quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Livro reúne fotos dos melhores fotógrafos de natureza do mundo

"David Doubilet inventou de forma eficiente a fotografia embaixo d'água", explicou Kidman Cox. "Aqui vemos atmosfera e atitude. Alguns podem achar esses tubarões sinistros, mas eles não estavam interessados nas pernas do fotógrafo penduradas para fora do barco, eles só estão interessados nas luzes." (Shark patrol at sunset 2010; lemon sharks; Bahama Banks, Bahamas digital)

O Museu de História Natural de Londres reuniu no livro The Masters of Nature Photography ("Os mestres da fotografia de natureza", em tradução livre) uma impressionante seleção de imagens feitas durante mais de três décadas, por 10 dos melhores fotógrafos de natureza do mundo.
Na coletânea, destacam-se imagens de elefantes em Botsuana, cisnes bravos em um lago na Islândia, e gnus correndo no Quênia.
O editor do livro, Roz Kidman, destaca o uso da luz por esses fotógrafos. "A luz é extraordinária. Isso é algo que todos esses fotógrafos têm, um real entendimento sobre como usar a luz."

 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Peixes possuem mecanismo genético ‘desligado’ para ter dedos

Um estudo de pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça, sugere que peixes possuem o dispositivo genético para ter dedos, mas que este dispositivo está “desligado”.
A pesquisa, publicada na revista especializada Plos Biology, esclarece como alguns peixes evoluíram em animais terrestres há milhões de anos.
Os cientistas afirmaram que, para que os peixes fizessem a transição da água para a terra, uma arquitetura de DNA já existente teve que ser “sequestrada” para que os dedos fossem criados.
Já se sabia que os genes para a formação de membros eram encontrados em peixes, mas ainda não se sabia como eles evoluíram para a formação de dedos.

Os cientistas usaram o peixe-zebra, também conhecido como paulistinha, como modelo.
Joos Woltering, que liderou a pesquisa, afirmou que estava interessado na “antiga questão evolucionária: como os membros se desenvolveram a partir das barbatanas de peixes ancestrais?”

Para responder a esta pergunta, Woltering e a equipe analisaram a genética de uma barbatana e o desenvolvimento de membros no peixe-zebra e em camundongos.
O cientista suíço estava particularmente interessado na divisão entre mão (ou dedos) e braço que não existe em barbatanas de peixes e é “considerada uma das maiores inovações morfológicas durante a transição de barbatana para membros”.
Genes ‘arquitetos’ – Os tetrápodes, as primeiras criaturas quadrúpedes que caminharam pela Terra, evoluíram saindo da água há cerca de 380 milhões de anos em uma era conhecida como Período Devoniano, com frequência chamado de ‘a era do peixe’.
Peixes e animais terrestres têm conjuntos de genes chamados HoxA e HoxD e sabe-se que ambos são essenciais no desenvolvimento de barbatanas e membros.
Estes genes Hox são, algumas vezes, chamados de “genes arquitetos”, pois eles estão envolvidos na criação de muitas das estruturas físicas que um animal tem.
No entanto, quando estes genes Hox de peixes foram implantados em embriões de camundongos, os genes que resultaram no braço foram ligados, mas não os genes responsáveis pela mão ou dedos.
Segundo a pesquisa, isto sugere que a informação genética necessária para fazer os membros do tetrápodes já estava presente nos peixes antes mesmo do surgimento do tetrápode.
“Durante a embriogênese é muito importante que os genes de desenvolvimento sejam ligados exatamente no momento e no lugar certo para garantir o desenvolvimento de um organismo adulto completo, coerente e com bom funcionamento”, disse Woltering à BBC.
“O resultado mais surpreendente é que descobrimos (DNA em peixes) que é quase idêntico ao DNA mais complexo que encontramos no camundongo”, acrescentou.
Outra conclusão importante do estudo é que as barbatanas de peixes não são equivalentes aos membros dos tetrápodes. Ao invés disso, a evolução dos dedos em animais terrestres envolveu a reorientação de uma infraestrutura genética já existente.
“Isto sugere que nossos dedos evoluíram durante a transição da barbatana para membro ao modernizar um mecanismo regulatório já existente”, afirmou o outro autor da pesquisa, Denis Duboule.
Críticas – Outros pesquisadores que trabalham neste campo afirmam que o estudo suíço tem alguns erros.
Jennifer Clack, do Museu de Zoologia da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, afirmou que usar o peixe-zebra como modelo para as experiência foi uma escolha ruim.
“Sabemos que este animal, e, por dedução, seus parentes… não têm algumas das fases de desenvolvimento que fizeram os dedos nos tetrápodes”, explicou.
Outro especialista que desaprova a pesquisa dos suíços é Per Ahlberg, da Universidade de Uppsala, na Suécia. Para ele, a análise molecular feita pelos cientistas de Genebra foi de alta qualidade, mas as conclusões evolucionárias apresentam falhas.
“Toda esta dedução é baseada no pressuposto de que o esqueleto da barbatana do peixe-zebra é razoavelmente representativo das condições ancestrais para os tetrápodes, mas simplesmente não é”, disse.
“Essencialmente, o esturjão moderno, o peixe-agulha (…) têm esqueletos de barbatanas que são razoavelmente próximos das condições ancestrais compartilhadas para camundongo e peixe-zebra”, acrescentou

