terça-feira, 31 de maio de 2011

Novas pesquisas mostram que peixes têm consciência e podem sentir dor


Más notícias para os entusiastas da pesca: os peixes podem ser mais do que meras máquinas de reflexo, como se pensava. Novas pesquisas mostram que, aparentemente, eles têm consciência e podem sofrer com a dor, e pesquisadores estão pedindo que sejam tratados da mesma forma que mamíferos e aves.
Será que milhões de pescadores amadores e esportivos estão errados? Eles acreditam que ter um anzol maligno preso na boca não machuca o peixe. Os entusiastas da pesca insistem que o sistema nervoso das criaturas aquáticas é primitivo demais para que sintam dor de verdade. Reportagem de Günther Stockinger, Der Spiegel
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Depois de fisgarem o anzol, os peixes muitas vezes lutam de forma impressionante. Mas essa luta não confirma simplesmente como é pequena a agonia que vivenciam? “Se os anzóis de pesca fossem dolorosos, então um peixe fisgado não lutaria e aceitaria o puxar da linha de voa vontade, como um touro pode ser conduzido facilmente pelo anel nas narinas”, argumenta o pescador vienense Johann Braberntz no jornal “Der Fliegenfischer”.
Até agora, aficionados da pesca raramente foram acusados de crueldade, já que os peixes são vistos como forma de vida inferior. De fato, quase ninguém acredita que eles têm sentimentos como mamíferos e aves, e a maior parte das pessoas só têm sentimentos por animais de sangue quente.
Mas agora essa imagem de criaturas robotizadas que teriam uma memória de apenas três segundos está começando a rachar. As mais recentes descobertas de biólogos, neuro-anatomistas e pesquisadores de comportamento mostram que esses vertebrados antigos na evolução são muito mais do que máquinas de reflexo.
Pesquisadores da Universidade de Queen’s, em Belfast, provaram que, quando os peixes são sujeitos a estímulos de dor, os sinais não somem pela espinha. Os cientistas descobriram áreas da pele sensíveis diretamente por trás das brânquias de peixes dourados e trutas. Com a implantação de eletrodos, eles puderam mostrar que as células nervosas ali localizadas enviam sinais diretamente para o cérebro do peixe.
Quando os pesquisadores espetavam os animais com agulhas, uma fúria de mensagens neuronais eram transmitidas ao telencéfalo – a mesma região do cérebro onde os sinais de dor também são processados por animais e mamíferos.

Não um simples reflexo

Resultados similares agora foram alcançados com o salmão atlântico, a carpa e o bacalhau. “Esses estudos demonstram que áreas superiores do cérebro estão implicadas na resposta do peixe a eventos potencialmente dolorosos e que sua resposta não é um simples reflexo”, explica Lynne Sneddon, especialista em peixes da Universidade Chester, no Reino Unido.
Uma equipe de pesquisa espanhola pôde até identificar uma área no cérebro do peixe dourado que parece servir a uma função similar à do sistema límbico, região no cérebro humano que se torna altamente ativa quando as pessoas passam medo ou dor. Como nos mamíferos, esses receptores cerebrais no peixe consistem de uma série de estruturas anatômicas: sinais chegam para a amígdala e são processados por um filtro emocional, enquanto o hipocampo é para memória, mas também tem um papel importante na orientação espacial. Os pesquisadores buscaram por muito tempo em vão essas duas regiões, aparentemente porque estavam procurando no lugar errado. Acontece que, quando o peixe amadurece de embrião para adulto, sua arquitetura cerebral vira de fora para dentro: enquanto a amígdala e o hipocampo humanos são localizados profundamente nos hemisférios do cérebro humano, as estruturas comparáveis de um peixe desenvolvido se localizam diretamente na superfície do telencéfalo.
Testes comportamentais confirmaram esses resultados: os peixes dourados cujas estruturas comparáveis ao hipocampo no telencéfalo foram cirurgicamente desabilitadas subitamente perdem seu sentido de orientação - assim como os mamíferos cujas regiões cerebrais correspondentes foram desconectadas.
Além disso, quando os pesquisadores colocam as seções comparáveis à amígdala do telencéfalo fora de ação, os peixes deixam de aprender com os choques elétricos.
Isso prova que esses animais aquáticos supostamente insensíveis têm a estrutura necessária em suas cabeças para sentir medo e dor. “Apesar da estrutura e função do equivalente nos peixes ser mais muito que nosso sistema límbico, o fato que os cientistas descobriram a presença de estruturas similares é impressionante”, explica Victoria Braithwaite, zoóloga da Universidade Estadual da Pensilvânia.
Alguns anos atrás, Braithwaite causou comoção com outra descoberta que fez sobre a fisiologia dos peixes. Ela encontrou mais de 20 receptores de dor em torno da boca e da cabeça da truta - ironicamente localizados precisamente onde os anzóis penetram na carne do peixe.
Esses receptores frontais do sistema nervoso reagem não apenas aos espinhos, mas também ao calor e agentes químicos. Combinados com as fibras nervosas especializadas que transmitem impulsos de dor, os receptores funcionam como os de outros vertebrados.

