quarta-feira, 10 de abril de 2013

Foto do Dia - Aurelia aurita

Nesta bonita fotografia por Alexander Semenov (extraordinário fotógrafo subaquático), vemos Aurelia aurita, vulgarmente conhecida como a medusa da lua.
Distribuição geográgica
Exemplares de Aurelia aurita são encontrados perto da costa, principalmente, em águas quentes e tropicais (mas, elas podem suportar temperaturas tão baixas quanto - º6 e tão altas quanto 31ºC). Eles são predominantes em todos os  litorais dos mares e oceanos.

Regiões biogeográficas:
Oceano Índico (nativo);
Oceano Atlântico (nativo);
Oceano Pacífico (nativo).

Habitat
Seu habitat inclui as águas costeiras de todas as zonas,onde  ocorrem em grande número. Elas são conhecidos por viver em águas salobras, com um taxas de salinidade muito diferentes.Uma temperatura ótima para estes animais é  entre 9 - 19 graus Celsius.

Biomas aquáticos:
Recifes e litoral

Descrição Física
Estes animais variam entre 5 e 40 cm de diâmetro . Eles podem ser reconhecidos por sua coloração delicada e requintada, muitas vezes com padrões de manchas e estrias.

Reprodução
A maturidade sexual em Aurelia aurita, comumente, ocorre na primavera e no verão. Os ovos se desenvolvem nas gônadas localizadas em bolsas formadas pela abertura dos braços orais. As gônadas são geralmente a parte mais reconhecível do animal, por causa de sua coloração profunda e bem visível. As gônadas estão no fundo do estômago. Dióicos, mas, sem dimorfismo sexual. Reprodução é sexual, externa.

Comportamento
O seu comportamento depende de uma série de condições externas, como fontes de alimentação, temperatura, salinidade, etc.  A Aurelia nada por pulsações da parte superior do corpo, em  forma de sino . A natação funciona, principalmente, para manter o animal na superfície da água. Elas não conseguem nadar contra as correntes marítimas ou aéreas, ficando sempre a derriva.  Elas nadam na horizontal, mantendo o sino perto da superfície em todos os momentos. Isto permite que os tentáculos  possam ser espalhados sobre a maior área possível, a fim de melhor capturar o alimento. Impulsos para contração são enviadas por meio da rede de nervos subumbrelar.

Hábitos Alimentares
A Aurelia aurita  é carnívora e se alimenta de plâncton. Seus alimentos primários incluem pequenos organismos do plâncton tais como moluscos, crustáceos, larvas de tunicado, copépodes, rotíferos, nematodes, poliquetas jovens, protozoários, diatomáceas, e ovos. Eles também são por vezes observados a comer Hydromedusae pequenas  e Ctenóforos. Estes alimentos são recolhidos, principalmente, sobre a superfície do animal, onde se enroscam no muco.Os alimentos são então passadas para as margens da umbrela  pela ação flagelar. Eles são, então, movidos, novamente, pelas correntes flagelares, até  os oito canais individuais, que são únicos para esta espécie de água-viva. Estes canais se ramificam e levam o alimento  para o estômago.

Importância
Representam um passo importante na cadeia alimennar marinha. No entanto, se em taxas de população elevada, podem afetar significativamente a comunidade de plâncton através de predação.
Estes animais são muito abundantes, e se adaptam com facilidade a mudanças fisico-químicas.

Fonte: Animal Diversity Web

terça-feira, 9 de abril de 2013

Estudo mostra importância de manguezais para pesca


Foto 1 . Dentão ou vermelho pode atingir 80cm em profundidades mais baixas, mas sua maturidade sexual é atingida aos 35cm. Foto: Daniel Filgueiras         
Foto 2. Coral Mussismilia braziliensis faz uma sombra para um dentão (Lutjanus jocu) em Abrolhos. Foto: Amanda Ercília
 