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Conheça as 10 melhores praias do Brasil!


O site TripAdvisor, um dos principais portais especializados em turismo do mundo, fez um ranking das 10 melhores praias do Brasil. Oito delas estão nos estados de Pernambuco e do Rio de Janeiro.
O levantamento foi realizado com base nas avaliações dos usuários do site. Confira abaixo a lista:

1 – Baía do Sancho (Fernando de Noronha – PE)

A areia branquíssima e o mar verde-esmeralda formam uma paisagem incrível. Pode ser visitada durante o ano todo.

2 – Lopes Mendes, Ilha Grande (Angra dos Reis - RJ)


Paraíso dos surfistas, a praia de Lopes Mendes surpreende por suas águas cristalinas de tons verdes e azulados. Uma das atrações é sua a areia que “canta” ao ser pisado. A melhor época para visitar é de dezembro a março.

3 – Baía dos Porcos (Fernando de Noronha – PE)
Com apenas 100 metros de extensão, é a considerada a praia mais charmosa de Noronha. Pode ser visitada durante o ano todo.
4 – Ilha de Santo Aleixo e praia dos Carneiros (Porto de Galinhas – PE)
A praia de Carneiros é considerada uma das mais bonitas e rústicas de Pernambuco. Já a ilha de Santo Aleixo é famosa pelas dezenas de naufrágios em seus arredores, atraindo mergulhadores de todo o mundo. Pode ser visitada durante o ano todo.
5 – Baía dos Golfinhos, praia da Pipa (Timbau do Sul – RN)
Apesar do nome, os golfinhos raramente são vistos por conta da movimentação de banhistas na praia.
 
6 – Praia de Ipanema (Rio de Janeiro – RJ)
Queridinha dos cariocas, a praia serviu de inspiração para Vinícius de Moraes compor a música “Garota de Ipanema”. A melhor época do ano para visitar é de dezembro a março.
 
7 – Lagoa Azul, Ilha Grande (Angra dos Reis – RJ)
De águas claras e tranquilas, a pequena enseada é protegida por pequenas ilhas, ideal para o mergulho com snorkel. A melhor época do ano para visitar é de dezembro a março.
 
8 – Praia do Arpoador (Rio de Janeiro  - RJ)
Todos os fins de tarde dezenas de pessoas contemplam o por do sol da pedra do Arpoador.  Por conta do mar agitado, a  praia é reduto de surfistas. A melhor época do ano para visitar é de dezembro a março.
 
9 – Praia de Muro Alto (Porto de Galinhas  - PE)


O conjunto formado por um paredão de areia, coqueiros, reserva de Mata Atlântica, recifes e piscinas naturais faz de Muro Alto uma das mais belas praias do país. O mar de águas calmas atraí adeptos dos esportes náuticos. Pode ser visitada durante o ano todo.
10 - Praia do Gunga (Maceió – AL)


A praia do Gunga destaca-se pela sua beleza exuberante. Encravada entre os coqueiros e um belíssimo mar, proporciona a todos os visitantes boas recordações. Pode ser visitada durante o ano todo.
Agora, envie ao Projeto Biomar a sua seleção, com fotos, das 10 melhores praias do Brasil. Nós publicaremos aqui a sua seleção!
Venha conhecer os cursos do nosso projeto de biologia e ecologia marinha.
Um abraço,
Equipe do Projeto Biomar
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 