Consciência da dor
Mas os peixes são capazes de converter sua percepção desses sinais complexos em uma consciência da dor? Uma série de testes comportamentais sugere que sim.
Trutas cujos lábios foram injetados com veneno de cobra ou acido acético ventilam vigorosamente com suas brânquias por quase três horas e meia, param de se alimentar, se agitam para trás e para frente no assoalho do tanque ou esfregam os lábios nas paredes de vidro. Elas demonstram muito mais do que reações de três segundos.
A truta que foi sujeitada a agentes químicos nocivos não deu atenção a uma torre de Lego colorida introduzida em seu tanque, apesar de normalmente evitar novos objetos, sugerindo que sua atenção estava dominada pela dor. Contudo, os peixes que receberam anestésicos simultaneamente demonstraram o grau usual de cautela em relação aos objetos estranhos - porque a morfina aparentemente eliminara a dor.
Uma equipe de 20 especialistas trabalhando para a Comissão da UE em Bruxelas recentemente avaliou os experimentos feitos sobre o tema. Como todas as descobertas atuais sobre a capacidade dos peixes sentirem dor se baseiam em um número limitado de espécies, inclusive trutas, carpas, peixe zebra e peixe dourado, o grupo concluiu que não é possível, por enquanto, fazer maiores generalizações. Ainda assim, os especialistas reconheceram as seguintes conclusões sobre a vida emocional dos peixes: “Com estudos de sistemas setoriais, estrutura cerebral e funcionalidade, dor, medo e estresse, há evidências para componentes neurais da sensibilidade em algumas espécies de peixe.”
Os especialistas não apenas acreditam que os peixes são capazes de ter medo e dor, mas também sensações de prazer. Por exemplo, a oxitocina – chamada frequentemente de “hormônio do amor”- também foi documentada nos peixes.
Os defensores da pesca esportiva negam essas declarações como antropomorfismos inadmissíveis. Eles dizem que os atributos humanos foram inocentemente atribuídos aos animais.
Apesar dos defensores da pesca não poderem mais negar que os peixes têm um sistema para detectar sensações de dor, eles ainda sustentam que apenas um córtex cerebral altamente desenvolvido como encontrado em mamíferos pode produzir uma consciência dos estímulos de dor registrados. “Não há uma criatura humana escondida em um cérebro de peixe”, argumenta o pesquisador norte-americano James Rose, especialista muitas vezes citado pela indústria da pesca.
“A dor e o sofrimento do peixe não foram provados”, concorda Robert Arlinghaus, especialista em peixe do Instituto Leibniz de Ecologia de Água Doce e Pesca em Berlim. “Simplesmente não sabemos se os peixes têm tais sentimentos”.

