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domingo, 1 de setembro de 2013

Condylactis gigantea - a anêmona gigante

A anêmona-gigante (Condylactis gigantea) é uma espécie tropical de anêmona-do-mar e está entre as maiores que ocorrem no Brasil, atingindo cerca de 25 cm de diâmetro, em média. A espécie também é encontrada nos recifes de corais e outras áreas costeiras rasas do Mar do Caribe e do Oceano Atlântico Ocidental, incluindo o sul da Flórida, nos Estados Unidos.
A anêmona pode atingir até 40 cm de diâmetro, com 15 cm de altura e 30 cm de largura. Em forma de coluna, pode exibir variadas cores: alguns apresentam a coluna rosada, outros serão brancos, azuis claros, laranjas, vermelhos pálidos ou castanhos claros. Os tentáculos, que também diferem em cor de indivíduo para indivíduo, são longos, com pequenas estrias, e suas extremidades arredondadas podem ser esbranquiçados, amarelados, esverdeados ou de coloração púrpura. Sua boca está rodeada por 100 ou mais tentáculos. Um disco basal prende o animal firmemente ao substrato, deixando os tentáculos como com a única parte que flutua livremente.
Habitam recifes de coral e ambientes coralíneos, ocorrendo até cerca de 30 m de profundidade, em qualquer lugar da zona entremarés. Elas se abrigam em pequenas fendas e, desta maneira, sua base e coluna ficam protegidas, expondo apenas a boca e tentáculos. Embora seja primariamente um animal séssil, em comparação com outras anêmonas é bem móvel, capaz de se locomoção: ela rasteja por meio de seu disco basal.
A Condylactis gigantea encontra nos nematocistos, o seu mecanismo de defesa e proteção mais eficiente. Estas células urticantes, comuns nos cnidários, ficam localizadas nas pontas dos tentáculos do animal e, quando estimulados, os nematocistos explodem para fora da cápsula, espetando o atacante. A toxina é então descarregada, causando extrema dor e paralisia.
A anêmona-gigante é um macrófago carnívoro que se alimenta de peixes, mexilhões, camarões ou quaisquer outros organismos similares. Os nematocistos da anêmona, além de defesa contra predadores, também a ajuda a capturar alimentos. As presas são rapidamente paralisadas ​​pelas toxinas e os tentáculos as carregam para a boca, e a presa é engolida inteira e digerida.
A espécie é dioica, os sexos estão alocados em indivíduos distintos: um feminino e outro masculino. Assim, a reprodução se dá de forma sexuada e, diferentemente de cnidários, não há evidências de que possa se reproduzir de outra forma. As fêmeas produzem ovócitos grandes, em pequeno número, que são liberados para fecundação externa. Os machos, de forma relativamente sincronizada, fazem o mesmo com os gametas, o que torna o processo dependente da proximidade das anêmonas. A fertilização ocorre na água e as larvas plânulas produzidas são lecitotróficas, isto é, se alimentam dos nutrientes presentes no vitelo, substância armazenada no interior do ovo.
A C. gigantea é de grande importância ecológica nas comunidades em que ocorre: várias espécies de peixes pequenos e crustáceos (como o camarão-limpador), imunes à ação tóxica da anêmona, se protegem contra predadores. Esta espécie também serve como "estação de limpeza" destes animais.
Embora não conste da Lista Vermelha da IUCN, para o ICMBio a espécie e classificado como Vulnerável, sendo ameaçada pela captura excessiva. A exploração no país como recurso ornamental data há pelo menos duas décadas. Esta anêmona é altamente atraente à indústria da aquariofilia.
Autor: Rafael Ferreira - O Eco

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Nascimento de águas vivas: estrobilização de Scyphozoa - Cnidaria - vídeo

Estrobilização de um pólipo
Os cnidários se reproduzem sexuada e assexuadamente. A reprodução sexuada dá-se na fase de medusa, com exceção dos antozoários (os corais e as anêmonas-do-mar), das hidras e algumas outras espécies que não desenvolvem nunca a fase de medusa.
Ciclo de vida

As medusas, seres natantes,  são dióicas: os machos e fêmeas libertam os gametas  na água que  ali se conjugam, dando origem aos zigotos.


Dos ovos saem larvas pelágicas chamadas plânulas, em forma de pêra e completamente ciliadas que, quando encontram um substrato apropriado, se fixam e se transformam em pólipos. Em alguns celenterados, como os corais, a fase de pólipo é a fase definitiva.
Os pólipos reproduzem-se assexuadamente formando pequenas réplicas de si mesmos por evaginação da sua parede, chamadas gomos ou brotos. No caso dos corais, esses novos pólipos constroem o seu "esqueleto" e continuam fixos, contribuindo para o crescimento da colônia.
No entanto, em certos casos, os pólipos  se dividem  em discos sobrepostos, num processo conhecido por estrobilação, sendo esta também uma forma de reprodução assexuada. Estes discos libertam-se, dando origem a pequenas medusas chamadas éfiras que  crescem e se reproduzem sexuadamente.

Neste vídeo vemos um  pólipo de uma cifozoário passando por estrobilização -reprodução assexuada por fissão transversal - dando origem a vários pequenas éfiras  (medusas imaturas).
As seqüências que ilustram os processos de fissão transversal e a liberação das éfiras foram filmadas em time-lapse,  sendo rodado entre 100 e 200 vezes mais rápido, respectivamente, do que o normal. O vídeo foi filmado sob um microscópio estereoscópico, no Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo.
http://youtu.be/bcQs3dkrH0A
Mais imagens de águas vivas ou medusas no http://cifonauta.cebimar.usp.br/