 
 





 
 
 
 







 



domingo, 19 de janeiro de 2014

Parides ascanius: a borboleta praiana

Uma Parides ascanius ou borboleta-da-praia macho. Foto: Wikimedia Commons

Ela gosta de sol. É Fluminense. Frequenta praias, mas só as mais reservadas. Para manter a forma tem uma dieta bem restrita. Alguém poderia achar que esta é a descrição de uma típica jovem carioca. Quase. Na verdade, trata-se da borboleta-da-restinga ou borboleta-da-praia (Parides ascanius), uma espécie endêmica do Estado do Rio de Janeiro, encontrada nas poucas áreas de restinga pantanosa entre o litoral das cidades de Campos e o de Mangaratiba, e no extremo sul do Estado do Espírito Santo.
Conhecida lá fora como Fluminense Swallowtail (em inglês, algo como "Cauda de Andorinha Fluminense"), a borboleta-da-praia adulta tem asas negras, com uma faixa branca que atravessa ambas as asas e uma característica mancha rubra nas asas posteriores. Na fase de larva é castanha clara com tubérculos em todos os segmentos do corpo.
As larvas são monófagas e se alimentam exclusivamente da planta de Aristolochia macroura, conhecida como jarrinha. Quando adultas -já na forma de borboleta - , em seus lentos e graciosos voos, têm como favorito o néctar da flor de Lantana camara, conhecida como cambará, embora também se satisfaça com outras, como o gervão (Stachytarpheta cayennensis).
A duração da vida dos adultos é de duas semanas a um mês. As fêmeas, que podem viver até três semanas, colocam seus ovos em locais isolados, às vezes sob a folha da jarrinha, ou perto da mesma, em galhos secos ou outros suportes. O risco está nas pequenas vespas, parasitas dos ovos da borboleta-da-restinga. Os demais predadores de borboletas, como pássaros, a evitam por seu sabor desagradável. Este mecanismo de defesa começa cedo: a larva absorve e armazena substâncias tóxicas das folhas de Aristolochia macroura, que permanecem quando atingem a maturidade, tornando o inseto impalatável aos seus potenciais predadores.
A maior ameaça à espécie é a sistemática destruição de áreas de vegetação brejosa ou pantanosa em todo Rio de Janeiro. Com a redução das restingas, o inseto se torna ainda mais prejudica por seus hábitos monófagos, pois restam menos opções de áreas capazes de sustentar suas necessidades. Não surpreende que para o ICMBio a espécie esteja Em Perigo e para a a IUCN, a espécie seja classificada como Vulnerável à extinção.
O eco - Rafael Ferreira - 16/01/14

 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Atletas velejam em meio ao lixo na Baía de Guanabara

                                  Biólogo Mario Moscatelli questiona demora no processo de limpeza

A 30 meses da Olimpíada do Rio, apenas 34% do esgoto produzido na região da baía é tratado; governo garante que Olimpíada não terá problemas.