A relação entre a vida marinha, os recifes e os manguezais é bastante comentada, mas nem sempre comprovada. Estudo inédito tratou com rigor científico a dependência que o dentão ou vermelho (Lutjanus jocu) possui dos ambientes estuarinos e dos recifes – duas regiões fundamentais para diferentes fases da vida desse peixe de alto valor comercial, cuja captura anual chega a 3 mil toneladas, em especial no litoral baiano. Bahia é o terceiro estado em produção pesqueira no país (atrás de Santa Catarina, número um, e do Pará).
A pesquisa é inédita e foi realizada na região do Parque Nacional Marinho de Abrolhos (os recifes) e no complexo de manguezais existente entre o município de Caravelas e o de Nova Viçosa, no litoral sul da Bahia. Os dados comprovam a conexão entre esses dois ambientes intermediado pelos recifes mais próximos do continente em diferentes momentos da vida dessa espécie. O dentão ou vermelho fazem parte da família dos Lutjanidae, integrada também ariocós, caranhas, pargo, guaiuba, ciobas. Peixes de escamas, carne branca, poucas espinhas e sabor suave – daí o alto valor comercial.
Os dados da pesquisa serão fundamentais para o manejo dessa espécie que sofre com a sobrepesca e o declínio dos estoques. O trabalho identificou os momentos e os locais onde ocorrem cada fase do desenvolvimento. As agregações reprodutivas são feitas no limite da plataforma continental, as larvas nadam na lâmina d’água até os ambientes estuarinos e ficam lá até crescer.
Quando maiores têm necessidade de outros alimentos e se dirigem ao mar. Está maduro sexualmente quando ultrapassa os 35cm. Nesse momento, se dirige para as agregações na quebra da plataforma, explica o professor Ronaldo Bastos Francini-Filho (
Universidade Federal da Paraíba).
Ele é um dos autores do trabalho encabeçado por Rodrigo Leão de Moura (
Universidade Estadual de Santa Cruz) e que também contou com Carolina Viviana Minte-Vera (Universidade Estadual de Maringá), Eduardo Chaves (Universidade Estadual de Santa Cruz) e Kenyon Lindeman (Florida Institute of Technology).
Além da contribuição para biólogos e engenheiros de pesca na academia, a pesquisa serve de subsídio científico contra as ameaças que costumam rondar o litoral sul da Bahia, mais especificamente entre Caravelas e Abrolhos. Até a criação da
Reserva Extrativista de Cassurubá, um projeto com pretensões de ser a maior criação de camarão do mundo estudava se instalar na região. A nova ameaça é o risco da Agência Nacional de Petróleo (ANP) inclua as imediações de Abrolhos nos leilões de blocos para prospecção da matriz energética.

Recifes profundos, peixes maiores
A pesquisa revelou os diferentes estágios do dentão: menor nos estuários, intermediário nos recifes costeiros e maior em Abrolhos. Nos recifes mais profundos são encontrados os maiores dentões entre 70 e 80cm. “Esses indivíduos são os maiores responsáveis pela recolonização da espécie, pois quanto maior o peixe, sua capacidade reprodutiva é exponencialmente maior”, detalha Ronaldo Francini-Filho.
De acordo com o diretor do programa marinho da Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil), Guilherme F. Dutra, poucos trabalhos foram exitosos em demonstrar a conectividade entre ambientes costeiros e marinhos. “Esse é o primeiro estudo que consegue provar a relação entre manguezais e recifes para essa espécie”, afirma.
O apoio financeiro para as pesquisas foi feito pela CI-Brasil e
National Geographic Society, a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia, além do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq). O trabalho já foi publicado na edição de setembro da publicação Estuarine, Coastal and Shelf Scienc.
Fonte: O Eco,  Au.: Celso Calheiros, em 09 de Novembro de 2011


 

 

 



