quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ASCÍDIA – QUE BICHO É ESTE?


Filo Chordata
Subfilo Tunicata ou Urochordata.
Classe Ascidiacea
Ordem Enterogona
Subordem Phlebobranchia
Família Ascidiidae
Gênero Ascidia


Habitat – Animais marinhos, sésseis, geralmente, fixos ao substrato duro (rochas, conchas, cascos de navios, etc.) quando adultos. Podem, também, se fixar na areia. Larvas natantes, em formato de girino. Encontradas em águas rasas até cerca de 200 metros de profundidade.
Os ascidiacea (ascídias) constituem uma classe de animais marinhos.Se distribuem pelos mares de todo o planeta, dos oceanos tropicais a polares. Se conhecem ao redor de 2.300 espécies de ascidias, sendo três os tipos principais: ascidias solitárias, ascidias sociais e ascidias compostas.


Alimentação e Digestão - Alimentam-se por filtração - A água entra no corpo do animal por um sifão inalante ou bucal e é expulsa por outro sifão, denominado atrial. Este movimento da água no interior do animal permite a retenção do alimento no àtrio ( cavidade interior). São capazes de grandes filtrações diárias, às vezes, mais de 200 litros de água, retendo partículas saudáveis e todos os tipos de contaminantes. Algumas espécies são usadas como indicadores de contaminação hídrica.
As ascídias adultas possuem um corpo globoso ou tubular e um pedúnculo de fixação. O corpo é constituído por uma túnica (manto) resistente composta por um polissacarídeo, isômero da celulose, que é chamada de tunicina.
Respiração - A hematose (troca gasosa) ocorre nas fendas branquiais. O oxigênio dissolvido na água é captado e o gás carbônico é eliminado por difusão na faringe.
Circulação - No manto existe um coração tubular, que possui batimentos cardíacos. O coração controla e pode mudar o sentido da circulação sanguínea. O sistema circulatório é do tipo aberto e os pigmentos respiratórios possuem átomos de vanádio na molécula.
Excreção - As ascídias não possuem sistema excretor.
Sistema Nervoso - Durante a fase larval, existe um tubo neural. Na fase adulta, existe um gânglio nervoso situado entre o sifão atrial e o sifão bucal. Deste gânglio partem nervos que inervam o corpo do animal.
Reprodução e Estágio Larval
As ascídias são hermafroditas, com ovário e testículo, próximos entre si. Reprodução sexuada externa ou assexuada, por brotamento, quanto coloniais. A larva possui o cordão nervoso dorsal oco e a notocorda na cauda. A cauda é absorvida e o corpo sofre um movimento de rotação de aproximadamente 90°, do cordão nervoso só fica o gânglio nervoso e a notocorda é totalmente absorvida.
Fonte de pesquisa: Sites de zoologia na internet

domingo, 5 de setembro de 2010

Medusa - Juba de Leão


Uma gigantesca água-viva com tentáculos que podem alcançar o mesmo comprimento de uma baleia azul (30 m) pode ter se tornado em um inesperado defensor do oceano.
Um recente estudo indica que a água-viva juba de leão (Cyanea capillata) se tornou uma boa predadora do ctenóforo Mnemiopsis leidyi, um animal invertebrado transparente e voraz invasor de diversos mares. As informações são do site da revista New Scientist.
A água-viva juba de leão pode chegar a 2,5 m de largura, mas é um dos animais mais compridos de todos os tempos. O estudo do Instituto de Pesquisa Marinha, em Bergen, na Noruega, e da Universidade de Gothenburg, na Suécia, indica que o ctenóforo – que é nativo do oeste do Atlântico – já pode ser encontrado no Mar do Norte e no Báltico. Este ctenóforo tem se espalhado pelos diversos mares, provavelmente pela água de lastros de navio, sendo, portanto, um bioinvasor.
Os ctenóforos se alimentam de plâncton e devastam suas populações nas regiões invadidas, o que diminui drasticamente a quantidade de peixes que comem o plâncton. Como qualquer espécie invasora, o Mnemiopsis leidyi parecia não ter predadores, até agora.
Os tentáculos da água-viva são cobertos com pequenas células com perigosas toxinas (nematocistos) que podem paralisar a vítima e que ainda causaram paradas cardíacas em testes em ratos de laboratório. Humanos geralmente têm reações menos intensas, a não ser que sejam alérgicos ou recebam muita toxina. Teoricamente, uma grande quantidade de protetor solar já ajuda a evitar maiores danos.
Mas a grande vantagem está no tamanho dos tentáculos, que conseguem pegar pequenos peixes e até outras águas-vivas de grande porte. Com essa capacidade, o “monstro” acabou se tornando um protetor dos mares ao caçar o ctenóforo invasor. Contudo, o estudo indica que esses animais conseguem escapar 90% das vezes do predador, mas sofrem danos no processo e sucumbem a repetidos ataques.