 Enquanto brasileiros batalham seus lugares na equipe olímpica na Copa Brasil de Vela, realizada nesta semana em Niterói, velejadores estrangeiros buscam dominar as águas da Baía de Guanabara – e aprender a driblar seus obstáculos.
As equipes olímpicas internacionais estão buscando se acostumar com uma realidade que seus adversários locais já conhecem de longa data: o alto índice de poluição da sede das competições de vela em 2016.
Muitos têm ficado chocados com a quantidade de objetos flutuantes na água – de eletrodomésticos a animais mortos – e temem não só pelas competições, como também por sua saúde.
O britânico Alain Sign ficou doente logo antes do Natal. “Pode ter sido porque o barco virou, ou pode ter sido algo que eu comi. Mas acho que ninguém quer beber dessa água”, diz ele antes de uma das regatas do evento, realizada na Praia de São Francisco, em Niterói.
Ao fundo está o belo cenário das montanhas do Rio, a água da baía refletindo o céu azul. Mas dali a pouco Sign entra com o barco na água até a cintura, que quebra em ondas marrons cheias de sacos plásticos e deixa pedaços de lixo na areia.
O governo do Rio se comprometeu a alcançar 80% de saneamento do esgoto que desagua na baía até 2016. As autoridades prometem entregar ainda obras importantes e garantem que a competição de vela ocorrerá sem problemas na baia durante a Olimpíada.
Mas, a 30 meses do evento, muitos estão céticos quanto à promessa. Hoje, apenas 34% do esgoto produzido na região é tratado.
Esgoto e vitaminas
Dos 18 mil litros de esgoto produzidos por segundo pela população, 12 mil são lançados in natura na baía e no mar.
A medalhista Isabel Swan – que na candidatura do Rio para a Olimpíada falou de seu amor pela baía, onde aprendeu a velejar – vê com bons olhos os esforços implementados, mas considera a meta “bem ousada”.
“A promessa de 80% é difícil de ser alcançada. Mas temos que cobrar agora, porque é a grande chance que temos. Sem a Olimpíada, mudar a situação da baía vai ser impossível.”
Dylan Fletcher, dupla de Alain Sign no 49er, diz que a equipe britânica foi vacinada contra hepatite A e reforçou o consumo de vitaminas para evitar doenças.
“Estamos fazendo o maior esforço possível para não engolir água e não ficar doente. Na dúvida, tomamos uma Coca-Cola depois do treino. Pode ser um mito, mas dizem que ajuda,” diz.
Para ele, o maior problema são objetos flutuantes – os grandes perigam rasgar o casco do barco, e um pequeno saco plástico no leme pode acabar com uma regata.
“Essa é a parte mais frustrante – quando você vê que está realmente perdendo posições. A gente tenta desviar, mas às vezes não consegue.”
Paliativas?
Quatro anos após o anúncio da Olimpíada no Rio, o governo estadual anunciou no ano passado o plano Guanabara Limpa. São 12 ações para melhorar a qualidade das águas na baía até 2016.
O plano inclui a instalação de sete unidades de tratamento de rio – para tratar o esgoto e conter o lixo antes de os rios desembocarem na baía –, a ampliação de “ecobarreiras” para bloquear lixo flutuante nos rios e os chamados ecoboats, dez barcos para “pescar” lixo da água, que entraram em operação nesta semana.
Muitos consideram as medidas paliativas e dizem que não atacam a raiz do problema, cobrando a ampliação da rede de coleta e tratamento de esgoto.
O biólogo Mario Moscatelli concorda que as unidades de tratamento de rio podem melhorar a qualidade das águas na baía no curto prazo. Mas se pergunta: por que tanta demora?
“Das sete unidades de tratamento de rio prometidas, só uma foi instalada, e isso a 30 meses dos jogos. O que eu não consigo entender é como as autoridades, sabendo da data dos jogos e conhecendo o passivo ambiental na baía, estão atrasando tanto a implementação de medidas já selecionadas.”
De pé sobre uma montanha de lixo no manguezal que busca recuperar no Canal do Fundão – próximo ao Complexo da Maré, onde milhares de famílias vivem sem saneamento – Moscatelli diz que o cenário resume a situação da baía.
“Todos os rios que chegam à baía estão mortos e foram transformados em grandes valões de lixo e esgoto. A carga poluente é lançada na baía e vem para as áreas de mangue.”
“Depois de 20 anos e de ter recebido US$ 1,2 bilhão, a baía continua uma grande latrina e uma grande lata de lixo”, lamenta.
O biólogo se refere aos investimentos do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, anunciados durante a ECO-92.
Cronograma
O Rio recebeu recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Japão, mas os investimentos surtiram poucos efeitos, com grandes projetos deixados pela metade.
Gelson Serva, subsecretário de Economia Verde da secretaria estadual do Ambiente, diz que o governo vai concluir obras importantes, como a estação de tratamento de esgoto da Alegria – que hoje opera muito abaixo de sua capacidade pela falta de troncos coletores para levar o esgoto até lá.
Ele diz que o governo precisou de tempo para planejar as ações e recuperar sua capacidade de investimento.
“Agora estamos executando as ações. Temos uma carteira de projetos de R$ 2 bilhões em obras de saneamento, e as licitações estão nas ruas”, diz.
O cronograma de grande parte das obras ainda é incerto. As seis unidades de tratamento de rio previstas até 2016 ainda estão sendo licitadas.
Serva diz que o governo tem um compromisso com a população e está “mudando o jogo”.
Mas uma reportagem publicada ontem no jornal O Globo mostrou que o governo do estado gastou apenas 17% dos recursos previstos em seu orçamento para saneamento no ano passado.
De acordo com Serva, as provas olímpicas poderão acontecer sem problemas na baía. Medidas específicas sendo tomadas para reduzir a quantidade de lixo flutuante na água.
Mas impedir que o esgoto da cidade chegue aos rios e desague na Guanabara ainda parece um sonho distante, mesmo com as Olimpíadas se aproximando no horizonte.
Fonte:  Júlia Dias Carneiro, da BBC Brasil.