Escola Internacional de Biologia Marinha Daniel Jouvance realiza curso no IEAPM


A Fundação Daniel Jouvance do Institut de France, em parceria com a Universidade Pierre et Marie Curie – UPMC, realizou entre os dias 11 e 24 de março, em Arraial do Cabo/RJ, a 2ª Escola Internacional de Biologia Marinha e Ecologia Daniel Jouvance. O encontro contou com a parceria do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), através do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Pro-Oceano/RJ (INCT-Pro-Oceano), coordenado pelo IEAPM.
A Escola Internacional de Biologia Marinha e Ecologia Daniel Jouvance – UPMC tem como objetivo favorecer o intercâmbio científico a respeito dos recentes avanços na pesquisa em biologia marinha, ecologia e biotecnologia. A Escola aborda os novos conceitos e técnicas para o estudo de organismos e ecossistemas marinhos e ajuda na difusão de conhecimentos para a preservação desse ambiente.
Os cursos são organizados em diversas regiões do mundo em que a economia é fortemente dependente de recursos marinhos (pesca, aquacultura e turismo), tais como Ásia, América Latina e África. A segunda edição do curso aconteceu no Brasil, na sede do IEAPM – a primeira foi no Chile, em 2010. Este ano, as aulas reuniram 30 estudantes, que trabalharam focados nos conceitos e nos processos importantes para os oceanos e os ecossistemas costeiros.
O curso é destinado a estudantes brasileiros, franceses e latino-americanos de pós-graduação (Mestrado e Doutorado) e de pós-doutorado em biologia e ecologia marinhas. As aulas foram ministradas por 20 professores-pesquisadores franceses e brasileiros, e incluiu aulas práticas que permitiram aos alunos realizar experimentos com base nas amostras recolhidas em Arraial do Cabo (RJ), assim como análise em laboratórios do IEAPM e a utilização de tutoriais de bioinformática.
Leia+
http://www.ieapm.mar.mil.br/curso/index.htm

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Ecossistema Manguezal e o Bioma Mata Atlântica


O bioma Mata Atlântica inclui um complexo e rico conjunto de ecossistemas: floresta atlântica, manguezal, restinga e campos de altitude.

Os manguezais são ecossistemas que ocorrem nas zonas de maré. Formam-se em regiões de mistura de águas doces e salgadas como estuários, baías e lagoas costeiras. Estes ambientes apresentam ampla distribuição ao longo do planeta, ocorrendo nas zonas tropicais e subtropicais onde as condições topográficas e físicas do substrato são favoráveis ao seu estabelecimento.
As maiores extensões de manguezais do mundo estão presentes na região Indopacífica.
No Brasil, os manguezais ocorrem desde a foz do Rio Oiapoque, no Estado do Amapá até o Estado de Santa Catarina, tendo como limite sul a cidade de Laguna.
 
Ao longo da zona costeira os manguezais desempenham diversas funções naturais de grande importância ecológica e econômica, dentre as quais se destacam as seguintes:

·         Proteção da linha de costeira; funcionamento como barreira mecânica à ação erosiva das ondas e marés;
·         Retenção de sedimentos carreados pelos rios, constituindo-se em uma
·         Área de deposição natural;
·         Ação depuradora, funcionando como um verdadeiro filtro biológico natural da matéria orgânica e área de retenção de metais pesados;
·         Área de concentração de nutrientes;
·         Área de reprodução,
·         Área de abrigo;
·         Área de alimentação de inúmeras espécies;
·         Área de renovação da biomassa costeira;
·         Áreas de alimentação, abrigo, nidificação e repouso de aves - as espécies que ocorrem neste ambiente podem ser endêmicas, estreitamente ligadas ao sistema, visitantes e migratórias, onde os manguezais atuam como importantes mantenedores da diversidade biológica.  E estabilizador climático.

Com uma fitofisionomia bastante característica, o ecossistema do manguezal apresenta uma grande variedade de nichos ecológicos; é uma fauna diversificada em mariscos e caramujos; camarões, caranguejos e siris; peixes ea ves.