Ctenophora (do grego ktenes, pente + phoros, portador) é um pequeno filo com cerca de 120 espécies descritas, conhecidas como "águas-vivas-de-pente" ou "carambolas-do-mar". Os animais invertebrados que pertencem a esse filo são marinhos ou estuarinos, planctônicos, alguns bentônicos e bioluminescentes.
São superficialmente semelhantes às medusas em sua forma globosa, sua mesogléia gelatinosa e sua transparência. No entanto, as semelhanças com as medusas podem representar mais uma convergência do que um relacionamento evolutivo próximo aos Cnidaria.
Os Ctenóforos são animais carnívoros e alimentam de outros animais planctônicos como: copépodos (crustáceos), ovos e larvas de peixes, cnidários, e outros ctenóforos.
A maioria dos membros do filo é hermafrodita e de fecundação externa, exceto às espécies que incubam seus ovos.

sábado, 28 de agosto de 2010

DISSECAÇÃO DO OURIÇO-DO-MAR - PROJETO BIOMAR

Aula prática de dissecação do ouriço-do-mar do Curso de Biologia Marinha em Angra dos Reis - RJ

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Cientistas descobrem tataravó da Grande Barreira de Corais



A apenas 600 metros da Grande Barreira de Corais, o maior recife de corais do mundo, localizado nas águas da Austrália, encontra-se um recife menos espetacular, mas muito mais mais antigo.

A primeira pista da existência desse recife apareceu em 2007, quando medições sísmicas e de sonares revelou estranhas lagoas e formações montanhosas no leito do mar.
As medições foram confirmadas em fevereiro deste ano, quando uma equipe internacional extraiu 34 núcleos de sedimento desses locais no fundo do mar, revelando um recife de corais fossilizado que penetra 110 metros sob o leito do mar.
Datação preliminar desses núcleos indica que o coral tem cerca de 169 mil anos.
“Esta é a tataravó da Grande Barreira de Corais”, disse John Pandolfi, da Universidade de Queensland.
Segundo ele, trata-se de uma importante descoberta que deve trazer novas informações sobre a formação de recifes de corais.
Acreditava-se que a Grande Barreira de Corais encontra-se assentada sobre um recife morto e mais velho. Mas 110 metros abaixo do recife vivo há apenas rochas.

Corais precisam de luz para viver, e Pandolfi agora pensa que, quando o nível do mar subiu na última Era do Gelo, ele ameaçou eliminar a iluminação do recife antigo. Por causa disso, algumas larvas teriam populado águam mais rasas e semeado o recife hoje existente.
A descoberta do fóssil foi divulgada por Jody Webster, da Universidade de Sydney, em uma conferência na Alemanha em julho.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Novos contaminantes ambientais

SBPC - Novas técnicas de análise revelam novos contaminantes ambientais

Contaminantes modernos
Graças ao desenvolvimento de novas técnicas de análises químicas e biológicas, um mundo pouco conhecido de contaminantes ambientais, alguns deles comprovadamente prejudiciais a seres vivos, está sendo revelado.
São substâncias oriundas de produtos de higiene pessoal e cosméticos, fármacos, praguicidas e nanomateriais, por exemplo.