Fluido cerebral
Para muitos especialistas, porém, a falta de córtex cerebral não parece mais ser uma razão suficiente para eliminar a possibilidade de consciência da dor. Casos médicos notáveis lançaram dúvida sobre essa velha escola de pensamento: neurologistas ocasionalmente relatam casos de pessoas que só têm metade do cérebro. Enquanto outros têm sinapses, esses indivíduos têm apenas fluido cerebral - e ainda assim muitas vezes são altamente inteligentes e bem adaptados socialmente.
Outros pesquisadores estão indo além. Eles sustentam que descobriram que mesmo invertebrados têm certa consciência de dor. Robert Elwood, especialista em comportamento animal da Universidade do Queens, em Belfast, aplicou acido acético à antena sensível dos camarões. Os crustáceos subsequentemente esfregaram as áreas afligidas por até cinco minutos. De acordo com Elwood, essa reação é reminiscente de como mamíferos reagem à dor.
O polvo, o mais inteligente de todos cefalópodes, talvez tenha uma vida emocional ainda mais diversa. Esses animais, que são famosos por suas contorções impressionantes, nunca param de surpreender os pesquisadores: conseguem abrir um frasco de remédios à prova de crianças se souberem que há delícias escondidas ali dentro e fazem fugas noturnas de tanques famosos por sua segurança são comuns. “Há muitas razões por que as pessoas não querem pensar sobre a dor entre invertebrados”, diz Elwood.
Os pescadores por hobby ou esportivos estão com medo que novas leis possam ser introduzidas que limitem seu prazer em pescar.
As leis atuais na Alemanha já estipulam que os pescadores só podem sair com sua vara e pescar se estiverem em busca de comida ou reduzindo os estoques para manter as populações de peixe saudáveis. Torneios onde o pescado é devolvido à água após ter sido pesado foram proibidos – além de uso de peixes como isca viva.
Os biólogos, contudo, não suspeitam primariamente dos pescadores solitários em rios e lagos de cometerem atos de crueldade sem sentido. Sua atenção é dirigida principalmente para as fazendas de peixes e para a pesca de alto mar industrial.
De acordo com Braithwaite, zoóloga da Pensilvânia, daqui a 20 anos, quase metade de todos os peixes que comemos serão criados em enormes fazendas em torno do mundo. “Se nos preocupamos em proteger porcos e frangos na indústria de alimentos, não devemos excluir os peixes”, argumenta.
Ela também diz que mais atenção deve ser dada para as enormes frotas de barcos de pesca que navegam pelos oceanos do mundo, de forma a garantir que as criaturas “sejam mortas de forma rápida e limpa”. “A maior parte das pessoas certamente não se sente confortável com as enormes quantidades de peixe que sufocam lentamente nos conveses dos navios”, acrescentou.
As instalações de pesquisa também estão passando por fiscalização crescente, pois os peixes estão cada vez mais substituindo os camundongos e ratos em laboratórios. Sneddon, especialista em Chester, acha que seria apropriado no futuro aplicar “diretrizes humanas” para essas criaturas mudas nos experimentos. Assim como com mamíferos, diz ela, “os pesquisadores devem administrar analgesia se não interferir com os resultados dos estudos”.
Tradução: Deborah Weinberg
Reportagem [The Hook That Hurts: Scientists Tip the Scales Against Anglers ] do Der Spiegel,
Publicado em março 14, 2011 por HC

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Algas podem limpar locais contaminados por radiação


Sempre que ocorre um acidente nuclear de grande porte, como o que se seguiu ao tsunami no noroeste do Japão no mês passado, a ciência revê seus métodos de como consertar os estragos e limpar os locais contaminados da radiação. Há algumas maneiras mais eficazes para isso, outras menos, mas pesquisadores da Universidade do Noroeste do Japão parecem ter encontrado um novo e revolucionário meio: as algas.
Usar algas para fins científicos avançados já é um procedimento corrente na ciência. Mas esta novidade surgiu quando um dos cientistas da universidade descobriu que existe uma alga, chamada de Closterium moniliferum, que é capaz de capturar átomos de Estrôncio das superfícies. Com isso, poderia servir para remover um dos elementos radioativos presentes em acidentes nucleares, o Estrôncio-90.
O perigo do Estrôncio é sua semelhança química com o cálcio. Em um local contaminado, pode perfeitamente penetrar em ossos, no leite e no sangue das pessoas ou de animais consumidos por nós. Em áreas amplas onde o risco de contaminação é alto, isso se transforma em uma bola de neve. E a função da Closterium moniliferum é justamente capturar esse Estrôncio.
A alga em questão, na verdade, está atrás de Bário, outro elemento, mas, também, acaba retendo Estrôncio no processo. Por isso, os cientistas consideram que se coloque Bário junto com as algas, em locais contaminados, para acelerar o processo. Com isso, calculam os cientistas, pode-se limpar grandes áreas de conteúdo radioativo em questão de minutos. É uma segura economia de tempo e dinheiro para países que sofrem acidentes nucleares.Fonte: Nature