Estes organismos utilizam a área do manguezal na busca de alimento, reprodução, crescimento e proteção contra predadores, estes últimos atraídos por uma predominância de indivíduos jovens no ambiente.
 Os ecossistemas do manguezal possuem elevada bioprodução, podendo esta atingir até 20 toneladas de matéria orgânica. A alta produção de matéria orgânica é fundamental nos processos de ciclagem de nutrientes, que influenciam a rica cadeia alimentar presente aos manguezais.
Neste sentido, vê-se que o manguezal apresenta uma grande importância para o ecossistema marinho. Muitas espécies, típicas do manguezal, apresentam um ciclo de vida anfibiótico, como é o caso de crustáceos e peixes, constituindo um elo básico para a economia pesqueira e biológica das espécies.
Como um dos ecossistemas associados ao bioma Mata Atlântica e aos recursos hídricos, o manguezal é tido como um dos indicadores ecológicos mais significativos na zona costeira. O seu papel de proteger a costa, de conter sedimentos oriundos das bacias hidrográficas e de ser habitat de inúmeras espécies biológicas o caracteriza como um verdadeiro berçário do mar. Por isso mesmo, o manguezal ocupa uma larga faixa litorânea brasileira e, na costa fluminense, desempenha importantes funções ecossistêmicas. Tal condição privilegiou o Estado do Rio de Janeiro com uma das mais belas porções de manguezais.
É também conhecida, na história ambiental fluminense, a relação harmônica das populações tradicionais litorâneas com os manguezais.
É grande a importância do manguezal para o homem, uma vez que este fornece uma grande variedade de organismos que são utilizados na pesca como moluscos, crustáceos e peixes. A captura destes animais para comercialização e consumo permitiu ao longo dos anos a sobrevivência de inúmeras comunidades na zona costeira e a manutenção de uma tradição e cultura próprias da região costeira.
Atualmente a relação do homem com o manguezal é desarmônica. O manguezal é objeto de lançamento de resíduos sólidos, lançamento de esgotos industriais e domésticos, desmatamento e aterros, entre outras agressões.
O produto destas agressões ameaça a sobrevivência dos manguezais. Caso não sejam tomadas rapidamente medidas efetivas para conservação, preservação e conscientização da importância deste ecossistema para natureza, os manguezais tendem a se extinguir colocando em risco todo o equilíbrio da zona costeira.
A farta legislação ambiental e a inserção de diversas instituições ambientais não foram suficientes para conter expressivas perdas deste ecossistema.
Rhizophora mangle

Flora e fauna

As plantas encontradas neste ecossistema são popularmente conhecidas como mangues, observando-se as seguintes espécies no Estado do Rio de Janeiro: o mangue branco (Laguncularia racemosa); o mangue de botão (Conocarpus erecta); a siribeira, o mangue siriba ou preto (Avicennia germinans e Avicennia schaueriana) e o mangue sapateiro ou vermelho (Rhizophora mangle).
As plantas que vivem em ambientes salobros(halófitas) possuem dois sistemas de controle da concentração de sal em seus tecidos(osmorregulação), os quais procuram expulsar este produto para o exterior.
Formadoras de um complexo florestal sobre um substrato geralmente lamacento (inconsolidado) e pobre em oxigênio, estas plantas ainda apresentam adaptações aos fatores ambientais, tais como: raízes aéreas como as escoras e pneumatóforos com presença de lenticelas (células especiais para captar o ar) e o enraizamento em forma de roda (rodel) para uma melhor fixação (PEREIRA FILHO & ALVES, 1999).
Em muitos manguezais é comum a ocorrência de plantas epífitas (vegetais fixos a outros). Neste grupo, destacam-se as algas (seres aquáticos), os líquens (associação de fungos e algas), os gravatás ou bromélias (Família Bromeliaceae), as orquídeas (Família Orchidaceae) e as samambaias (Divisão Pteridophyta).
Devido a um aspecto vegetal bastante característico, este ecossistema possui uma grande variedade de nichos ecológicos, o que resulta numa fauna diversificada com representantes dos seguintes grupos: anelídeos, moluscos, crustáceos, aracnídeos, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos(PEREIRA FILHO & ALVES, 1999).
 A visita ao manguezal
 A visita em áreas de manguezal é uma  atividade muito proveitosa.
 A beleza cênica e a grande variedade de organismos proporciona aos visitantes, professores e alunos, uma oportunidade única no contato e conhecimento da natureza.
 O primeiro procedimento a ser adotado é o conhecimento da maré. O dia ideal para uma visita ao manguezal deve ser com maré baixa, de preferência 0,0 ou 0,1. . Esta informação pode ser obtida a partir de consulta da Tábua de Marés da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil, onde deve-se observar as marés do porto mais próximo ao manguezal a ser visitado.
Uma vez definido o dia da visita e feito o reconhecimento do manguezal, deve-se então adotar outros importantes procedimentos que são a roupa a ser utilizada e o material a ser levado para o manguezal.
As roupas utilizadas devem ser: tênis velho com cadarço e meia; calça comprida de moletom, lycra ou helanca; blusa de malha de manga comprida; boné ou viseira e roupa de banho por baixo (sunga, biquíni ou maiô). Além disso, é recomendável levar água, repelente, bloco para registrar as observações.
 