 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Chuva arrasta caranguejos para fora do mangue em Ubatuba, SP.

Caranguejos encontrados longe do mangue em Ubatuba, no litoral norte (Foto: Divulgação/ONG APPRU)

Mais de mil caranguejos foram arrastados para a praia após tempestade.
Moradores e turistas devolveram a maioria dos animais ao mangue.

Nos dias quentes de verão é grande a chance de chuvas que, algumas vezes, são fortes. No último domingo (5) uma chuva provocou um prejuízo ambiental em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. 
No lado norte de Ubatuba, próximo a praia do Ubatumirim, a água arrastou caranguejos do manguezal. Mais de mil animais foram encontrados na areia.  Com a ajuda de moradores e turistas, a maioria dos caranguejos foi devolvida ao mangue.

 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ilha de plástico no Pacífico é já é maior que os EUA

É verdade que existe uma mancha gigante de lixo plástico no oceano? Uma  não, duas. Elas ficam no meio do oceano Pacífico e, juntas, têm o dobro do tamanho dos Estados Unidos!
Nesses depósitos de lixo flutuante já foram encontrados os mais bizarros resíduos, de cones de trânsito a brinquedos, tênis e malas de viagem. Metade dessa sujeirada toda é lançada no mar por navios e plataformas de petróleo. A outra parte deságua nos oceanos trazida por rios espalhados pelo mundo. O pior é que o desastre ecológico só aumenta: o volume de plástico no Pacífico mais que triplicou nos últimos dez anos. "O isolamento poderia fazer desse lugar um paraíso para os animais. Mas eles rondam a linha do lixo e só têm plástico para comer. Já encontramos todo tipo de objeto no estômago dos bichos", diz o pesquisador Charles Moore, da Algalita Marine Research Foundation, entidade americana que trabalha na proteção da vida marinha.
CORRENTE CONTÍNUA

Pacífico tem "redemoinhos que prendem lixo de todos os oceanos
Correntes marítimas como a Círculo Polar Antártica ligam os três oceanos da Terra. Assim, grande parte dos resíduos do Atlântico e do Índico acaba se dirigindo para o Pacífico, mesmo que leve décadas percorrendo os mares do mundo.
Em algumas regiões do oceano Pacífico, as correntes marítimas se movimentam em círculos, formando enormes "redemoinhos". O lixo que entra nessas áreas, após vagar pelos oceanos de todo o planeta, fica preso nas correntes, formando as duas manchas gigantes de plástico.
O pior é que o lixo boiando na superfície é só uma pequena parte da sujeira. Com o passar dos anos, pedaços menores de plástico se diluem, formando uma espécie de sopa nojenta. Resultado: as manchas têm camadas com até 10 m de profundidade de lixo.
EFEITOS COLATERAIS
Lixo das manchas detona dieta dos animais
CARDÁPIO IMPRÓPRIO

Pesquisadores já encontraram tartarugas que comeram isqueiros, peixes engasgados com linhas de pesca e pássaros marinhos mortos com o estômago lotado de plástico ingerido na região das manchas.
ALTERAÇÃO HORMONAL
O lixo forma resíduos tóxicos que confundem os receptores hormonais de alguns animais. Há espécies que tiveram queda na produção de esperma e nascimento de mais fêmeas.
INTOXICAÇÃO À MESA
Ao comer peixes que passaram por essas regiões, o ser humano ingere também os produtos tóxicos absorvidos pelos animais.
SOLUÇÃO DIFÍCIL
Problema maior é eliminar "sopa plástica" abaixo da superfície
Pesquisadores ainda quebram a cabeça para encontrar um jeito de se livrar desse lixo. Apesar de trabalhoso, retirar os resíduos da superfície seria a parte mais fácil. O problema é o que está abaixo dessa camada. Como o plástico se quebra em pedaços quase microscópicos, remover essa "sopa plástica" significaria tirar também a água do mar com micro-organismos vivos, o que causaria um impacto ambiental ainda maior. Uma possível saída seria criar uma substância que fizesse uma faxina na região.
Grandes navios soltariam milhões de litros de um solvente especial. Essa substância teria que ser biodegradável e atóxica, para não interferir na vida marinha local.
O solvente quebraria as moléculas dos microscópicos pedaços de plástico, transformando os em partículas inofensivas para a natureza, como átomos de carbono.
Mas há um problema: o excesso de átomos de carbono poderia alterar a vida marinha - até mesmo provocando mais mutações em algumas espécies.
Fonte: http://migre.me/hjGa6

