquisas mostram que peixes têm consciência e podem sentir dor


Más notícias para os entusiastas da pesca: os peixes podem ser mais do que meras máquinas de reflexo, como se pensava. Novas pesquisas mostram que, aparentemente, eles têm consciência e podem sofrer com a dor, e pesquisadores estão pedindo que sejam tratados da mesma forma que mamíferos e aves.
Será que milhões de pescadores amadores e esportivos estão errados? Eles acreditam que ter um anzol maligno preso na boca não machuca o peixe. Os entusiastas da pesca insistem que o sistema nervoso das criaturas aquáticas é primitivo demais para que sintam dor de verdade. Reportagem de Günther Stockinger, Der Spiegel
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Depois de fisgarem o anzol, os peixes muitas vezes lutam de forma impressionante. Mas essa luta não confirma simplesmente como é pequena a agonia que vivenciam? “Se os anzóis de pesca fossem dolorosos, então um peixe fisgado não lutaria e aceitaria o puxar da linha de voa vontade, como um touro pode ser conduzido facilmente pelo anel nas narinas”, argumenta o pescador vienense Johann Braberntz no jornal “Der Fliegenfischer”.
Até agora, aficionados da pesca raramente foram acusados de crueldade, já que os peixes são vistos como forma de vida inferior. De fato, quase ninguém acredita que eles têm sentimentos como mamíferos e aves, e a maior parte das pessoas só têm sentimentos por animais de sangue quente.
Mas agora essa imagem de criaturas robotizadas que teriam uma memória de apenas três segundos está começando a rachar. As mais recentes descobertas de biólogos, neuro-anatomistas e pesquisadores de comportamento mostram que esses vertebrados antigos na evolução são muito mais do que máquinas de reflexo.
Pesquisadores da Universidade de Queen’s, em Belfast, provaram que, quando os peixes são sujeitos a estímulos de dor, os sinais não somem pela espinha. Os cientistas descobriram áreas da pele sensíveis diretamente por trás das brânquias de peixes dourados e trutas. Com a implantação de eletrodos, eles puderam mostrar que as células nervosas ali localizadas enviam sinais diretamente para o cérebro do peixe.
Quando os pesquisadores espetavam os animais com agulhas, uma fúria de mensagens neuronais eram transmitidas ao telencéfalo – a mesma região do cérebro onde os sinais de dor também são processados por animais e mamíferos.

Não um simples reflexo

Resultados similares agora foram alcançados com o salmão atlântico, a carpa e o bacalhau. “Esses estudos demonstram que áreas superiores do cérebro estão implicadas na resposta do peixe a eventos potencialmente dolorosos e que sua resposta não é um simples reflexo”, explica Lynne Sneddon, especialista em peixes da Universidade Chester, no Reino Unido.
Uma equipe de pesquisa espanhola pôde até identificar uma área no cérebro do peixe dourado que parece servir a uma função similar à do sistema límbico, região no cérebro humano que se torna altamente ativa quando as pessoas passam medo ou dor. Como nos mamíferos, esses receptores cerebrais no peixe consistem de uma série de estruturas anatômicas: sinais chegam para a amígdala e são processados por um filtro emocional, enquanto o hipocampo é para memória, mas também tem um papel importante na orientação espacial. Os pesquisadores buscaram por muito tempo em vão essas duas regiões, aparentemente porque estavam procurando no lugar errado. Acontece que, quando o peixe amadurece de embrião para adulto, sua arquitetura cerebral vira de fora para dentro: enquanto a amígdala e o hipocampo humanos são localizados profundamente nos hemisférios do cérebro humano, as estruturas comparáveis de um peixe desenvolvido se localizam diretamente na superfície do telencéfalo.
Testes comportamentais confirmaram esses resultados: os peixes dourados cujas estruturas comparáveis ao hipocampo no telencéfalo foram cirurgicamente desabilitadas subitamente perdem seu sentido de orientação - assim como os mamíferos cujas regiões cerebrais correspondentes foram desconectadas.
Além disso, quando os pesquisadores colocam as seções comparáveis à amígdala do telencéfalo fora de ação, os peixes deixam de aprender com os choques elétricos.
Isso prova que esses animais aquáticos supostamente insensíveis têm a estrutura necessária em suas cabeças para sentir medo e dor. “Apesar da estrutura e função do equivalente nos peixes ser mais muito que nosso sistema límbico, o fato que os cientistas descobriram a presença de estruturas similares é impressionante”, explica Victoria Braithwaite, zoóloga da Universidade Estadual da Pensilvânia.
Alguns anos atrás, Braithwaite causou comoção com outra descoberta que fez sobre a fisiologia dos peixes. Ela encontrou mais de 20 receptores de dor em torno da boca e da cabeça da truta - ironicamente localizados precisamente onde os anzóis penetram na carne do peixe.
Esses receptores frontais do sistema nervoso reagem não apenas aos espinhos, mas também ao calor e agentes químicos. Combinados com as fibras nervosas especializadas que transmitem impulsos de dor, os receptores funcionam como os de outros vertebrados.