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Estudo traça perfil de raia gigante em águas brasileiras


clique em cima da figura para ampliar


Uma das maiores e mais misteriosas espécies de peixe do mundo, a raia-jamanta (Manta birostris), começa a ter seus hábitos revelados por meio de um estudo inédito feito no país. Por ser fã de águas profundas e de grandes deslocamentos, esse gigantesco bicho, que pode chegar a 2 toneladas, dá muito trabalho para ser ser estudado. Agora, pesquisadores do Projeto Mantas do Brasil, com patrocínio da Petrobras, fizeram o primeiro mapeamento por satélite no Atlântico Sul dessa que é a maior espécie de raia do planeta. O trabalho foi feito na área do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, um dos poucos locais de agrupamento conhecidos da espécie. Para coletar os dados, os cientistas colocam uma espécie de etiqueta com um microchip no corpo dos animais. Os dispositivos ficam grudados nos peixões por um tempo pré-programado, que vai até 180 dias. No final do período, eles se soltam e flutuam até a superfície. De lá, ficam emitindo dados, que são percebidos assim que o satélite faz a varredura da região. "É uma coisa emocionante, mesmo com um número de amostragem ainda muito baixo", diz Guilherme Kodja, coordenador do Projeto Mantas do Brasil.


ROTAS DE MIGRAÇÃO Por meio das informações recebidas do satélite, os pesquisadores ficam sabendo, entre outras coisas, das rotas de migração da espécie, além de seus hábitos e da profundidade de mergulho. Isso é importante porque permite criar estratégias de manejo para os bichos. "Saber de onde eles vêm e para onde eles vão nos ajuda a identificar os pontos de risco e criar formas de evitá-los", explica Kodja. O projeto, que também usa fotografias para mapear as raias, conseguiu identificar locais de captura ilegal da M. birostris. Segundo o coordenador do projeto, em águas brasileiras, essas raias são normalmente pescadas por acaso. Apesar do tamanho, elas têm baixo valor comercial no país. Na Ásia, no entanto, a raia-jamanta é muito usada na medicina tradicional, devido a supostas propriedades que filtrariam o sangue. Esse tipo de pesca já fez desaparecer populações nas Filipinas e colocou o bicho recentemente na categoria de vulnerável à extinção. Fonte: Ciências - folha.com.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Olho gigante de lula


Ela tem em média 20 metros de comprimento e pesa mais de uma tonelada. Dificilmente se contesta que a lula-gigante é um animal colossal, mas sabe-se que existem alguns ainda maiores ou mais pesados, como baleias e elefantes. Mas mesmo estes monstros do reino animal não podem competir com a lula-gigante em um quesito: o tamanho do olho. A foto acima mostra um pote de vidro com um exemplar do olho desse animal. Chega a medir mais de 25 cm de diâmetro, o que equivale a um prato de comida. E esse tamanho todo não é por motivo banal: como o animal vive em mares de grande profundidade e escuridão, onde nenhum raio de sol é capaz de penetrar, o olho tamanho família o ajuda a achar comida e abrigo. Apesar do tamanho, a estrutura ocular da lula-gigante é muito parecida com a dos seres humanos: compõe-se de íris, pupila e retina, como a nossa. Essa característica é uma das poucas bem conhecidas sobre a lula-gigante, um animal cujos hábitos ainda são em parte um mistério para a ciência

terça-feira, 5 de abril de 2011

Japão detecta radiação em peixes a 80 km de usina


Autoridades japonesas informaram que encontraram níveis altos de materiais radioativos em peixes a 80 quilômetros de a usina nuclear Daiichi, em Fukushima. A radiação elevada já havia sido encontrada em alguns produtos como leite e vegetais no Japão. Segundo a Prefeitura de Ibaraki, duas amostras de pequenos peixes chamados konagos, pescados em áreas diferentes perto da costa do Oceano Pacífico, em Ibaraki, norte do país, continham níveis de material radioativo acima do permitido.