 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Importante para deter enchentes, manguezal é ecossistema ameaçado

      Importante para deter enchentes, manguezal é ecossistema ameaçado
Desde os anos 80, cerca de 35% dos manguezais foram destruídos em todo o mundo. A importância desse ecossistema para a proteção costeira nem sempre é conhecida. Uma floresta que se ergue do mar. Nas costas tropicais, árvores singulares formam um cinturão verde entre o mar e a terra. Os mangues precisam de águas mornas e uma mistura de água salgada e doce para sobreviver. Numerosas espécies de aves vivem entre seus ramos e raízes aéreas. Na água, peixes nadam entre suas raízes e caranguejos reviram o fundo lamacento.
Desde os anos 80, entretanto, os valiosos manguezais diminuíram em 35% em todo o mundo. Há várias razões para isso, explica Ulrich Saint-Paul, do Centro Leibniz de Ecologia Tropical Marinha, da Universidade de Bremen. Muitas vezes, eles são removidos para a construção de portos, aeroportos ou residências. “Mas estas áreas também são cada vez mais usadas ​para abrigar culturas de caranguejos e camarões, destinadas ao mercado internacional.”
Para que o exterior receba camarões a preços baratos, os países que abrigam manguezais pagam um preço alto. Com o fim dessa vegetação, eles perdem um recurso importante, comenta Saint-Paul. “Os mangues não são só importantes zonas de reprodução de peixes, mas servem à proteção costeira. São barreiras naturais contra tempestades e, no quadro climático global, têm uma função importante, pois retêm dióxido de carbono.”
A construção de barragens ou o desvio de rios também ameaçam os manguezais, lembra o especialista em política de desenvolvimento René Capote, que examinou manguezais em sua terra natal, Cuba, para seu trabalho de doutorado pela Universidade de Bonn.
Segundo ele, os manguezais garantem uma água mais limpa na zona costeira, através da filtragem de sedimentos. “Isso também é importante para a preservação dos recifes de coral e para termos praias limpas e, portanto, para o turismo”, lembra Capote.
Barreira natural contra tempestades – Em eventos climáticos extremos, os manguezais atuam de várias maneiras como um cinturão de proteção. “Esse ecossistema pode absorver uma grande quantidade de água, fazendo com que a inundação de áreas povoadas após fortes chuvas seja reduzida”, diz o especialista cubano. Além disso, eles também formam uma barreira natural contra ventos e ondas. “Suas raízes aéreas e galhos seguram a inundação”, diz Femke Tonneijck, da organização ambientalista Wetlands International, que luta pela preservação das vegetações de mangue.
Além disso, esse ecossistema pode fornecer lenha e alimentos às populações costeiras, na época posterior a uma catástrofe natural. “No entanto, é necessário um cinturão de manguezais muito largo para atenuar uma grande enchente”, sublinha Tonneijck. Por isso, ela luta por uma revitalização das costas por meio de ações complementares, como a construção de diques, em regiões onde os manguezais já desapareceram. Muitas vezes, nessas áreas não há espaço suficiente para muitos quilômetros de cinturão verde.
O replantio também ajuda a combater a erosão costeira. “Trabalhamos numa região de Java onde os mangues foram substituídos por viveiros de peixes e camarões. Para a recuperação, você também precisa de sedimentos, onde os mangues crescem. Em vez de construir estruturas duras, como diques, para proteger a costa de uma erosão adicional, utilizamos estruturas de madeira, similares a cercas, que permitem a passagem de sedimentos. Este método tem sido usado há séculos na Holanda e no norte da Alemanha”, diz Tonneijck.
“Existem hoje técnicas muito bem sucedidas, e o Banco Mundial financia tais projetos com muito dinheiro”, diz Saint-Paul. “Mas, nesses casos, sempre se comete um erro: os manguezais são replantados como monoculturas. A biodiversidade natural, que proporciona a uma floresta uma estabilidade ecológica muito maior, não é considerada.”
Capote enfatiza ser necessário um planejamento de longo prazo e um monitoramento constante das condições de crescimento em projetos de revitalização de manguezais. Muitos projetos têm, segundo ele, fracassado ao fim de poucos anos devido a negligências nos trabalhos de preparo e manutenção de longo prazo.
Cultivo sustentável de camarão – Capote defende ainda a gestão sustentável dos manguezais existentes, incluindo medidas para uma criação sustentável de peixes e camarão. “Deveria ser introduzido um sistema de rotatividade que protegesse certas áreas e que desse a zonas de mangue já exploradas a oportunidade de se recuperarem. Além disso, deve ser evitada uma poluição duradoura através de rações com aditivos químicos. Uma área só consegue alimentar um certo número de camarões. É preciso escolher entre ganhos de curto prazo, que levam à destruição de manguezais, e um lucro menor, que colabora na conservação dessas áreas a longo prazo.”
A consciência da importância dos manguezais aumenta após cada catástrofe provocada por tempestades tropicais, mas ela dura pouco, critica Saint-Paul. “Precisamos de um programa educativo de longo prazo, tanto nas escolas como na educação de adultos, para fazer com que as pessoas que moram perto dos manguezais percebam a importância dessa vegetação e saibam as razões pelas quais ela deve ser protegida.”