Para a bióloga e especialista em toxicologia, Gisela de Aragão Umbuzeiro, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ainda é cedo, no entanto, para dizer se esses compostos podem causar problemas ao homem. Ela falou sobre o tema em sua conferência Contaminantes emergentes para a zona costeira, durante a 62ª Reunião Anual da SBPC.
Química do nanograma
Segunda Gisela, até há pouco tempo a química estava na era do miligrama, depois passou para a do micrograma e agora chegou a do nanograma - que trabalha com a matéria na escala de moléculas e átomo. Hoje é possível detectar a presença de determinadas substâncias em concentrações ínfimas no ambiente, principalmente na água.
Entre as que mais preocupam estão os chamados interferentes endócrinos, que são hormônios como estrógenos (responsáveis pelo desenvolvimento sexual feminino) e andrógenos (responsáveis pelas características do sexo masculino), além tiroxina e triiodotironina, que estimulam diversas células do corpo e controlam o crescimento, a reprodução, o desenvolvimento e o metabolismo.

Livres no ambiente, eles causam problemas nos sistemas reprodutivos de peixes, aves, anfíbios, répteis e até roedores.

De acordo com Gisela, há muito meios dos contaminantes emergentes chegarem ao ambiente, como o descarte de medicamentos não utilizados, a urina e as fezes de humanos e animais, além dos efluentes da agricultura e indústria. Um projeto de pesquisa que vem sendo realizado em São Paulo, do qual a professora da Unicamp participa, já analisou mais de 200 amostras de água. "Em mais de 80% delas foi encontrada a presença de contaminantes emergentes", disse ela.

Contaminantes emergentes
O tributilestanho, mais conhecido como TBT, é outro contaminante emergente que vem sendo estudado. "Trata-se um biocida, usado em tintas para cascos de navios, que evitam a incrustação por cracas".

"Estudos feitos pelo pesquisador Marcos Antônio Fernandez, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), detectaram, em moluscos, o aparecimento de características sexuais masculinas, como pênis, em indivíduos do sexo feminino."
Ela citou ainda como contaminante recém-detectado, o triclosan, um bactericida de amplo espectro, usado em medicamentos e produtos de higiene pessoal, como pastas de dente, enxágue bucal, cremes para pele, sabonetes desinfetantes, desodorantes, roupas de cama, roupas esportivas, sapatos e carpetes. Na presença de luz solar, ele se transforma em dioxina, que é altamente tóxica.

Apesar disso, por enquanto não há motivo para pânico. "Embora muitas dessas substâncias estejam no ambiente há muito tempo, não há registros de terem causados problemas em humanos", tranquilizou. "Mesmo assim, é preciso estudá-los para verificar que efeitos podem ter para a saúde e qual a concentração segura para as pessoas."

Ouriços-do-mar nanotecnológicos captam energia solar

Os espinhos do ouriço-do-mar nanotecnológico são nanofios de óxido de zinco, um material semicondutor e piezoelétrico, usado em células solares e em nanogeradores biomecânicos.[Imagem: Empa]

O "nano-ouriço-do-mar", criado por cientistas suíços, chamou a atenção da comunidade científica graças à facilidade de sua fabricação e à sua versatilidade, com aplicações principalmente no campo das células solares.
As pequenas nanopartículas, que lembram ouriços-do-mar em nanoescala, são na verdade totalmente inertes, feitas com polímeros e óxido de zinco.
Usos dos nanofios
Jamil Elias e Laetitia Philippe, dos laboratórios EMPA, usaram esferas de poliestireno - um polímero muito barato, usado em embalagens - para servirem como suporte para nanofios de óxido de zinco.
O óxido de zinco é um material semicondutor, largamente pesquisado para aplicações de fronteira, como células solares transparentes e nanogeradores biomecânicos, capazes de transformar o movimento do corpo em eletricidade para alimentar equipamentos portáteis, além de lasers de nanofios e LEDs de baixo custo.
Como em quase todas as aplicações com nanofios, a fabricação e a deposição dessas estruturas minúsculas é sempre o maior empecilho à sua viabilização prática.
É por isto que a técnica agora desenvolvida está chamando tanto a atenção: além de produzir estruturas homogêneas e manter os nanofios estendidos, ampliando sua interação com o meio e com a luz, os pesquisadores fizeram isso usando materiais comuns e processos simples.