Consciência da dor
Mas os peixes são capazes de converter sua percepção desses sinais complexos em uma consciência da dor? Uma série de testes comportamentais sugere que sim.
Trutas cujos lábios foram injetados com veneno de cobra ou acido acético ventilam vigorosamente com suas brânquias por quase três horas e meia, param de se alimentar, se agitam para trás e para frente no assoalho do tanque ou esfregam os lábios nas paredes de vidro. Elas demonstram muito mais do que reações de três segundos.
A truta que foi sujeitada a agentes químicos nocivos não deu atenção a uma torre de Lego colorida introduzida em seu tanque, apesar de normalmente evitar novos objetos, sugerindo que sua atenção estava dominada pela dor. Contudo, os peixes que receberam anestésicos simultaneamente demonstraram o grau usual de cautela em relação aos objetos estranhos - porque a morfina aparentemente eliminara a dor.
Uma equipe de 20 especialistas trabalhando para a Comissão da UE em Bruxelas recentemente avaliou os experimentos feitos sobre o tema. Como todas as descobertas atuais sobre a capacidade dos peixes sentirem dor se baseiam em um número limitado de espécies, inclusive trutas, carpas, peixe zebra e peixe dourado, o grupo concluiu que não é possível, por enquanto, fazer maiores generalizações. Ainda assim, os especialistas reconheceram as seguintes conclusões sobre a vida emocional dos peixes: “Com estudos de sistemas setoriais, estrutura cerebral e funcionalidade, dor, medo e estresse, há evidências para componentes neurais da sensibilidade em algumas espécies de peixe.”
Os especialistas não apenas acreditam que os peixes são capazes de ter medo e dor, mas também sensações de prazer. Por exemplo, a oxitocina – chamada frequentemente de “hormônio do amor”- também foi documentada nos peixes.
Os defensores da pesca esportiva negam essas declarações como antropomorfismos inadmissíveis. Eles dizem que os atributos humanos foram inocentemente atribuídos aos animais.
Apesar dos defensores da pesca não poderem mais negar que os peixes têm um sistema para detectar sensações de dor, eles ainda sustentam que apenas um córtex cerebral altamente desenvolvido como encontrado em mamíferos pode produzir uma consciência dos estímulos de dor registrados. “Não há uma criatura humana escondida em um cérebro de peixe”, argumenta o pesquisador norte-americano James Rose, especialista muitas vezes citado pela indústria da pesca.
“A dor e o sofrimento do peixe não foram provados”, concorda Robert Arlinghaus, especialista em peixe do Instituto Leibniz de Ecologia de Água Doce e Pesca em Berlim. “Simplesmente não sabemos se os peixes têm tais sentimentos”.