A descoberta anunciada é a primeira indicação clara de contaminação dos peixes e levanta temores deque a água radioativa da usina ameace a vida marinha, que é uma importante fonte de alimentação para o país. Em uma amostra coletada em 1º de abril, uma cooperativa de pesca local detectou 4.080 becquerels (unidade de medida de radioatividade) por quilo de iodo radioativo. O governo japonês estabeleceu um limite de 2 mil becquerels por quilo para os peixes, o mesmo nível permitido em vegetais. Em outra amostra coletada foram detectados 526 becquerels de césio por quilo de peixe. O valor ultrapassa o limite de 500 becquerels por quilo desse componente. A Tokyo Electric Power (Tepco), proprietária da usina, lançou mais de 10 milhões de litros de água pouco radioativa no Oceano Pacífico, mas busca evitar que água ainda mais radioativa também acabe no oceano. As informações são da Dow Jones.

sexta-feira, 25 de março de 2011

A «incrível» adaptação do mexilhão das fontes hidrotermais

Biotecnologia espreita as potencialidades do sistema imunitário deste bivalve
Vive em grandes profundidades, num ambiente adverso e extremo, com um pH muito baixo e temperaturas muito quentes para aquela situação, mas quando alteradas estas condições, "parece lembrar-se de como era há milhões de anos, do ponto de vista evolutivo".
É um "valente" que, no seu meio natural, suporta grandes pressões. Mesmo assim, vive e reproduz-se, constituindo comunidades muito extensas em volta das chaminés das fontes hidrotermais, libertadoras dos elementos químicos (como o metano ou o sulforeto) essenciais para a obtenção da sua energia.
Além disso, têm a particularidade de depender de bactérias simbiontes, que se alojam no seu organismo e, através de um processo de simbiose, utilizam a matéria química para a obtenção da energia usada na criação de nutrientes que consome.
Eis o perfil deste mexilhão, "parente" daqueles que se conhecem à superfície, traçado por Raul Bettencourt, investigador do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç), que, numa conversa com o "Ciência Hoje", falou sobre a "incrível capacidade de adaptação deste animal a novos meios" e de todas as potencialidades biotecnológicas que esconde.

"Regresso ao passado"
Quando os mexilhões são trazidos para a superfície e colocados em aquários, no laboratório, as características do seu meio natural não são reproduzidas, principalmente, a pressão e o ambiente químico onde, normalmente, eles vivem. "O nosso sistema é simplificado", embora tenha capacidade para simular algumas das condições do ambiente de profundidade, referiu Raul Bettencourt.
Perante este cenário laboratorial, este bivalve vai sofrendo alterações na sua fisiologia, sendo que, "à superfície, começa a desenvolver o seu sistema digestivo e os órgãos aumentam de tamanho". Para fazer face à mudança, "volta a um estado de filtração como existia no passado".
As brânquias, que utilizam para filtrar a água e retirar os nutrientes necessários para suprir as suas necessidades alimentares e energéticas, vão perdendo as bactérias simbiontes, mas mesmo assim são capazes de sobreviver, pelo menos dois anos em aquário. "Não sabemos se algumas ficam num estado remanescente, mas, aparentemente, há um total desaparecimento ao fim de quatro semanas", constatou o investigador do DOP.
O biólogo acredita que este animal nunca perdeu as suas capacidades adaptativas, dizendo que, "pelo menos de uma forma genética, parece manter o 'programa' que lhe diz que pode adaptar-se, de uma forma muito rápida".
Ainda não foram feitos testes sobre o crescimento e o ciclo de reprodução do mexilhão das fontes hidrotermais em aquário, mas já foi possível observar que, apesar de não haver crescimento, há libertação e fecundação de gametas e que os primeiros estádios do desenvolvimento embrionário foi alcançado.

Sistema imunitário com características comuns ao humano
O sistema imunitário do mexilhão é muito semelhante ao do Homem. "Aliás, o que nos distingue dos invertebrados é a cognição e o desenvolvimento do sistema nervoso, dos mecanismos de aprendizagem e da memória, pois as células animais fazem todas o mesmo e, a nível genético, somos parecidos", sublinhou Bettencourt.
A única distinção entre o sistema imunitário do mexilhão e do humano relaciona-se com a produção de anticorpos (resposta adaptativa), que os bivalves não comportam. Já a parcela inata deste sistema, que permite às pessoas viverem nos primeiros quinze dias (pois até aí não produzem anticorpos) também é comum ao mexilhão.
De acordo com o especialista em imunologia, "estes animais têm apenas a defesa inata, que não é tão específica como a resposta adaptativa. Contudo, é mais abrangente, pois as moléculas intervêm de forma generalista e reagem quase instantaneamente a um organismo que entre no sistema. Mantêm-no toda a vida".