Ouriços-do-mar nanotecnológicos
O princípio de fabricação dos ouriços-do-mar nanotecnológicos começa com as nanoesferas de poliestireno, que são colocadas sobre uma superfície eletricamente condutora, o que as faz alinharem-se em padrões regulares.
A seguir, uma técnica eletroquímica altera a condutividade e as propriedades das nanoesferas alinhadas, permitindo que o óxido de zinco seja depositado homogeneamente sobre suas superfícies. Depois é só deixar os cristais crescerem, criando os nanofios.
Ao final, o poliestireno é removido quimicamente, deixando prontas as minúsculas esferas ocas cheias de "espinhos", lembrando muito ouriços-do-mar ultra miniaturizados.
A grande área superficial dos nano-ouriços torna-os candidatos naturais para uso em aplicações fotovoltaicas, capturando mais fótons e convertendo a luz do Sol em eletricidade de forma mais eficiente.
Mas os nanogeradores também poderão ganhar. Como são piezoelétricos, os nanofios de óxido de zinco geram energia ao serem dobrados. Incorporados em um tecido, por exemplo, uma quantidade muito maior de nanofios será dobrada com os movimentos da roupa, gerando mais energia.

Bibliografia:
Hollow Urchin-like ZnO thin Films by Electrochemical Deposition
Jamil Elias, Claude Lévy-Clément, Mikhael Bechelany, Johann Michler, Guillaume-Yangshu Wang, Zhao Wang, Laetitia Philippe
Advanced Materials
Vol.: 22, Issue 14, Pages: 1607-1612
DOI: 10.1002/adma.200903098

Fonte: Site Inovação Tecnológica- www.inovacaotecnologica.com.br URL: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=ouricos-mar-nanotecnologicos-captam-energia-solar

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O fitoplâncton está diminuindo!

O fitoplâncton é o conjunto de organismos aquáticos, autotróficos, pertencentes aos filos Monera e Protista e, que vive flutuando ao sabor das ondas, sendo a pedra angular do ecossistema dos oceanos.

Fazem parte deste grupo, organismos tradicionalmente considerados algas . Contudo, dentre estas, há um grupo de grande importância sanitária e de saúde pública, que é também classificado como bactéria, as cianofíceas ou "algas azuis". A divergência de autores quanto a classificação dos organismos pertencentes a este grupo deve-se ao fato de possuírem características de células vegetais (presença de clorofila em cloroplastos e parede celular com celulose) e de bactérias (material nuclear disperso no citoplasma).

Hoje, as cianobactérias ou cianofícias, nome atualmente mais empregado, são limitadas pelas legislações ambientais para águas potáveis, devido ao fato de que algumas colônias produzem toxinas (cianotoxinas) que podem ser letais para os mamíferos.

Outros organismos pertencentes ao fitoplâncton também são classificados como Protista, como alguns flagelados e ciliados com capacidade de realizar a fotossíntese, como os organismos da classe Euglenophyceae. Vários gêneros, como Euglena spp., são fotossintetizantes facultativos, isto é, na ausência de luz podem sobreviver como um ser heterotrófico.

Por ser a base da cadeia alimentar, o fitoplâncton é, em geral, o alimento do zooplâncton (origem animal), que por sua vez é consumido por quase todos os peixes menores. Milhares de espécies marinhas dependem do plâncton para sobreviver.

Uma cadeia alimentar para uma zona costeira pode ser esquematizada da seguinte forma:
1. O fitoplâncton é alimento de muitos dos componentes do zooplâncton.
2. Este por sua vez, alimenta uma população de peixes planctonófagos (por exemplo, sardinhas).
3. Estes peixes são fonte de alimentação de peixes predadores (como o robalo) e de outros predadores.
4. Entre eles as lulas, fonte de alimento de algumas espécies de mamíferos marinhos (como o golfinho) e de algumas aves.
5. Algumas aves ictiófagas - que comem peixes (o alcatraz, por exemplo,) se situam no topo da pirâmide trófica.

Assim, a produtividade de uma determinada zona costeira ou marinha pode considerar-se estreitamente relacionada com as características de abundância e composição do plâncton.

A quantidade do fitoplâncton nos oceanos tem diminuído 1% ao ano.