sábado, 28 de dezembro de 2013

Enorme mancha avermelhada surge na orla de Copacabana

                      O fenômeno pode estar relacionado à presença de algas RIO - 28/12/13
O surgimento de uma enorme mancha de coloração avermelhada na orla de Copacabana, na tarde desta sexta-feira, pode estar relacionado à presença do mesmo tipo alga que desde o início do mês vem chamando a atenção de banhistas nas praias da Reserva, na Zona Oeste do Rio, e na cidade de Angra dos Reis. De acordo com o biólogo Mário Moscatelli, que analisou a imagem, o fenômeno deve ter relação com o forte calor e com a disponibilidade de nutrientes na costa do estado. Na manhã deste sábado, técnicos do Instituto estadual do Ambiente (Inea) recolheram amostras para análise. O resultado deve sair no final do dia.
— Claro que é necessária uma coleta de material e análise para comprovar se de fato é o mesmo tipo de alga encontrada recentemente nas praias da Reserva e de Angra dos Reis. Contudo, as condições precárias de saneamento no estado, somada a fatores como calor, pode estar por trás do fenômeno — acredita o biólogo.
Manchas em Angra
No último dia 18.12.13, o Inea divulgou as conclusões dos exames da espuma que surgiu nas praias de Angra dos Reis, na Região Sul Fluminense. De acordo com nota técnica, a espuma não traz risco para a vida marinha ou para os seres humanos.
Técnicos da Gerência de Qualidade da Água do Inea coletaram amostras nas praias Brava e no Saco de Piraquara, nos dias 31 de outubro, 2 e 4 deste mês. Em conjunto com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), foi feita outra coleta no último dia 9. O trabalho teve acompanhamento de técnicos do Ibama, órgão responsável pelo licenciamento ambiental da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA).
De acordo com os laudos técnicos produzidos a partir desta coleta de material, o surgimento de espuma no mar deve ter ocorrido a partir da decomposição de algas, o que provocou o aumento de matéria orgânica na água do mar. O processo, associado a fenômenos oceanográficos, tais como ventos, ondas e ressacas, favorece o aparecimento de espuma. Não houve registro de mortandade de peixes ou redução da quantidade de pescado na região.
Como houve uma concentração de espuma nas proximidades da saída do sistema de resfriamento da Central Nuclear de Angra dos Reis, no Saco de Piraquara, pescadores e moradores levantaram a suspeita de que o problema tivesse relação com as operações das usinas atômicas, o que foi descartado.
A conclusão dos técnicos é que o processo de resfriamento das usinas provoca turbilhonamento e aumento da temperatura da água. Com o incremento de matéria orgânica na captação, isso potencializou a formação de espuma. O sistema, no entanto, não tem qualquer contato com materiais radioativos, motivo pelo qual não há riscos de contaminação.
Fonte: O Globo