Sugerimos um roteiro básico para ser utilizado durante a visita, com as seguintes orientações:
1.    Anotar  a presença dos diferentes tipos de água (marinha, doce e salobra) presentes no ambiente;
2.    Estudar “in loco” a influência da variação das marés sobre os organismos (animais e vegetais);
3.    Observar os diferentes tipos de sedimentos presentes no manguezal;
4.    Anotar a variedade de organismos presentes neste ambiente;
 5.     Estudar as adaptações que os organismos(plantas e animais) possuem para viver nos manguezais;
 6.     Descrever a importância do manguezal para a natureza, plantas, animais e para o homem;
 7.  Discutir como o homem está interferindo no manguezal.
8.    Criar um texto com todas as observações e discussões sobre o tema manguezal.
 



Muco de peixe-bruxa poderá ser tecido para criar roupa do futuro

O Myxa, Mixina, ou Myxini , (do grego myxa, muco),  uma espécie de peixe do Pacífico e do Atlântico, sem maxilar e espinha dorsal, solta uma substância viscosa extremamente concentrada que serve de autodefesa. Este muco poderá ser usada como tecido para fabricar a roupa do futuro, segundo uma equipe de investigadores da Universidade de Guelph, no Canadá.

Também conhecido como peixe-bruxa, este peixe cilindrico, parecido  com uma cobra,  é considerado um fóssil vivo e,  aparentemente, não possui  mecanismos de defesa. Porém, um peixe-bruxa possui cerca de 100 glândulas produtoras de muco, localizadas ao longo do seu corpo. Elas dispersam uma substância leitosa, mas que é rica em fibras.

Quando a substância leitosa se mistura com a água do mar, ela se expande, criando grandes quantidades de um muco translúcido, composto por fibras extremamente fortes e elásticas e sedosas.
 Pesquisadores filmaram recentemente o que acontece quando um tubarão morde uma mixina. Sua boca e guelras são rapidamente cobertas pelo muco e imediatamente desistem do ataque para não morrer asfixiado.

Segundo Tim Winegard, que estuda as fibras encontradas no muco, o peixe-bruxa, sobreviveu após os dinossauros e a diversos outros processos de extinção em massa. Há mesmo um fóssil deste peixe, completo e com evidências de glândulas produtoras de muco, que foi datado com mais de 300 milhões de anos.
No entanto, ainda falta saber como aumentar a produção desta substância dos Myxinis. Os especialistas afirmam que esse processo seria improvável em laboratório, já que o peixe parece não se reproduzir muito bem em condições de cativeiro.
A equipa espera conseguir reproduzir artificialmente as proteínas encontradas no muco – um método semelhante ao usado para produzir a seda de aranha.
Atsuko Negishi e seus colegas estão tentando separar as fibras do muco, para começar a tecer as primeiras roupas com a "seda de peixe". [Imagem: Andra Zommers/UGuelph]

No entanto, este processo ainda se mantém complicado. Os investigadores tentam retirar com pinças as fibras de uma membrana muito fina, formada pela proteína extraída do muco do peixe-bruxa. Quando a membrana é destruída, pequenas fibras são formadas.
Essas fibras, quando esticadas na água e, logo em seguida, secadas, se tornam sedosas. Cientistas acreditam que o muco do peixe-bruxa pode ser transformado em roupas esportivas ou, ainda, em coletes de proteção contra armas.
Se a equipa tiver sucesso na extracção dessa nova fibra, poderemos estar vestir em breve uma camiseta criada com este novo tecido.