Fluido cerebral
Para muitos especialistas, porém, a falta de córtex cerebral não parece mais ser uma razão suficiente para eliminar a possibilidade de consciência da dor. Casos médicos notáveis lançaram dúvida sobre essa velha escola de pensamento: neurologistas ocasionalmente relatam casos de pessoas que só têm metade do cérebro. Enquanto outros têm sinapses, esses indivíduos têm apenas fluido cerebral - e ainda assim muitas vezes são altamente inteligentes e bem adaptados socialmente.
Outros pesquisadores estão indo além. Eles sustentam que descobriram que mesmo invertebrados têm certa consciência de dor. Robert Elwood, especialista em comportamento animal da Universidade do Queens, em Belfast, aplicou acido acético à antena sensível dos camarões. Os crustáceos subsequentemente esfregaram as áreas afligidas por até cinco minutos. De acordo com Elwood, essa reação é reminiscente de como mamíferos reagem à dor.
O polvo, o mais inteligente de todos cefalópodes, talvez tenha uma vida emocional ainda mais diversa. Esses animais, que são famosos por suas contorções impressionantes, nunca param de surpreender os pesquisadores: conseguem abrir um frasco de remédios à prova de crianças se souberem que há delícias escondidas ali dentro e fazem fugas noturnas de tanques famosos por sua segurança são comuns. “Há muitas razões por que as pessoas não querem pensar sobre a dor entre invertebrados”, diz Elwood.
Os pescadores por hobby ou esportivos estão com medo que novas leis possam ser introduzidas que limitem seu prazer em pescar.
As leis atuais na Alemanha já estipulam que os pescadores só podem sair com sua vara e pescar se estiverem em busca de comida ou reduzindo os estoques para manter as populações de peixe saudáveis. Torneios onde o pescado é devolvido à água após ter sido pesado foram proibidos – além de uso de peixes como isca viva.
Os biólogos, contudo, não suspeitam primariamente dos pescadores solitários em rios e lagos de cometerem atos de crueldade sem sentido. Sua atenção é dirigida principalmente para as fazendas de peixes e para a pesca de alto mar industrial.
De acordo com Braithwaite, zoóloga da Pensilvânia, daqui a 20 anos, quase metade de todos os peixes que comemos serão criados em enormes fazendas em torno do mundo. “Se nos preocupamos em proteger porcos e frangos na indústria de alimentos, não devemos excluir os peixes”, argumenta.
Ela também diz que mais atenção deve ser dada para as enormes frotas de barcos de pesca que navegam pelos oceanos do mundo, de forma a garantir que as criaturas “sejam mortas de forma rápida e limpa”. “A maior parte das pessoas certamente não se sente confortável com as enormes quantidades de peixe que sufocam lentamente nos conveses dos navios”, acrescentou.
As instalações de pesquisa também estão passando por fiscalização crescente, pois os peixes estão cada vez mais substituindo os camundongos e ratos em laboratórios. Sneddon, especialista em Chester, acha que seria apropriado no futuro aplicar “diretrizes humanas” para essas criaturas mudas nos experimentos. Assim como com mamíferos, diz ela, “os pesquisadores devem administrar analgesia se não interferir com os resultados dos estudos”.
Tradução: Deborah Weinberg
Reportagem [The Hook That Hurts: Scientists Tip the Scales Against Anglers ] do Der Spiegel,
Publicado em março 14, 2011 por HC

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Algas podem limpar locais contaminados por radiação


Sempre que ocorre um acidente nuclear de grande porte, como o que se seguiu ao tsunami no noroeste do Japão no mês passado, a ciência revê seus métodos de como consertar os estragos e limpar os locais contaminados da radiação. Há algumas maneiras mais eficazes para isso, outras menos, mas pesquisadores da Universidade do Noroeste do Japão parecem ter encontrado um novo e revolucionário meio: as algas.
Usar algas para fins científicos avançados já é um procedimento corrente na ciência. Mas esta novidade surgiu quando um dos cientistas da universidade descobriu que existe uma alga, chamada de Closterium moniliferum, que é capaz de capturar átomos de Estrôncio das superfícies. Com isso, poderia servir para remover um dos elementos radioativos presentes em acidentes nucleares, o Estrôncio-90.
O perigo do Estrôncio é sua semelhança química com o cálcio. Em um local contaminado, pode perfeitamente penetrar em ossos, no leite e no sangue das pessoas ou de animais consumidos por nós. Em áreas amplas onde o risco de contaminação é alto, isso se transforma em uma bola de neve. E a função da Closterium moniliferum é justamente capturar esse Estrôncio.
A alga em questão, na verdade, está atrás de Bário, outro elemento, mas, também, acaba retendo Estrôncio no processo. Por isso, os cientistas consideram que se coloque Bário junto com as algas, em locais contaminados, para acelerar o processo. Com isso, calculam os cientistas, pode-se limpar grandes áreas de conteúdo radioativo em questão de minutos. É uma segura economia de tempo e dinheiro para países que sofrem acidentes nucleares.Fonte: Nature

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Estudo traça perfil de raia gigante em águas brasileiras


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Uma das maiores e mais misteriosas espécies de peixe do mundo, a raia-jamanta (Manta birostris), começa a ter seus hábitos revelados por meio de um estudo inédito feito no país. Por ser fã de águas profundas e de grandes deslocamentos, esse gigantesco bicho, que pode chegar a 2 toneladas, dá muito trabalho para ser ser estudado. Agora, pesquisadores do Projeto Mantas do Brasil, com patrocínio da Petrobras, fizeram o primeiro mapeamento por satélite no Atlântico Sul dessa que é a maior espécie de raia do planeta. O trabalho foi feito na área do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, um dos poucos locais de agrupamento conhecidos da espécie. Para coletar os dados, os cientistas colocam uma espécie de etiqueta com um microchip no corpo dos animais. Os dispositivos ficam grudados nos peixões por um tempo pré-programado, que vai até 180 dias. No final do período, eles se soltam e flutuam até a superfície. De lá, ficam emitindo dados, que são percebidos assim que o satélite faz a varredura da região. "É uma coisa emocionante, mesmo com um número de amostragem ainda muito baixo", diz Guilherme Kodja, coordenador do Projeto Mantas do Brasil.