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Greenpeace alerta para prática de pesca mais escandalosa do planeta


Visando suprir a crescente demanda por sushi e peixe enlatado, a pesca de atum com espinhel não apenas está colocando esta espécie à beira da extinção, como também outros animais marinhos

 Com o consumo de pescados aumentando exponencialmente ao redor do mundo, a questão da saúde dos oceanos está cada vez mais em evidência.
Já está claro que, para que os ecossistemas marinhos resistam às consequências do aquecimento global, eles precisam ter a sua estrutura trófica preservada, e assim, é urgente que medidas sejam tomadas para barrar os imensos impactos da sobrepesca.
Com isso em mente, o Greenpeace lançou um relatório em que explica o que classifica como a prática de pesca mais escandalosa do planeta, o uso de espinhel. O método é aplicado para a captura dos valiosos atuns, que alimentam a crescente demanda por sushi e peixe enlatado (atum-branco).
Ninguém sabe os números exatos de quantas embarcações pescam com espinhel, mas estimativas alcançam mais de cinco mil. Cada uma delas pode armar uma linha com até 170 km de comprimento contendo três mil anzóis que capturam atuns, mas também tubarões, tartarugas, aves e muitos outros animais.
No caso dos tubarões, muitas embarcações se aproveitam do bycatch (‘pesca acidental’) para explorar o comércio de barbatanas, extremamente lucrativo e cruel, além de ser a causa de uma queda catastrófica no numero desses animais, essenciais para a saúde dos oceanos.
Essas embarcações, e principalmente aquelas que navegam em alto mar, operam sem regulamentação alguma e infringem as cotas impostas por leis internacionais, resultando em altos índices de pesca ilegal e não reportada. Trabalhadores em condições análogas à escravidão também são comumente encontrados, reporta o Greenpeace.
Tudo isso levou a uma massiva sobrepesca de várias espécies de atum (de olho grande, amarelo, branco e azul).
No caso da costa brasileira, as espécies de atum que podem ser encontradas são o Thunnus albacares (chamado de albacora ou amarelo), com uma população remanescente estimada em 30%, segundo o Greenpeace, e o Thunnus atlanticus.
Em setembro, o jornal Carta Capital denunciou que três embarcações estrangeiras podem ter sido responsáveis, em pouco mais de três meses, pela morte de ao menos 30 mil aves marinhas, entre albatrozes, petréis e gaivotas, por não obedecerem a normas básicas para a pescaria ditadas pela legislação brasileira. 
Cerca de 90% do atum pescado no Brasil embarca em cargueiros japoneses.
Segundo a oceanógrafa Sylvia Earle, da National Geographic Society, maior referência mundial em oceanografia, 95% da população global de atum-azul (Thunnus thynnus) já virou sushi.
O Greenpeace pede por uma revolução nessa indústria para melhorar o manejo e o controle, reduzindo o poder de países como Taiwan, Coreia do Sul, China e Japão e estabelecendo cotas de pesca.
Batalha política

Na semana passada, delegados de 25 países encarregados de gerenciar o maior setor pesqueiro do mundo se encontrou na Austrália na reunião da Comissão de Pesca do Pacífico Central e Ocidental e nenhuma restrição significativa na captura do atum foi acordada.
Apesar dos apelos de países insulares para banir a pesca do atum no leste do Pacífico, um forte lobby de países como Estados Unidos, China e Coreia do Sul impediu a aprovação de medidas fortes para conter o declínio marcado nas populações do peixe.
Na semana anterior, a Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico se reuniu e, segundo Elizabeth Wilson, que preside da unidade de políticas oceânicas do Pew Charitable Trusts, os delegados de 55 países agiram positivamente para recuperar as populações de atum azul do Atlântico ao concordar em manter a cota atual de pesca, o que seria recomendado por cientistas.
Porém, ela lamenta que não houve avanços nas medidas para acabar com o declínio de espécies vulneráveis de tubarões e para a implantação de um sistema eletrônico visando ao rastreamento das capturas e comércio do atum azul.
"Infelizmente, os governos não conseguiram limitar a captura dos tubarões mako e porbeagle no Oceano Atlântico, apesar dos conselhos científicos claros de que a sobrepesca está acabando com as suas populações”, disse Wilson.
Fonte: Instituto CarbonoBrasil