 

 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cientistas exploram fundo do mar na África do Sul em busca de raro peixe - Celacanto

Na próxima sexta-feira (5.04.13), uma equipe de mergulhadores e cientistas franceses e sul-africanos inicia uma expedição na África do Sul em busca do mítico peixe celacanto, que vive nas grandes profundezas e era considerado desaparecido há muito tempo.
A expedição Gombessa, como o celacanto é chamado localmente, está prevista para acontecer de 5 de abril a 15 de maio. A informação foi divulgada na última semana pelo MuseuNacional de História Natural (MNHN) de Paris.
Ela reunirá em torno do mergulhador e naturalista francês Laurent Ballesta uma equipe de mergulhadores especialmente treinados para alcançar grandes profundidades, cientistas do Instituto Sul-africano para a Biodiversidade Aquática (SAIAB) e seis cientistas do MNHN e do Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês (CNRS).
“Gigante pacífico de 2 metros de comprimento”, o celacanto foi reencontrado em 1938, na costa leste da África do Sul. Em 1990 outro exemplar foi capturado na mesma área.Nós acreditavamos que tivesse desaparecido há 70 milhões de anos. “É considerada a grande descoberta zoológica do século XX”, ressaltou o museu em um comunicado.
O celacanto “traz em si os traços da mudança dos peixes para os primeiros vertebrados terrestres de quatro patas”: esboços de membros em quatro de suas nadadeiras e uma bolsa de ar que seria o vestígio de um pulmão primitivo. Ele é, segundo o museu, “a testemunha viva e inesperada da saída das águas há 370 milhões de anos”.
Entretanto, ainda não há conhecimento científico sobre o modo de vida deste animal que vivia a mais de cem metros de profundidade. Para chegar até o peixe, a equipe deverá mergulhar diariamente em uma região denominada grutas de Jesser Canyon, na baía de Sodwana (Oceano Índico), a 120 metros de profundidade.
Assim que tiverem feito contato com o animal, eles colocarão em andamento os protocolos científicos concebidos pela equipe de cientistas do MNHN e do CNRS, chefiada pelo paleontólogo Gael Clément, e os biólogos sul-africanos Kerry Sink e Angus Paterson, acrescentou o Museu. A expedição poderá ser acompanhada a partir do dia 5 no site www.coelacanthe-projet-gombessa.com

segunda-feira, 25 de março de 2013

Geotecmar

Geotecnologias para a Gestão de Áreas Marinhas e Costeiras: Integração e Compartilhamento de Dados na Web - Geotecmar

Agência FAPESP – A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) promove nos dias 16 e 17 de maio, em Santos, o simpósio Geotecnologias para a Gestão de Áreas Marinhas e Costeiras: Integração e Compartilhamento de Dados na Web – Geotecmar.
Entre as metas dos organizadores, está conhecer experiências sobre desenvolvimento de mapas e banco de dados socioambientais georreferenciados já produzidos e discutir ferramentas para organizar e compartilhar dados espacializados.
As inscrições para o simpósio são gratuitas e podem ser feitas até 15 de maio. As vagas são limitadas.
Mais informações: http://www.geotecmar.com/#