Este dado foi levantado de uma maneira muito simples: como eles constituem uma massa visível de cima, bastou observar imagens de satélite dos mares para observar a diminuição.
Mas, não é o único método. Um bom indicador de quanto plâncton há no mar é a observação da claridade da água. Como é a clorofila, em condições naturais, que escurece a água do mar, basta analisar a transparência da água para saber o quanto existe de plâncton na região. E o sistema usado para isso é bem antigo, mas incrivelmente simples: o disco de Secchi.
Usado pelo padre Pietro Secchi, em 1865, para medir a claridade do mar mediterrâneo a pedido do Papa da época, o disco é simplesmente um aparelho mergulhado no mar que vai absorvendo pouco a pouco a pigmentação existente. Com um cálculo simples, baseado no tempo em que o disco demora a escurecer, tiram-se conclusões que são usadas até hoje pelos cientistas.
Observações “oficiais” têm sido feitas com o disco de Sechi desde 1899, e as últimas seis décadas têm registrado um intenso declínio (40%, para ser mais exato) na pigmentação do mar – a despeito de haver mais poluição. Ou seja, está havendo diminuição da clorofila nos oceanos.
Uma notável exceção é o Oceano Índico. Devido à intensidade da Agricultura em regiões da África e da Ásia banhadas pelo oceano, houve um aumento de nutrientes que acabam sendo lançados no mar, o que fortaleceu o fitoplâncton da área. Mas, mesmo no Oceano Índico, a quantidade do plâncton já está abaixo da recomendada.

O motivo para o declínio: aumento da temperatura média dos oceanos.

Ao longo do tempo, observou-se que o pico da reprodução e expansão populacional do fitoplâncton acontece nos meses de inverno, em que a água é fria. Durante a época de águas quentes, há um decréscimo da população. O problema é que a temperatura média dos oceanos está subindo, ou seja, o plâncton não se reproduz com a mesma abundância de antes.

Outro fator: a pesca acima da média recomendada.

Quando se pescam muitos peixes pequenos, sobra no oceano o zooplâncton, que é o alimento dos peixes. Sobrando zooplâncton, há um maior consumo do fitoplâncton, que é por sua vez o alimento daqueles.

Assim, há uma maior redução, devido à cadeia alimentar desequilibrada, na população do fitoplâncton.

E esse problema é uma reação em cadeia.
O fitoplâncton faz fotossíntese. Diminuindo o fitoplâncton nos oceanos, as águas absorvem menos dióxido de carbono do que antes, já que a fotossíntese é o maior receptor do CO2. Esse dióxido de carbono em excesso é liberado para a atmosfera, o que colabora com o efeito estufa e o aquecimento global. Daqui a alguns anos, os oceanos com menos fitoplâncton vão soltar na atmosfera tanto ou mais CO2 do que uma indústria poluente.

É um ciclo cujo final os ambientalistas ainda não conseguem prever.


quinta-feira, 29 de julho de 2010

'Bioinvasão' trazida por navios desafia cientistas brasileiros



Conheça duas espécies que invadiram as águas brasileiras:
1. Coral-sol (Gênero Tubastraea)
Veio dos oceanos Índico e Pacífico e hoje vive no litoral de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo considerado uma praga em Angra dos Reis. Apesar de ser muito bonito, ameaça o coral-cérebro, uma espécie local.

2. Siri-bidu (Charybdis hellerii)
O crustáceo veio dos oceanos Índico e Pacífico e se espalhou pelo litoral do Maranhão. Ele compete com os siris nativos, que servem de alimento e de renda para pescadores locais.