ROTAS DE MIGRAÇÃO Por meio das informações recebidas do satélite, os pesquisadores ficam sabendo, entre outras coisas, das rotas de migração da espécie, além de seus hábitos e da profundidade de mergulho. Isso é importante porque permite criar estratégias de manejo para os bichos. "Saber de onde eles vêm e para onde eles vão nos ajuda a identificar os pontos de risco e criar formas de evitá-los", explica Kodja. O projeto, que também usa fotografias para mapear as raias, conseguiu identificar locais de captura ilegal da M. birostris. Segundo o coordenador do projeto, em águas brasileiras, essas raias são normalmente pescadas por acaso. Apesar do tamanho, elas têm baixo valor comercial no país. Na Ásia, no entanto, a raia-jamanta é muito usada na medicina tradicional, devido a supostas propriedades que filtrariam o sangue. Esse tipo de pesca já fez desaparecer populações nas Filipinas e colocou o bicho recentemente na categoria de vulnerável à extinção. Fonte: Ciências - folha.com.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Olho gigante de lula


Ela tem em média 20 metros de comprimento e pesa mais de uma tonelada. Dificilmente se contesta que a lula-gigante é um animal colossal, mas sabe-se que existem alguns ainda maiores ou mais pesados, como baleias e elefantes. Mas mesmo estes monstros do reino animal não podem competir com a lula-gigante em um quesito: o tamanho do olho. A foto acima mostra um pote de vidro com um exemplar do olho desse animal. Chega a medir mais de 25 cm de diâmetro, o que equivale a um prato de comida. E esse tamanho todo não é por motivo banal: como o animal vive em mares de grande profundidade e escuridão, onde nenhum raio de sol é capaz de penetrar, o olho tamanho família o ajuda a achar comida e abrigo. Apesar do tamanho, a estrutura ocular da lula-gigante é muito parecida com a dos seres humanos: compõe-se de íris, pupila e retina, como a nossa. Essa característica é uma das poucas bem conhecidas sobre a lula-gigante, um animal cujos hábitos ainda são em parte um mistério para a ciência

terça-feira, 5 de abril de 2011

Japão detecta radiação em peixes a 80 km de usina


Autoridades japonesas informaram que encontraram níveis altos de materiais radioativos em peixes a 80 quilômetros de a usina nuclear Daiichi, em Fukushima. A radiação elevada já havia sido encontrada em alguns produtos como leite e vegetais no Japão. Segundo a Prefeitura de Ibaraki, duas amostras de pequenos peixes chamados konagos, pescados em áreas diferentes perto da costa do Oceano Pacífico, em Ibaraki, norte do país, continham níveis de material radioativo acima do permitido.


A descoberta anunciada é a primeira indicação clara de contaminação dos peixes e levanta temores deque a água radioativa da usina ameace a vida marinha, que é uma importante fonte de alimentação para o país. Em uma amostra coletada em 1º de abril, uma cooperativa de pesca local detectou 4.080 becquerels (unidade de medida de radioatividade) por quilo de iodo radioativo. O governo japonês estabeleceu um limite de 2 mil becquerels por quilo para os peixes, o mesmo nível permitido em vegetais. Em outra amostra coletada foram detectados 526 becquerels de césio por quilo de peixe. O valor ultrapassa o limite de 500 becquerels por quilo desse componente. A Tokyo Electric Power (Tepco), proprietária da usina, lançou mais de 10 milhões de litros de água pouco radioativa no Oceano Pacífico, mas busca evitar que água ainda mais radioativa também acabe no oceano. As informações são da Dow Jones.