quarta-feira, 20 de março de 2013

Algas marinhas viram isolamento térmico para construção

                                  Posidonia oceanica ou grama de Netuno
Ao longo do outono, inverno e primavera, as praias do Mediterrâneo se enchem de algas marinhas conhecidas como grama de Netuno ou tapete do Mediterrâneo. Seu nome científico é Posidonia oceanica.A Posidonia oceanica  é uma espécie de alga marinha que é endêmica do Mar Mediterrâneo. Ela forma grandes pradarias submarinas que são uma parte importante do ecossistema. O fruto é de livre flutuação e conhecido na Itália como "a azeitona do mar" (L'Oliva di mare ).
Geralmente elas são consideradas um incômodo, mas isso pode mudar graças a um projeto do Instituto Fraunhofer de Tecnologia Química, da Alemanha, que está convertendo as fibras secas desta alga em isolamento de alta qualidade para construção.
Posidonia oceanica - esfera de algas secas
O material natural abundante e renovável possui características que o torna interesse para a construção: as algas são não-inflamáveis, resistentes ao bolor e podem ser utilizadas como material isolante sem a necessidade de aditivos químicos. Com um teor de sal entre 0,5 e 2%, elas podem ser usadas para produzir um material de isolamento que não vai apodrecer.
Na construção, as algas podem ser utilizadas como isolamento entre as vigas de telhados inclinados, para isolar as paredes interiores, ou para reduzir a quantidade de calor perdido. Além disso, ela pode absorver vapor de água e soltá-lo novamente, sem ter qualquer efeito sobre as suas propriedades de isolamento.
Segundo os pesquisadores, para converter essas algas em isolamento, o processo é simples. Basicamente, é feito uma agitação mecânica para retirada da areia. Depois de ter sido agitada, as algas são transportadas por uma correia onde logo em seguida serão cortadas. No final a alga perde a sua forma e se transforma em fibras que podem ser armazenadas e transportadas em bolsas.
As fibras da Posidonia oceanica são capazes de uma inércia térmica considerável, armazenando 2.502 joules por quilograma-kelvin (J/kgK), um valor significativamente superior ao da madeira e outros derivados.
O material está sendo colhido à mão e importado para a Alemanha pela Tunísia e Albânia. A comercialização é feita pela empresa NeptuTherm, que deu seu nome ao produto.


terça-feira, 19 de março de 2013

Cientistas encontram atividade microbiana nas Fossas Marianas

Local é considerado o ponto mais profundo do Oceano Pacífico.
Um robô submarino foi utilizado para coletar sedimentos.
Imagem da superfície das Fossas Marianas divulgadas no estudo da "Nature"    ( Foto: Reprodução/Nature)
Níveis consideravelmente elevados de atividade microbiana foram detectados nas Fossas Marianas, ponto do Oceano Pacífico considerado mais profundo, informaram cientistas no domingo (17.03.13) em artigo publicado na revista "Nature Geoscience".
As Fossas Marianas, uma espécie de longa cicatriz de 2.550 km de comprimento no Pacífico, atinge os 11 km de profundidade no Abismo de Challenger, onde caberia com folga o monte Everest (8.850 m). Local fica ao leste das Filipinas.
Devido à sua extrema profundidade, a fossa está envolta em uma escuridão perpétua com temperaturas glaciais. Muitos cientistas consideram que quanto mais profundo é o oceano, menos alimento disponível existe.
No entanto, uma equipe de pesquisadores chefiada por Ronnie Glud (Universidade da Dinamarca do Sul, Odense) se surpreendeu ao descobrir que as Fossas das Marianas são ricas em matéria orgânica. Os cientistas comprovaram que o nível de demanda biológica de oxigênio era duas vezes maior do que em um lugar próximo e mais "raso", situado a 6 mil metros de profundidade.
A análise dos sedimentos extraídos nos dois locais mostra também concentrações mais elevadas de células microbianas no Abismo de Challenger. Os pesquisadores utilizaram um robô submarino concebido especialmente para isso, com sensores ultrafinos para sondar o consumo de oxigênio do fundo do mar. A equipe também produziu vídeos do fundo da fossa.
"Encontramos um mundo dominado pelos micróbios adaptados para funcionar de forma eficaz em condições extremamente inóspitas para organismos mais desenvolvidos", declarou Ronnie Glud. "Nossa conclusão é que o importante depósito de matéria orgânica no Abismo de Challenger mantém atividade microbiana em ascensão, apesar das pressões extremas que caracterizam este entorno", afirmaram os pesquisadores.
France Presse
 

sábado, 16 de março de 2013

Galha-branca-oceânico: afinal, mais protegido

Foto: Nicolai Johannesen/Flickr
Graças a dois atos a favor da conservação, o galha-branca pode nadar mais aliviado, na companhia de um fiel cardume de peixes-piloto.