Biotecnologia na mira
O interesse de Raul Bettencourt nestes mexilhões tem a ver, sobretudo, com as suas respostas imunitárias contra vírus, bactérias ou fungos.
"Sabemos que têm substâncias naturais, que são muito eficientes para o combate das bactérias", um aspecto que já foi evidenciado e que é comum a qualquer organismo vivo. Contudo, nestes animais o revestimento destas moléculas é muito "interessante" e "merece ser estudado de uma perspectiva biotecnológica".
De acordo com o investigador, as bactérias alojadas neste mexilhão produzem "super enzimas" que podem ser aplicadas na produção de bioetanol e biofuel, pelo que há um grande interesse no seu estudo e na sua sintetização a partir da informação genética já obtida e agregada na primeira base de dados mundial sobre genética do mexilhão das fontes hidrotermais, criada pelo DOP.
"Há um grande potencial que toma várias direções, desde o desenvolvimento de novos fármacos ao de enzimas industriais capazes de melhorar as atuais na obtenção de etanol", que implicam ainda "processos caros e morosos", concluiu.
Fonte: Carla Sofia Flores – Ciências Hoje

Cobre tem efeito no metabolismo de espécies marinhas invasoras

Biofixação - Fixação de organismos em substratos artificiais como as bóias, as plataformas de marinas, as plataformas petrolíferas ou os cascos dos navios.
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O estudo das invasões biológicas no meio marinho tem ganho cada vez mais relevo no contexto das alterações climáticas. Vários trabalhos científicos já comprovaram que, com o aquecimento das águas oceânicas, há variadas espécies tropicais que migram em direção aos pólos, tal como acontece com as comunidades bentônicas, que ao nível da biofixação, em particular, têm registado cada vez mais espécies invasoras.
As baías e os estuários são conhecidos por terem maior probabilidade de conter espécies invasoras e por serem ricas em poluição por metais, como o níquel, o zinco ou o cobre. Neste último caso, investigações anteriores não detetaram qualquer efeito poluidor em espécies nativas e exóticas. Contudo, um artigo publicado na revista americana PLoS ONE, vem admitir o contrário, trazendo uma nova perspectiva sobre o assunto.
João Canning Clode,biólogo português, atualmente, desenvolvendo um projeto de pós-doutorado no Smithsonian Environmental Research Center (EUA), estuda, desde 2009, padrões na ecologia de invasão em comunidades marinhas bentônicas (que dependem de fundos rochosos) na América Central e América do Norte.
Neste sentido, tem realizado várias experiências de campo para explorar o papel da escala espacial e os efeitos da poluição na biodiversidade, nativa e não-nativa, destas comunidades bentônicas e certificar-se do papel da latitude neste padrão.
"Verifiquei que quer as espécies nativas, quer as exóticas mostraram-se sensíveis ao gradiente de cobre que criei, ou seja, o número [de ambas] diminuiu com o aumento da exposição a este metal", revelou ao "Ciência Hoje".
De acordo com o biólogo, este estudo "contradiz outros anteriores que verificaram o oposto padrão noutras localidades", indicando que o cobre é um "elemento importante" a ter em conta em estratégias de controle e erradicação de espécies marinhas invasoras.
Apesar desta conclusão, João Canning Clode suspeita que os resultados podem ser afetados por especificidades locais, como a temperatura ou salinidade, pelo que ampliou o estudo a uma escala mais global, desenvolvendo o mesmo projeto no Panamá, México, Florida, Virginia e Connecticut. Porém, estes dados ainda estão sendo analisados.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

CALENDÁRIO DE CURSOS 2011

A equipe do Projeto Biomar informa que já se encontram abertas as inscrições para os cursos teóricos-práticos para 2011.
Os cursos são personalizados, quanto ao conteúdo, carga horária e estratégia operacional para se adaptarem a faixa etária dos alunos da Educação Básica ao Ensino Superior.
Maiores informações:
site:
projetobiomar.com.br
blog:
projetobiomar.blogspot.com
projetobiomar
@projetobiomar.com.br
Esperamos você e sua escola em 2011!
Prof. Nilo Serpa e Equipe


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A Equipe do Projeto Biomar deseja que o clima em 2011 seja de

Saúde
Paz
Alegria
Qualidade ambiental
Novas oportunidades e
Muito sucesso
!

Boas Festas!
Equipe do Projeto Biomar

Se Jesus tivesse nascido hoje!