Alerta foi dado durante reunião da SBPC, que ocorre em Natal.
Enquanto olhos do mundo todo se voltam para o derramamento de petróleo no Golfo do México, uma lenta “poluição” invade silenciosamente ambientes costeiros. São diversos seres, entre eles, algas, crustáceos e moluscos, carregados na água dos porões dos navios e que podem causar desastres ambientais quando chegam a portos estrangeiros, onde muitas vezes não encontram predadores naturais e se alastram.
Durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), nesta semana em Natal, cientistas estudando o mar explicaram que ainda não há solução definitiva para esse problema, e que o Brasil tem vários exemplos de animais que já causaram transtornos ambientais.
A água, em geral captada nos portos onde os navios saem, é utilizada pelas embarcações para dar equilíbrio quando a viagem é feita sem carga. Ao chegar ao porto de destino, a chamada “água de lastro” é liberada, causando uma migração involuntária de milhões de seres vivos.
“O mundo inteiro está preocupado com esse problema, e ainda não há nenhum método eficaz para combatê-lo”, afirma a bióloga Rosa Luz de Souza, pesquisadora de Universidade Federal Fluminense (UFF) e organizadora do livro “Água de lastro e bioinvasão”.
Segundo a bióloga, um dos piores exemplos de espécie exótica que se alastrou pelo Brasil foi o mexilhão dourado. Ele veio da Ásia nos porões dos navios e se tornou uma praga nos rios brasileiros, chegando até o Pantanal. O animal se espalhou com tanto vigor que agora causa problema para as usinas hidrelétricas, pois se incrusta nos equipamentos e atrapalha a passagem da água.
O cientista Marco Cutrim, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), explica que os pesquisadores têm dificuldade para criar mecanismos controladores desses seres, depois que eles foram soltos na natureza, e aponta a falta de pesquisas sobre a biologia marinha. "No Nordeste e no Norte nós não conhecemos nem a nossa biota [conjunto de seres que habitam um ambiente]."

Troca de água
No Brasil, a Marinha exige a troca da água de lastro em mar aberto, antes que os navios cheguem aos portos. Há também normas específicas para o Rio Amazonas, para que embarcações não soltem água salgada em portos fluviais.
Segundo Flávio da Costa Fernando, pesquisador do Instituto de Estudos do Mar - Almirante Paulo Moreira, a substituição da água resolve parte do problema, mas não é totalmente eficaz, já que os navios não foram construídos para isso, e microorganismos invasores podem permanecer nos porões durante a troca.
O pesquisador explica que já foram feitas experiências com substâncias químicas para tratar a água, mas esses elementos podem matar os organismos nativos dos portos quando a água for desembarcada.
Convenção internacional
A grande esperança, segundo ele, é a implantação da Convenção Internacional para Controle e Gestão da Água de Lastro e Sedimentos de Navios. Aprovada pela Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) em 2004, ela não foi posta em prática ainda porque precisa da assinatura de 30 países, mas até agora conseguiu aprovação de 26, entre eles o Brasil.
“A convenção exige uma densidade máxima de organismos [na água de lastro]”, informa Fernandes. Segundo o pesquisador, para eliminar os seres vivos estão sendo desenvolvidos sistemas de tratamento, que ainda passarão pela aprovação da IMO.
Iberê Thenório /G1/SBPC/Natal/2010







sexta-feira, 9 de julho de 2010




Especialistas da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), agência australiana de pesquisa científica, divulgaram a criação um camarão com dois palmos de extensão, maior e mais saboroso que o original da espécie Black Tiger.

Estudos de DNA permitiram a seleção dos melhores crustáceos para serem utilizados durante as oito épocas de reprodução em cativeiro monitoradas pela equipe da CSIRO. A seleção por cor, sabor e tamanho levou à obtenção do supercamarão, após uma década de experimentos.

O novo exemplar da espécie Black Tiger pode beneficiar a indústria pesqueira da Austrália. Uma das parceiras da CSIRO, a piscicultora Gold Coast Marine Aquaculture (GCMA) obteve média de 17,5 toneladas por hectare este ano. O supercamarão cresce até 20% mais rápido do que a média da espécie.

"A média da indústria de produção de camarões em cativeiro é de 5 toneladas anuais por hectare", explica Nigel Preston, líder do projeto. "Os números obtidos pela GCMA representam um grande avanço para a indústria."

Preston acredita que a adoção da técnica de criação do supercamarão pode levar a indústria local a um lucro de 120 milhões de dólares australianos por ano até 2020. "As colheitas podem ser replicadas ano após ano, o que significa um estoque consistente e confiável de um produto de ótima qualidade", afirma o pesquisador da CSIRO.

O país importa 50% do montante de camarão consumido de países como China e Vietnã. Com o supercamarão, a expectativa dos especialistas é de alavancar a produtividade e o consumo de crustáceos obtidos na costa australiana.