O tubarão galha-branca-oceânico (Carcharhinus longimanus) é considerado um dos cinco tubarões mais perigosos do mundo, tendo sido descrito pelo oceanógrafo Jacques Cousteau como "o mais perigoso dos tubarões". Com frequência é encontrado nas imediações de acidentes com aeronaves e embarcações com vítimas em alto mar e há relatos de ataques a humanos nestes desastres. Embora, sem dúvidas, um animal perigoso, apenas 5 ataques foram registrados até hoje e, nos raros momentos de contato com o homem, seu comportamento é quase sempre de indiferença.

Animal típico das zonas tropicais de águas quentes dos Oceanos Pacífico, Índico e Atlântico, ganhou o nome galha-branca devido, sem surpresa, às partes brancas de sua fisionomia: enquanto o dorso pode variar do cinza ao marrom, dependendo da região geográfica, as extremidades das nadadeiras dorsal, peitoral, pélvicas e parte inferior da cauda são sempre daquela cor.

Caracteriza-se, ainda, por possuir a primeira nadadeira dorsal grande, arredondada e longa, nadadeiras peitorais largas em formato de remo. Grande e corpulento,  pode atingir até 4m de comprimento total e cerca de 170 kg, possuindo um focinho curto e arredondado, olhos pequenos e mandíbulas incrivelmente poderosas. Seus dentes superiores são
triangulares com bordo serrilhados e os inferiores pontiagudos, prontos a estraçalhar suas presas.

A dieta do Carcharhinus longimanus consiste basicamente de peixes ósseos (como atum, barracuda, marlin branco, dourado e espadarte), mas inclui também arraias, tartarugas marinhas, aves marinhas, lulas, crustáceos, carniça de mamíferos (baleias e golfinhos mortos) e, até mesmo, e destroços, incluindo lixo. Embora prefira comer sozinho, não é incomum vê-lo acompanhado de pequenos cardumes de
peixes-piloto (Naucrates ductor) que o acompanham - e muitas vezes guiam - até suas presas, para depois se aproveitar dos restos delas.

Costumam se reproduzir durante o início do verão, ao longo do Atlântico e do Oceano Índico. As fêmeas dão à luz de 1 a 15 filhotes vivos cerca de um ano depois. A reprodução da espécie é vivípara, isto é, o embrião se desenvolve dentro do corpo da mãe e, em seguida, numa placenta ligada à parede uterina por cordões umbilicais, que lhe fornece nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. A maturidade sexual é alcançada em uma idade de seis a sete anos para ambos os sexos.
O galha-branca pode parecer um predador temível, grande e perigoso, mas está em perigo. Tubarões são particularmente vulneráveis à prática da
sobrepesca em razão de possuírem, em geral, um crescimento lento, uma maturidade sexual tardia e uma baixa fecundidade. Isso significa que suas populações se renovam pouco e por consequência, tem potencial limitado de recuperação, uma vez que tenham sido sobrepescadas.

O C. longimanus é uma espécie epipelágica, em outras palavras, que vive estritamente em alto mar e baixas profundidades (150 m). Sendo esta zona uma área de pesca, um grande número de tubarões galha-branca-oceânicos é capturado como fauna acompanhante em pescarias com espinhel para atuns e afins.

Suas características biológicas, junto com o elevado valor comercial de suas barbatanas, que estimula a sua captura, tanto como fauna acompanhante como de forma direta, levaram a International Union for Conservation of Nature (IUCN) a classificar a espécie como
vulnerável, com tendência a ser ameaçada.

Na semana de publicação deste artigo, o galha-branca conseguiu duas vitórias, uma nacional e outra internacional, que podem significar muito para os esforços de conservação da espécie: no Brasil, a
proibição da pesca de tubarão galha-branca através da edição da Instrução Normativa Interministerial nº 1, de 12 de março de 2013; na Cites, foi a aprovação da proteção internacional de 5 espécies de tubarões, grupo no qual se inclui.
O Eco - Rafael Ferreira – 15.03.13