sexta-feira, 25 de março de 2011

A «incrível» adaptação do mexilhão das fontes hidrotermais

Biotecnologia espreita as potencialidades do sistema imunitário deste bivalve
Vive em grandes profundidades, num ambiente adverso e extremo, com um pH muito baixo e temperaturas muito quentes para aquela situação, mas quando alteradas estas condições, "parece lembrar-se de como era há milhões de anos, do ponto de vista evolutivo".
É um "valente" que, no seu meio natural, suporta grandes pressões. Mesmo assim, vive e reproduz-se, constituindo comunidades muito extensas em volta das chaminés das fontes hidrotermais, libertadoras dos elementos químicos (como o metano ou o sulforeto) essenciais para a obtenção da sua energia.
Além disso, têm a particularidade de depender de bactérias simbiontes, que se alojam no seu organismo e, através de um processo de simbiose, utilizam a matéria química para a obtenção da energia usada na criação de nutrientes que consome.
Eis o perfil deste mexilhão, "parente" daqueles que se conhecem à superfície, traçado por Raul Bettencourt, investigador do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç), que, numa conversa com o "Ciência Hoje", falou sobre a "incrível capacidade de adaptação deste animal a novos meios" e de todas as potencialidades biotecnológicas que esconde.

"Regresso ao passado"
Quando os mexilhões são trazidos para a superfície e colocados em aquários, no laboratório, as características do seu meio natural não são reproduzidas, principalmente, a pressão e o ambiente químico onde, normalmente, eles vivem. "O nosso sistema é simplificado", embora tenha capacidade para simular algumas das condições do ambiente de profundidade, referiu Raul Bettencourt.
Perante este cenário laboratorial, este bivalve vai sofrendo alterações na sua fisiologia, sendo que, "à superfície, começa a desenvolver o seu sistema digestivo e os órgãos aumentam de tamanho". Para fazer face à mudança, "volta a um estado de filtração como existia no passado".
As brânquias, que utilizam para filtrar a água e retirar os nutrientes necessários para suprir as suas necessidades alimentares e energéticas, vão perdendo as bactérias simbiontes, mas mesmo assim são capazes de sobreviver, pelo menos dois anos em aquário. "Não sabemos se algumas ficam num estado remanescente, mas, aparentemente, há um total desaparecimento ao fim de quatro semanas", constatou o investigador do DOP.
O biólogo acredita que este animal nunca perdeu as suas capacidades adaptativas, dizendo que, "pelo menos de uma forma genética, parece manter o 'programa' que lhe diz que pode adaptar-se, de uma forma muito rápida".
Ainda não foram feitos testes sobre o crescimento e o ciclo de reprodução do mexilhão das fontes hidrotermais em aquário, mas já foi possível observar que, apesar de não haver crescimento, há libertação e fecundação de gametas e que os primeiros estádios do desenvolvimento embrionário foi alcançado.

Sistema imunitário com características comuns ao humano
O sistema imunitário do mexilhão é muito semelhante ao do Homem. "Aliás, o que nos distingue dos invertebrados é a cognição e o desenvolvimento do sistema nervoso, dos mecanismos de aprendizagem e da memória, pois as células animais fazem todas o mesmo e, a nível genético, somos parecidos", sublinhou Bettencourt.
A única distinção entre o sistema imunitário do mexilhão e do humano relaciona-se com a produção de anticorpos (resposta adaptativa), que os bivalves não comportam. Já a parcela inata deste sistema, que permite às pessoas viverem nos primeiros quinze dias (pois até aí não produzem anticorpos) também é comum ao mexilhão.
De acordo com o especialista em imunologia, "estes animais têm apenas a defesa inata, que não é tão específica como a resposta adaptativa. Contudo, é mais abrangente, pois as moléculas intervêm de forma generalista e reagem quase instantaneamente a um organismo que entre no sistema. Mantêm-no toda a vida".

Biotecnologia na mira
O interesse de Raul Bettencourt nestes mexilhões tem a ver, sobretudo, com as suas respostas imunitárias contra vírus, bactérias ou fungos.
"Sabemos que têm substâncias naturais, que são muito eficientes para o combate das bactérias", um aspecto que já foi evidenciado e que é comum a qualquer organismo vivo. Contudo, nestes animais o revestimento destas moléculas é muito "interessante" e "merece ser estudado de uma perspectiva biotecnológica".
De acordo com o investigador, as bactérias alojadas neste mexilhão produzem "super enzimas" que podem ser aplicadas na produção de bioetanol e biofuel, pelo que há um grande interesse no seu estudo e na sua sintetização a partir da informação genética já obtida e agregada na primeira base de dados mundial sobre genética do mexilhão das fontes hidrotermais, criada pelo DOP.
"Há um grande potencial que toma várias direções, desde o desenvolvimento de novos fármacos ao de enzimas industriais capazes de melhorar as atuais na obtenção de etanol", que implicam ainda "processos caros e morosos", concluiu.
Fonte: Carla Sofia Flores – Ciências Hoje